
Na última quinta-feira (04), dirigentes do Sindicato dos Bancários/ES participaram da palestra “Prevenção do Assédio e Dano Moral” organizada pelo setor de Recursos Humanos (RH) do banco Safra. A atividade, que aconteceu na unidade de Vitória, reuniu cerca de 33 funcionários e funcionárias do banco.
José Hamilton Campos, responsável pelo RH do banco, conversou com os trabalhadores e trabalhadoras apresentando a visão do banco em relação ao tema e na sequência deu a palavra para os dirigentes do Sindibancários/ES.
De acordo com o dirigente Esdras Henrique Veiga, a fala do banco foi no sentido de evitar as ações de dano moral, enquanto os dirigentes do sindicato ressaltaram que a preocupação da categoria é debater o assédio moral e os caminhos para reduzi-lo. “As visões são bem diferentes. Pra nós bancários o central é debater o assédio moral no dia a dia de trabalho e como buscar formas de prevenir e acabar com essa prática dentro dos bancos. Já o representante do banco priorizou falar sobre danos morais. Isso porque as instituições financeiras estão pagando processos por conta dessa gestão com metas abusivas, relações desumanas e condições precárias de trabalho. Então, fizemos questão de ressaltar que o foco do debate precisa ser o fim do assédio moral”, explicou Esdras.
O Coordenador geral do Sindibancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), enfatizou em sua fala como o assédio moral está cada vez mais institucionalizado dentro das organizações e o desafio
de enfrentar esse modelo de gestão. “Hoje o assédio moral é institucional, não se concentra mais na figura de uma pessoa ou outra pessoa, o modelo de gestão dos bancos estrutura as relações internas e organiza as dinâmicas de trabalho tendo o assédio como base do funcionamento e isso tem adoecido muito a nossa categoria”, frisou Carlão.
Durante a reunião, os diretores também tiveram a oportunidade de dialogar sobre a importância da sindicalização da classe trabalhadora. “Aproveitamos o momento ímpar que reuniu tantos funcionários e funcionárias do Safra e apresentamos nossa campanha de sindicalização, destacando que os bancários são a única categoria do país que tem uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) a nível nacional”, pontuou Claudio Merçon (Cacau), diretor do Sindibancários/ES.
O diretor de Saúde e Condições de Trabalho, Ronan Teixeira, apresentou os dados sobre o adoecimento mental da categoria. “De acordo com os dados do INSS de 2024 foram mais de 470 mil trabalhadores afastados por adoecimento mental e 25% desses trabalhadores são da categoria bancária. Esse dado é realmente alarmante. O adoecimento mental na categoria bancária é uma situação epidêmica e pra gente superar é fundamental olhar pra situação de forma coletiva, pensar o cuidado e a saúde de forma coletiva, não encarar o adoecimento como individual”, explicou.
Ronan também apresentou alguns dados da pesquisa realizada pelo sindicato em parceria com o Departamento de Psicologia da UFES, em que mais de 67% dos bancários respondentes afirmaram já ter se afastado por questões de saúde mental e que atualmente fazem acompanhamento psiquiátrico e uso de medicamento psiquiátrico. Além disso, 80% dos participantes também afirmaram que não atingir as metas estabelecidas pelo banco lhe causam ansiedade, uma vez que aumenta o risco de ser deslocado para outro local de trabalho, de ter que fazer outras tarefas ou ainda perder chances de receber promoções no trabalho. Entre os bancários e bancárias que participaram da pesquisa, 38% disseram que sentem que conseguem ser produtivos somente porque fazem uso de medicamentos para controlar ansiedade, depressão e/ou insônia.
Ao final do encontro, os dirigentes sindicais aproveitaram a oportunidade para cobrar do banco e falar com os trabalhadores e trabalhadoras sobre a importância de as homologações dos funcionários serem realizadas em conjunto com o sindicato.

