
Dentro da sessão ordinária desta quarta-feira, 03, na Câmara de Vitória, o Sindicato dos Bancários/ES, na condição de coordenador do Comitê em Defesa do Banestes Público e Estadual, usou a tribuna livre para denunciar a privatização da Banestes Seguros. O espaço na Casa foi aberto pelo vereador Dalton Neves. Em sua fala, o diretor do Sindicato Jonas Freire (foto acima) apontou por que a privatização da Banestes Seguros é um péssimo negócio para o Estado do Espírito Santo e para a população capixaba.
O dirigente explicou aos vereadores e aos populares presentes à sessão, que o processo foi açodado desde o início. Ele contou que os funcionários foram surpreendidos com o anúncio da venda da seguradora. “O Sindicato ficou sabendo que o Banestes estava contratando uma empresa para fazer a avaliação da seguradora por meio do comunicado que o banco fez ao mercado, que é obrigatório. Mas em nenhum momento a direção do banco se preocupou em conversas com os empregados para explicar os motivos que levaram o Banestes a tomar a decisão de negociar um dos seus ativos mais valiosos”.
Sindicato pediu explicações ao Banestes
Jonas afirmou que partiu do Sindicato a iniciativa de exigir uma reunião com a direção do banco para entender o que estava acontecendo. “Como foram pegos de surpresa, todos os funcionários ficaram muito apreensivos, temendo demissões. Na reunião com o presidente do Banestes, Amarildo [Casagrande] garantiu que não haveria demissões. Mas qual a garantia que se tem quando a nova empresa que vai eventualmente assumir os funcionários é controlada pela iniciativa privada?”, questionou.
A par do processo, continuou Jonas, o Sindicato entendeu que a intenção do Banestes era de fato privatizar a seguradora, transferindo todos os seus ativos para uma nova empresa que seria constituída com participação majoritária da iniciativa privada. “O governo pode chamar de parceria ou sociedade, mas isso nós conhecemos como privatização”.
Ele ainda criticou a rapidez do negócio. Segundo Jonas, o processo iniciado em julho foi todo atabalhoado. O dirigente diz que entre cancelamentos e anúncios de novos comunicados ao mercado, um diretor caiu. “Isso mostra como o processo foi atropelado”. A confirmação da empresa que irá fazer a avaliação da seguradora, Banco Genial, só saiu em 13 de outubro.
“A informação que corre dentro da seguradora é de que o negócio tem de ser fechado até 30 de novembro deste ano. Ora, independentemente dos que se manifestam contra ou a favor da privatização, não é aceitável vender uma empresa pública com meio século de existência, de reputação consolidada, lucrativa, que lidera o mercado capixaba de seguros em vários segmentos, em 30 dias. Estamos usando o espaço da Câmara para denunciar à classe política, aos movimentos populares e especialmente ao povo capixaba, que esse negócio, só pela falta de transparência e açodamento injustificável, deve ser imediatamente abortado”, advertiu o dirigente.
Repercussão
O vereador Dalton Neves, ao final da fala de Jonas, apontou que a população capixaba, sobretudo a mais humilde, vem sofrendo com o fechamento de agências. Ele lembrou que o Banestes é o único banco presente nos 78 municípios capixabas. Sobre a venda da seguradora, Dalton disse que não se trata de parceria, mas de uma privatização. Ele ainda perguntou ao dirigente sindical se houve transparência no processo, e se a seguradora tem apresentado resultados positivos ou prejuízos.
Jonas reafirmou que o processo foi todo velado. “Não houve esclarecimento da operação para os 86 funcionários da seguradora e tampouco para a população capixaba”. Sobre os resultados da seguradora, o dirigente afirmou, com base nos dados oficiais da própria empresa, que a Banestes Seguros, nos últimos cinco anos, lucrou, em média, R$ 18 milhões. Ele destacou que 10% são repassados ao Estado, único acionista da seguradora. “Os dividendos gerados pela seguradora são investidos em ações sociais do Governo, ou seja, é um dinheiro que retorna para a sociedade”, pontuou Jonas.
A vereador Camila Valadão também criticou o plano do Governo do Estado de vender a seguradora. “Não vamos aceitar essa parceria disfarçada de privatização”. Ela acrescentou que o banco público tem uma função social fundamental para o desenvolvimento econômico do Estado. Camila, repercutindo os argumentos apresentados pelo dirigente sindical, destacou a liderança e os resultados positivos da seguradora. “O discurso econômico não justifica [a privatização]”. A vereadora acrescentou que, do ponto de vista social, a privatização se justifica ainda menos.
No final, Jonas agradeceu o espaço e pediu o apoio e a adesão dos vereadores e das vereadoras da Câmara ao Comitê em Defesa do Banestes Público e Estadual.
(Fotos capa e interna: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)






