Sindicato fala contra privatização da Banestes Seguros na Câmara de Colatina

30/11/2021 13:51

Entidade falou em nome do Comitê em Defesa do Banestes Público e Estadual e criticou privatização camuflada de parceria, pedindo apoio dos parlamentares para manutenção da Banestes Seguros como subsidiária pública do Banestes

Diretor Jonas Freire fala em defesa da Banestes Seguros na Câmara Municipal de Colatina

Diretor Jonas Freire fala em defesa da Banestes Seguros na Câmara Municipal de Colatina. Fotos: Sérgio Cardoso

Representando o Comitê em Defesa do Banestes Público e Estadual, o Sindicato dos Bancários/ES ocupou na noite desta segunda-feira, 29, a Tribuna Livre da Câmara Municipal de Colatina para falar aos vereadores e à população local sobre a ameaça de privatização da Banestes Seguros (Banseg). 

O diretor do Sindicato Jonas Freire contextualizou os vereadores sobre os prejuízos que uma possível venda da seguradora trará ao Sistema Financeiro Banestes e aos capixabas. Para o diretor, o que o banco vem chamando de “parceria” só tem um nome: privatização. 

A chamada parceria trata-se, na verdade, da constituição de uma nova empresa, cujo capital será 51% privado, com a qual a Banestes Seguros deverá se associar. “No entanto, a Banseg levará para essa empresa seu balcão de negócios, sua estrutura, produtos, e ao que parece irá usar toda a rede e estrutura do Banestes, inclusive seu nome e sua credibilidade. Ou seja, teremos um patrimônio público com mais de 80 anos de história, como o Banestes, e sua seguradora utilizados em benefício do setor privado, e para nós isso é privatização”, enfatizou Jonas. 

Bancários e securitários do Banestes compareceram à sessão para acompanhar Tribuna Livre e manifestar apoio ao Comitê

Bancários do Banestes compareceram à sessão para acompanhar Tribuna Livre e manifestar apoio ao Comitê

Jonas também criticou a falta de diálogo do banco e do Governo estadual e externou preocupação com os empregados da seguradora. “Apesar do pedido de audiência, o governador sequer nos recebeu. Antes da agenda com o Sindicato, o presidente do banco, Amarildo Casagrande, se reuniu com os securitários. Quando perguntado sobre o emprego e os direitos trabalhistas dos empregados, disse que não poderia dar garantias. Muitos ficaram atordoados”, lamentou o diretor. “Já na reunião com os representantes sindicais, o presidente afirmou que não haveria perda de direitos, mas não temos certeza de que essa promessa  se concretizará”, completou Jonas. 

Posição divergente

Durante sua exposição, Jonas destacou a contradição do governo e da direção do banco ao tratar da Seguradora, contrapondo afirmações feitas em março, por ocasião do aniversário de 50 anos da empresa, e agora, para justificar a privatização. 

Na comemoração dos 50 anos da seguradora, o Governador Renato Casagrande afirmou que “a Banestes Seguros é um ativo capixaba que está em constante crescimento, o que contribui para a economia do Estado”. Disse ainda que a Banestes Seguros é “uma empresa sólida, que tem alcançado excelentes resultados”, e que “os 50 anos são uma prova dos bons frutos que a instituição vem gerando, sempre próxima dos seus clientes, o que se reflete como um ganho para toda a sociedade capixaba”. O depoimento foi lido na íntegra por Jonas durante a sessão. 

Na mesma ocasião, a fala do presidente do Banestes confirmou os bons rendimentos da empresa. “A Banestes Seguros  possui grande relevância para o mercado capixaba, e é uma empresa que vem se modernizando, mostrando toda sua capacidade de adequação, mesmo diante dos cenários mais desafiadores. Seus resultados têm grande relevância para o Sistema Financeiro Banestes”, disse Jonas, citando Amarildo Casagrande. 

“O que ouvimos do presidente do banco em agosto foi o oposto, que o banco não tinha dinheiro para investir, que a empresa era ultrapassada e quase inviável. É no mínimo contraditório e nos leva a questionar os interesses da privatização. Queremos saber o que mudou”, questionou Jonas. 

Estudo aponta resultados promissores

Estudo técnico contratado pelo Comitê Em Defesa do Banestes reforça a solidez da Banestes Seguros indicando que a empresa possui uma carteira totalmente saneada e rentável. Além disso, o resultado do quarto trimestre deve superar o do terceiro e as perspectivas para 2022 são ainda mais promissoras.

A Banestes Seguros é líder em seguros de pessoas no mercado capixaba e está entre as cinco primeiras nos seguros de autos e residencial. Além disso, lucrou em média R$ 18,2 milhões ao ano nos últimos cinco anos, valor que, na média,  representa 10% do lucro do Banestes.

Privatização enfraquece Banestes

Para o Comitê, vender a seguradora só vai enfraquecer o Sistema Financeiro Banestes e deixar o banco mais perto da privatização. 

“A gente precisa ter zelo pela coisa pública, que tem que ser bem administrada e cumprir um papel social, e o Banestes cumpre. Chega em um município onde o Banestes é o único banco, com Jerônimo Monteiro ou Mucurici, e pergunta a importância que o banco tem para essas comunidades. É um patrimônio essencial e vender a seguradora só vai enfraquecê-lo”, conclui Jonas, reiterando o pedido de apoio dos vereadores para a luta contra a privatização. 

Vale destacar que o banco do Estado é o único presente em todos os municípios capixabas e tem papel essencial nas periferias das grandes cidades e em muitas pequenas cidades. Em 25% dos municípios do Espírito Santo só tem Banestes. Além disso, o banco gera mais de 2 mil empregos diretos e outros 2 mil indiretos. Seu lucro é reinvestido na economia capixaba e em políticas públicas para a população.

Resposta positiva

O espaço na Tribuna Livre foi aberto pelo presidente da Câmara, Jolimar Barbosa da Silva (PL), e a intervenção do Comitê foi bem recebida pelos vereadores, que demonstraram preocupação com a venda da seguradora. Imediatamente, ao menos três parlamentares — Ângelo Stelzer Neto (DEM); Marlúcio Pedro Nascimento (Cidadania) e Miguel Chieppe (Republicanos) — manifestaram apoio à campanha em defesa da Banestes Seguros.