Bancários e bancárias do Banestes são convocados para plenária e assembleia virtuais nesta quinta-feira (12), a partir das 18h30, para avaliar e deliberar sobre a proposta apresentada pelo banco. A direção do Sindibancários/ES orienta os funcionários a rejeitarem a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), considerada rebaixada. Além de não avançar nas cláusulas econômicas, a proposta do Banestes não garante melhores condições de trabalho e o fim dos instrumentos de gestão adoecedores, como as metas.
“O Sindicato convoca todos e todas para nossa plenária e assembleia. Precisamos refletir sobre a proposta, que é muito rebaixada e não atende as reivindicações dos banestianos. Nossa avaliação é que o índice de reajuste é muito baixo, nosso acordo é de dois anos e no próximo ano o reajuste proposto garante apenas 0,6% de aumento real. Além disso, os banestianos acumulam perdas históricas. É absurdo. O lucro do banco cresce ano após ano e por isso o Banestes tem todas as condições financeiras para melhorar essa proposta. Nossa luta também é por mais saúde e melhores condições de trabalho. Precisamos rejeitar para melhorar. Vamos à luta juntos”, enfatiza o diretor do Sindibancários/ES, Jonas Freire.
Plenária e assembleia
A plenária tem início às 18h30 desta quinta-feira (12). Após a plenária, a partir das 20h00, os banestianos e as banestianas podem votar na assembleia virtual. A votação se encerra às 10horas da sexta-feira (13).
A plenária será on-line e realizada por meio da plataforma Zoom. Para participar da plenária, clique aqui.
Já a assembleia será realizada por meio do sistema de votação de on-line do Sindicato. Clique aqui e participe.
Na plenária, o Sindicato irá apresentar aos banestianos os principais eixos da proposta, considerada pelo banco como definitiva. A orientação do Sindicato é que os bancários e as bancárias rejeitem a proposta, uma vez que não há avanços nos eixos considerados prioritários para a categoria. “Quando analisamos a proposta do Banestes, percebemos o quanto ela está aquém da minuta aprovada pelos empregados. A proposta apresentada é tão recuada que é difícil falar em avanços. As contrapartidas do banco foram muito pontuais”, afirma o dirigente Freire.
Reivindicações centrais não avançaram
A partir da minuta de reivindicações aprovada em assembleia pelos banestianos na Conferência Estadual, alguns eixos foram considerados mais relevantes e estratégicos para a categoria. Confira a seguir os principais eixos a partir da proposta do Banestes e o que está sendo reivindicado na minuta.
Reajuste salarial
A direção do Banestes seguiu à risca a proposta da Fenaban e manteve o reajuste de 4,64% sobre os salários. Com o INPC divulgado nesta terça-feira (10) pelo IBGE, o reajuste representa um ganho real de 0,9%.
Os banestianos reivindicam o INPC mais reajuste real de 10% para mitigar as perdas históricas da categoria. A insistência da direção do Banestes em replicar o reajuste da Fenaban para os banestianos aponta a falta de vontade política do governador Renato Casagrande e da gestão de Amarildo em atender à reivindicação dos trabalhadores. O banco, entre 2018 e 2023, mais que dobrou seus resultados. O lucro de R$ 181 milhões em 2018 saltou para R$ 371 milhões em 2023 – um aumento de 105%. Apesar dos resultados recordes dos últimos anos, o Banestes se recusa a valorizar e reconhecer os esforços dos seus empregados.
O Banco do Estado do Pará (Banpará), na contramão da gestão do Banestes, antecipou a decisão da Fenaban e concedeu ganho real de 4% este ano e mais 3% para 2025. A proposta do Banpará, já aprovada por 98% da categoria, também trouxe diversos avanços nas cláusulas sociais.
Remuneração Estratégica Variável (REV)
A proposta do Banestes retirou as travas salariais do atual modelo de REV, que iam de 1,5 vez a renda mensal até 3 rendas, ampliando o teto para até 4 rendas. O Banestes, no entanto, manteve a distribuição da REV de 25% de forma linear/social e 75% proporcional.
Os trabalhadores reivindicam 100% de distribuição linear e a retirada de todas as travas. Esse seria o modelo mais indicado para reduzir o fosso da pirâmide salarial que separam os empregados com funções como gerente-geral, superintendente, assessores e diretores, que são os principais beneficiados com o modelo atual (75% proporcional e 25% linear).
