O Sindicato dos Bancários/ES se reuniu na manhã desta quinta-feira, 19, com o Superintendente Regional da Caixa Econômica Federal, Denis Mendes de Melo Matias, para reforçar a reivindicação de fechamento das agências no Espírito Santo e cobrar o cumprimento das medidas preventivas contra o coronavírus enquanto as unidades continuarem em funcionamento.
O trabalho de fiscalização das agências demonstra que a Caixa não está efetivando a contento as medidas de segurança prometidas, como disponibilização de álcool em gel, máscaras e luvas, dispensa dos empregados do grupo de risco, não cobrança de metas, além da higienização adequada dos locais de trabalho e terminais de autoatendimento.
“O mais coerente é suspender o funcionamento das agências. Mas até lá, o banco tem obrigação de cumprir as medidas básicas já negociadas com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban)”, explica a diretora do Sindibancários/ES Rita Lima.
O Sindicato também cobrou a revisão urgente da decisão do banco de ampliar do horário de funcionamento em algumas agências para atendimento de clientes do chamado grupo de risco. Para o Sindicato, a decisão vai na contramão das orientações de isolamento social dadas pelas autoridades de saúde pública, expondo bancários e clientes a risco desnecessário.
“O grupo de risco inclui pessoas cuja condição de saúde, seja pela idade ou pelo histórico médico, é mais vulnerável às complicações decorrentes do vírus. Incentivar essas pessoas a ir às agências é, no mínimo, irresponsável”, critica a diretora Lizandre Borges.

Na Caixa da Glória, em Vila Velha, clientes se aglomeram ao sol aguardando atendimento. Fotos Rodrigo Gavine
Outro ponto debatido foi o procedimento de triagem nas agências, que começou a ser implantado para controlar o acesso às unidades e evitar aglomerações. O efeito, segundo a direção do Sindicato, foi contrário. “Agora temos filas enormes se formando do lado de fora e com clientes insatisfeitos. Além disso, o banco submete os próprios bancários a condições inadequadas de trabalho ao determinar que façam a triagem no exterior da agência. Tudo isso sem reduzir em nada os riscos de contaminação”, diz Borges. O Sindicato deixou claro que era inadmissível a permanência dos empregados fora da agência, solicitando retorno imediato aos seus postos de trabalho.
Matias se mostrou sensível às reivindicações, mas apontou limites para atender os pedidos do Sindicato na íntegra. Sobre os empregados que estão no grupo de risco, se comprometeu a fazer um levantamento junto aos gestores das unidades e orientar o afastamento dos mesmos. Já sobre a ampliação da limpeza nos ambientes de trabalho, disse que checará com o setor responsável (Representação de Logística – RELOG) se a jornada das equipes de limpeza terceirizadas permitem o reforço desse trabalho. Afirmou ainda que vai orientar os gestores das agências a procurarem farmácias de manipulação autorizadas para produzir álcool gel nos locais onde produto estiver em falta.
Em relação à suspensão do horário especial para atender o grupo de risco, se comprometeu a sugerir à direção da Caixa uma mudança na sistemática de atendimento, fazendo agendamentos pré-estabelecidos para evitar aglomeração.
Prioridade é fechar agências
O Sindicato dos Bancários/ES ratifica que continua atuando no sentido de suspender o funcionamento de todas as agências bancárias, públicas e privadas, e que esta é a prioridade neste momento para garantir a contenção da Convid-19. Além das intervenções junto à direção da Caixa, o Sindicato já oficiou o Governo do Estado e outras autoridades públicas, e aguarda um posicionamento formal.
“Pedimos aos bancários que, enquanto isso, denunciem situações de exposição a risco, assédio moral ou descumprimento das orientações da Organização Mundial de Saúde, Ministério da Saúde e Secretaria Estadual de Saúde. O Sindicato já se posicionou publicamente e segue intervindo junto aos gestores dos bancos, ao Ministério Público e ao Governo do Estado. Estamos acompanhando as negociações nacionais com a Fenaban e fiscalizando os locais de trabalho para fazer as denúncias necessárias. Precisamos continuar lutando juntos para que a garantia de vida prevaleça sobre a ganância dos banqueiros”, conclui a diretora Rita Lima.


