Sindicato faz ato contra terceirização no Santander

16/04/2025 15:56

Nas primeiras horas da manhã desta quarta (16), dirigentes do Sindicato se concentraram na Superintendência Regional do Santander, na Reta da Penha, Vitória, para denunciar as contratações fraudulentas do banco

Dirigentes do Sindicato dos Bancários/ES se concentraram em frente à Superintendência Regional do Santander, na Reta da Penha, Vitória, em protesto ao processo de terceirização do banco. O Santander tem adotado uma prática fraudulenta de contratações. O banco demite o bancário para contratar os trabalhadores por meio de empresas coligadas do grupo. Muitas vezes os próprios bancários são recontratados por meio de subsidiárias do banco, mas sem os direitos e garantias conquistados pela categoria bancária. 

“O Sindicato está aqui hoje para denunciar a prática de terceirização e os abusos na contratação fraudulenta do Santander. Isso traz muitos prejuízos para a categoria e os clientes. O objetivo do banco é a retirada de direitos previstos na nossa Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), a única nacional no Brasil. Para os clientes, os prejuízos também são enormes, pois eles deixam de ser atendidos efetivamente por bancários, e passam a ser atendidos por terceirizados. A prática do Santander abre precedente para que outros bancos façam o mesmo, o que vai decretar o fim da nossa categoria”, afirmou o dirigente do Sindicato Cláudio Merçon (Cacau), que também integra a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander. 

Fechamento de agências e postos de trabalho
De 2019 a 2023, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), os bancos fecharam 27 mil postos de trabalho no Brasil, encolhendo o número de bancários de 455 mil para 428. Estranhamente, o Santander, apesar de ter fechado 272 agências nesse período, anunciou que o número de funcionários cresceu. Chamou atenção o fato de o Santander ter reduzido as despesas com pessoal em 22% no banco e aumentado as mesmas despesas em 126% nas controladas e coligadas do grupo. “A explicação para essa discrepância é simples: o Santander está terceirizando sua própria força de trabalho, ou seja, os bancários”, explicou Cacau.

O dirigente acrescenta que empresas como a F1rt, CNAE e Tools contratam esses trabalhadores, mas sem os direitos previstos na CCT e no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da categoria bancária. Os dados atualizados apontam que 54% dos funcionários têm vínculo com o banco e 46% com as demais empresas do grupo.

O dirigente lembrou que na Espanha, sede do Santander, os bancários têm mais direitos que no Brasil. “Não somos quintal de ninguém”, afirmou Cacau, destacando que 20% do lucro mundial do banco espanhol são provenientes das operações da instituição no Brasil. 

Para o diretor do Sindicato e membro do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), a terceirização no Santander está vinculada à reforma trabalhista aprovada no governo Michel Temer (2017). “O objetivo do patronato é ter uma classe trabalhadora cada vez mais explorada e sem direitos. Estamos vivendo algo próximo do modelo escravagista. Na Espanha, o Santander não faz isso, pois os trabalhadores se mobilizaram junto ao parlamento espanhol para recuperar direitos”. Carlão também comparou o que está acontecendo no Brasil com o caso mexicano, que é a bancarização sem bancários. “Isso não quer dizer que não tenham trabalhadores, mas são terceirizados e precarizados”. O Santander, afirma Carlão, “funciona como um laboratório da Fenaban [Federação Nacional dos Bancos]. Se der certo, esse modelo vai se estender aos demais bancos”, alertou.

O diretor do Sindicato também disse que o objetivo dos banqueiros é chegar ao modelo 6 X 1, ou seja, seis dias de trabalho para um de folga.  “O governo Bolsonaro tentou o tempo todo nos colocar para trabalhar aos sábados, domingos e feriados”. E acrescenta: “Nós somos referência na luta, porque os demais trabalhadores brasileiros olham para nossa categoria com a esperança de resistir a esse modelo perverso. Por isso é necessária a nossa solidariedade e mobilização, nos reconhecer como classe trabalhadora”, concluiu.

Enquanto o Santander segue com seu processo de terceirização, o lucro do banco sobe ano a ano. Em 2024, o Santander lucrou R$ 13,8 bilhões, alta de 48,6% em relação a 2023. Cerca de 90% desse lucro não fica no Brasil, vai parar principalmente nas mãos de investidores espanhóis e holandeses. “A terceirização tem um propósito central: reduzir despesas, sobretudo com pessoal, para aumentar ainda mais as margens de lucro do banco e distribuir mais dividendos para os acionistas, a maioria de fora do país”, criticou Cacau. “Temos que nos mobilizar para mantermos o emprego bancário com todos os direitos e garantias conquistados ao longo de décadas de luta. Não à terceirização. Não à precarização”, enfatizou Cacau. 

Tabela abaixo compara direitos da categoria bancária com terceirizados

Confira as fotos do ato em protesto à terceirização
(Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)