Estabilidade após retorno de licença
Fica garantido ao empregado que exerce função de confiança/gratificada a estabilidade provisória na respectiva função por três meses após o retorno de afastamento previdenciário.
VA/VR
O banco propôs reajuste maior sobre os vales alimentação/refeição (VA/VR) em relação à Fenaban. O índice de 4,64% seria arredondado para 5%, ou seja, o Banestes daria mais 0,36% além da Fenaban sobre o VA/VR. Para 2025, a Fenaban definiu o reajuste real em 0,6%, o Banestes arredondou para 1%, ou seja, mais 0,4% sobre o VA/VR a partir do próximo ano. Os valores sugeridos são os seguintes: vale refeição R$ 52,23 para 22 dias; alimentação R$ 936,56.
Para se ter uma ideia do quanto a proposta do Banestes é recuada, o Banpará reajustou o VA e o VR em 22,61%. O VR passou para R$ 78,50 e o VA para R$ 1.273,00, totalizando exatos R$ 3.000,00 contra R$ 2.085,62 do Banestes. Uma diferença mensal de quase mil reais.
As diferenças a favor dos empregados do Banpará não param por aí. O banco garantiu VA/VR extra, no valor de R$ 3.000,00, pagos dois dias após a aprovação do acordo. Esse benefício extra não tem nada a ver com a 13ª VA/VR, que é paga em 30 de novembro.
Fundação Banestes
O Banestes se compromete a contribuir paritariamente até o limite de 10% da renda mensal do empregado como contribuição social à Fundação Banestes de Seguridade Social, respeitando as normas do Estatuto e Regulamento previstos na Fundação.
Banescaixa
O banco afirma que está estudando uma modalidade de plano para atender os aposentados. Este novo plano seria aparentemente mais simples e com uma mensalidade mais acessível. Ainda não há nada mais concreto sobre valores e detalhes desse novo plano para aposentados e tampouco está na proposta de ACT do banco.
Assistência odontológica
O Banestes concederá aos empregados associados ao plano de assistência odontológica o benefício de participação de 100% do valor da mensalidade do titular, limitado ao valor de R$ 50,00.
ATS
O Banestes propôs reajustar o valor do adicional por tempo de serviço (ATS) em 10,02%, que passaria de R$ 41,63 para R$ 45,80. Para efeito de comparação, o Banpará reajustou o ATS em 34%, que passa para R$ 200,00, ou seja, mais de quatro vezes o valor pago pelo Banestes, mesmo com o reajuste.
Para se ter ideia da diferença abissal que separa o valores pagos pelos dos dois bancos, um empregado do Banpará com 10 anos de banco vai receber R$ 2 mil de ATS contra R$ 450,80, já considerando os valores reajustados pelo Banestes.
13ª cesta alimentação e vale refeição
A proposta do banco incluiu o vale refeição (R$ 52,04) à razão de 22 dias, o que totaliza R$ 1.144,88, que se somam à cesta alimentação (R$ 933,35), que já era contemplada no acordo vigente.
Auxílio filhos com deficiência
Houve avanço nessa cláusula. De acordo com a proposta, os reembolsos deverão seguir as mesmas condições do auxílio creche/babá, já prevista no atual ACT. O benefício (R$ 630,42) atende a empregados e empregadas que tenham filhos com deficiência que exijam cuidados permanentes, sem limite de idade, desde que tal condição seja comprovada por atestado médico. O auxílio “filhos com deficiência” poderá ser cumulativo com o auxílio creche/babá (R$ 630,42), até o limite de 71 meses.
O valor do auxílio para filhos com deficiência fica muito distante do benefício pago aos empregados do Banpará, que reajustou o valor para R$ 2.600,00. O benefício é estendido a filhos e dependentes, sem limite de idade.
Outras cobranças não contempladas na proposta do Banestes
Na última rodada, a exemplo das dez anteriores, a comissão do Sindicato voltou a cobrar da direção do banco um posicionamento sobre o home office, considerando que o prédio da Direção Geral (Palas Center) continua com problemas de infraestrutura que comprometem as condições de trabalho dos empregados que estão retornando ao presencial. O Sindicato reiterou a manutenção do home office até que o modelo seja regulamentado e as condições de trabalho solucionadas.
Cobrou também respostas sobre plano de cargos e salários (PCS). Na mesa, a direção do Banestes tergiversou e não apresentou nenhuma resposta às demandas, confirmando, mais uma vez, o desrespeito do banco às reivindicações legitimamente aprovadas em assembleia pelos banestainos e pelas banestianas.

