
Diretor Jonas Freire fala em defesa da Banestes Seguros na Câmara Municipal de Colatina. Fotos: Sérgio Cardoso
Representando o Comitê em Defesa do Banestes Público e Estadual, o Sindicato dos Bancários/ES ocupou na noite desta segunda-feira, 29, a Tribuna Livre da Câmara Municipal de Colatina para falar aos vereadores e à população local sobre a ameaça de privatização da Banestes Seguros (Banseg).
O diretor do Sindicato Jonas Freire contextualizou os vereadores sobre os prejuízos que uma possível venda da seguradora trará ao Sistema Financeiro Banestes e aos capixabas. Para o diretor, o que o banco vem chamando de “parceria” só tem um nome: privatização.
A chamada parceria trata-se, na verdade, da constituição de uma nova empresa, cujo capital será 51% privado, com a qual a Banestes Seguros deverá se associar. “No entanto, a Banseg levará para essa empresa seu balcão de negócios, sua estrutura, produtos, e ao que parece irá usar toda a rede e estrutura do Banestes, inclusive seu nome e sua credibilidade. Ou seja, teremos um patrimônio público com mais de 80 anos de história, como o Banestes, e sua seguradora utilizados em benefício do setor privado, e para nós isso é privatização”, enfatizou Jonas.

Bancários do Banestes compareceram à sessão para acompanhar Tribuna Livre e manifestar apoio ao Comitê
Jonas também criticou a falta de diálogo do banco e do Governo estadual e externou preocupação com os empregados da seguradora. “Apesar do pedido de audiência, o governador sequer nos recebeu. Antes da agenda com o Sindicato, o presidente do banco, Amarildo Casagrande, se reuniu com os securitários. Quando perguntado sobre o emprego e os direitos trabalhistas dos empregados, disse que não poderia dar garantias. Muitos ficaram atordoados”, lamentou o diretor. “Já na reunião com os representantes sindicais, o presidente afirmou que não haveria perda de direitos, mas não temos certeza de que essa promessa se concretizará”, completou Jonas.
Posição divergente
Durante sua exposição, Jonas destacou a contradição do governo e da direção do banco ao tratar da Seguradora, contrapondo afirmações feitas em março, por ocasião do aniversário de 50 anos da empresa, e agora, para justificar a privatização.
Na comemoração dos 50 anos da seguradora, o Governador Renato Casagrande afirmou que “a Banestes Seguros é um ativo capixaba que está em constante crescimento, o que contribui para a economia do Estado”. Disse ainda que a Banestes Seguros é “uma empresa sólida, que tem alcançado excelentes resultados”, e que “os 50 anos são uma prova dos bons frutos que a instituição vem gerando, sempre próxima dos seus clientes, o que se reflete como um ganho para toda a sociedade capixaba”. O depoimento foi lido na íntegra por Jonas durante a sessão.
Na mesma ocasião, a fala do presidente do Banestes confirmou os bons rendimentos da empresa. “A Banestes Seguros possui grande relevância para o mercado capixaba, e é uma empresa que vem se modernizando, mostrando toda sua capacidade de adequação, mesmo diante dos cenários mais desafiadores. Seus resultados têm grande relevância para o Sistema Financeiro Banestes”, disse Jonas, citando Amarildo Casagrande.
“O que ouvimos do presidente do banco em agosto foi o oposto, que o banco não tinha dinheiro para investir, que a empresa era ultrapassada e quase inviável. É no mínimo contraditório e nos leva a questionar os interesses da privatização. Queremos saber o que mudou”, questionou Jonas.
Estudo aponta resultados promissores
Estudo técnico contratado pelo Comitê Em Defesa do Banestes reforça a solidez da Banestes Seguros indicando que a empresa possui uma carteira totalmente saneada e rentável. Além disso, o resultado do quarto trimestre deve superar o do terceiro e as perspectivas para 2022 são ainda mais promissoras.
A Banestes Seguros é líder em seguros de pessoas no mercado capixaba e está entre as cinco primeiras nos seguros de autos e residencial. Além disso, lucrou em média R$ 18,2 milhões ao ano nos últimos cinco anos, valor que, na média, representa 10% do lucro do Banestes.
Privatização enfraquece Banestes
Para o Comitê, vender a seguradora só vai enfraquecer o Sistema Financeiro Banestes e deixar o banco mais perto da privatização.
“A gente precisa ter zelo pela coisa pública, que tem que ser bem administrada e cumprir um papel social, e o Banestes cumpre. Chega em um município onde o Banestes é o único banco, com Jerônimo Monteiro ou Mucurici, e pergunta a importância que o banco tem para essas comunidades. É um patrimônio essencial e vender a seguradora só vai enfraquecê-lo”, conclui Jonas, reiterando o pedido de apoio dos vereadores para a luta contra a privatização.
Vale destacar que o banco do Estado é o único presente em todos os municípios capixabas e tem papel essencial nas periferias das grandes cidades e em muitas pequenas cidades. Em 25% dos municípios do Espírito Santo só tem Banestes. Além disso, o banco gera mais de 2 mil empregos diretos e outros 2 mil indiretos. Seu lucro é reinvestido na economia capixaba e em políticas públicas para a população.
Resposta positiva
O espaço na Tribuna Livre foi aberto pelo presidente da Câmara, Jolimar Barbosa da Silva (PL), e a intervenção do Comitê foi bem recebida pelos vereadores, que demonstraram preocupação com a venda da seguradora. Imediatamente, ao menos três parlamentares — Ângelo Stelzer Neto (DEM); Marlúcio Pedro Nascimento (Cidadania) e Miguel Chieppe (Republicanos) — manifestaram apoio à campanha em defesa da Banestes Seguros.

