Dirigentes do Sindicato dos Bancários/ES realizaram um ato na manhã desta terça-feira (10) no Palas Center para denunciar as arbitrariedades, o desrespeito e a violação de direitos que marcam a gestão dos últimos sete anos do Banestes sob o comando de Amarildo Casagrande. Além de não dialogar com o Sindicato sobre as demandas da categoria, como o PCS, Amarildo Casagrande avança com as demissões sem justa causa. Nos três últimos meses, quatro bancários e bancárias foram demitidos sumariamente sem nenhum direito à defesa.
Nas cartas de demissões enviadas aos funcionários, os motivos apresentados pelo banco só referendam o quão abusivas foram as dispensas. As quatro demissões foram baseadas em avaliações subjetivas de comportamento e conduta dos bancários e das bancárias, argumentos que são juridicamente questionáveis.
Durante o ato, a dirigente do Sindibancários/ES Vanessa Espindula denunciou que até mesmo as normas previstas no Manual de Conduta Ética e no Manual Interno de Recursos Humanos estão sendo totalmente desconsideradas. Nem sequer o Conselho de Conduta Ética do banco foi acionado para avaliar as eventuais “condutas indevidas” dos bancários demitidos.

Vanessa Espindula
“Não vamos aceitar essa gestão baseada na imposição do medo, na vigilância em excesso, em ameaças, assédio e cobrança abusiva de metas. Os motivos das demissões são questionáveis. Em nenhum dos casos houve abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e o Sindicato já está tomando as medidas cabíveis”, denunciou Vanessa Espindula.
As demissões sem justa causa são o ápice de uma gestão marcada pela intransigência, por assédio, sobrecarga de trabalho e adoecimento dos bancários. A diretora do Sindicato orienta os bancários a denunciarem ao Sindicato qualquer situação de assédio ou ameaça de demissão. As denúncias podem ser anônimas por meio do Canal de Denúncias do Sindicato (em novo.bancarios-es.org.br/) ou por meio do telefone 3331-9999
PCS
A demissão sem justa causa é um dos 17 pontos do Plano de Cargos e Salários (PCS) considerados graves e criticados pelo Sindicato. Durante o ato, os dirigentes sindicais também criticaram a falta de transparência e a intransigência da direção do Banestes que ainda não deu retorno às críticas apresentadas pelo Sindicato.
Na reunião presencial de outubro do ano passado, a assessoria jurídica e técnica do Sindicato apontou os principais problemas do PCS proposto pelo Banestes. Entretanto, a direção do Banestes, sem dar devolutiva ao Sindicato, decidiu deliberadamente anunciar a implantação do plano para 15 de março.
Além da demissão sem justa causa, não há resposta do Banestes para questões críticas do PCS como aumento de funções comissionadas; enquadramento funcional; critérios de progressão (mérito e antiguidade) e progressão atrelada ao resultado do banco. Em ofício enviado no dia 27 de fevereiro último, o Sindicato cobrou da direção do Banestes um posicionamento sobre todos os 17 pontos críticos apresentados.
“Desde maio do ano passado apresentamos à direção do Banestes os principais pontos do PCS que são prejudiciais aos bancários. Somente em outubro a direção se dispôs a conversar com o Sindicato, e nós reiteramos todas as críticas, destacando os cinco mais graves. A demissão imotivada é um desses pontos e já está sendo adotada antes mesmo da implantação do PCS. Até o momento o Banestes sequer respondeu aos nossos questionamentos e não sinaliza que irá nos ouvir. Amarildo Casagrande quer implantar um PCS que atenda aos interesses do setor privatista, e não dos funcionários”, enfatiza o diretor do Sindibancários/ES Marcelo Giacomin.
Caso o Banestes confirme a implantação do PCS em 15 de março, o Sindicato orienta os bancários e as bancárias a não aderirem ao plano até que seja feita a análise técnico-jurídica da assessoria do Sindicato que irá identificar se foram feitas as alterações propostas para garantir um PCS digno, que valorize os empregados e as empregadas do Banestes e que não ameace os direitos conquistados.
Privatização
O ato também foi momento de mobilização em defesa do Banestes público e estadual. O dirigente Carlos Pereira de Araújo (Carlão) alertou sobre a aproximação do período eleitoral e a necessidade de eleger um governador comprometido com essa pauta.
“Estamos nessa resistência e luta em defesa do Banestes público e estadual há mais de 30 anos. Os bancários do Banestes são os guardiões desse patrimônio dos capixabas. Estamos entrando em um momento político delicado, de sucessão de governo, e precisamos garantir que os candidatos assinem previamente o termo de compromisso em defesa do Banestes público e estadual. Quanto maior o lucro, maior a pressão dos financiadores de campanha para vender o Banestes. Sabemos quem está por trás disso: banqueiros e grandes empresários. Por isso é fundamental a coesão e união de todos e todas funcionários”, enfatizou Carlão.
*Fotos: Gilson Borba


“Desde maio do ano passado apresentamos à direção do Banestes os principais pontos do PCS que são prejudiciais aos bancários. Somente em outubro a direção se dispôs a conversar com o Sindicato, e nós reiteramos todas as críticas, destacando os cinco mais graves. A demissão imotivada é um desses pontos e já está sendo adotada antes mesmo da implantação do PCS. Até o momento o Banestes sequer respondeu aos nossos questionamentos e não sinaliza que irá nos ouvir. Amarildo Casagrande quer implantar um PCS que atenda aos interesses do setor privatista, e não dos funcionários”, enfatiza o diretor do Sindibancários/ES Marcelo Giacomin.