Sindicato critica Bradesco por impor agências sem caixas

13/03/2020 15:51

Política do banco quer extinguir a função de caixa; muitos já são obrigados a exercer dupla função e cobrados por metas. Agências de Jardim América e Itaparica estão passando por esse processo

Se você é do tempo em que agência bancária obrigatoriamente tinha a presença do caixa, atenção: os bancos estão querendo acabar com essa função. Itaú, Santander e Bradesco – os três maiores bancos privados do país – vêm impondo esse novo modelo de agência, alegando que as mudanças acompanham a modernidade.

A exclusão dos caixas foi o motivo da reunião dessa quinta-feira, 12, entre diretores do Sindicato dos Bancários/ES e o gerente regional do Bradesco, Ricardo André Kuczynski. O Sindicato criticou a política do banco. O diretor do Sindicato, Fabrício Coelho, que participou da reunião ao lado do representante da Fetraf RJ/ES, Ricardo Rios Cravo, apresentou como exemplos concretos os casos das agências Jardim América, em Cariacica, que já está funcionando sem caixas, e em Vila Velha, a de Itaparica, que estaria seguindo o mesmo caminho.

Kuczynski negou que as mudanças no Bradesco em relação à extinção da função de caixa sigam, por exemplo, o mesmo modelo do Santander, que vem apostando forte no modelo de agência sem caixa. Ele justificou que essa não é uma política do banco, mas que as mudanças estariam sendo adotadas pontualmente em agências que não apresentam demanda e cujos clientes se enquadram no perfil. “Quando ele disse ‘perfil’, quis se referir hipoteticamente a clientes que não sentiriam falta do atendimento humano do caixa”, explicou Fabrício. “O banco, na verdade, quer impor o modelo na marra”, completou.

No entendimento do Sindicato, é função do banco garantir o atendimento humano e com segurança a clientes e usuários. O dirigente sindical também questionou o gerente regional sobre a imposição do banco em colocar os caixas em dupla função. “O empregado é deslocado para o atendimento gerencial e quando, eventualmente, surge a demanda, retorna para o caixa. No final das contas, ele é cobrado da mesma maneira sobre o cumprimento de metas, independentemente de estar exercendo duas funções”. Fabrício acrescentou que o Sindicato tem recebido denúncias anônimas de empregados que estão acumulando a função de caixa e sofrendo pressão por metas.

Sobre as denúncias, Kuczynski prometeu apurar. Ele afirmou que essa não é uma política do banco. O Sindicato insistiu que a imposição de metas chega a ser desumana com o empregado. “O regional anterior chegava a fazer três videoconferências diárias com os gerentes, cobrando metas de manhã, no meio do dia e no final da tarde. É uma pressão cruel com o empregado”, protesta Fabrício. Kuczynski disse que reduziu as videoconferências, mas o Sindicato avisou que continuará acompanhando de perto esse tipo de pressão por metas.

Com relação à extinção de caixas, o Sindicato orienta que os empregados não aceitem o acúmulo de função e tampouco sigam a recomendação dos bancos de convencerem os clientes a procurar o serviço em outras agências ou correspondentes bancários. “Aceitar essa imposição do banco de extinguir caixas e restringir o atendimento a clientes e usuários reforça essa política que só favorece o banco. Perdem clientes e usuários com a desumanização do atendimento e os empregados, com as demissões e a sobrecarga de trabalho”, protestou Fabrício Coelho.