Caixa: Sindicato questiona convocação voluntária de bancários às agências

23/04/2020 10:55

Tema será pauta de reunião com Superintendente Regional do banco nesta quinta-feira, 23. Para Sindicato, Caixa quer que bancários assumam o risco de contágio por conta própria

Pouco preocupada em garantir a segurança dos bancários, a Caixa Econômica Federal publicou ontem, 22, campanha interna convocando os empregados que estão em home office a retornarem voluntariamente às agências. Com o slogan “quero atender”, o banco apela para a necessidade de atendimento à população em período de pandemia pelo coronavírus.

O Sindicato dos Bancários/ES é contra a convocação e deve tratar do tema em reunião com o Superintendente Regional da Caixa ainda nesta quinta-feira, 23. A Contraf também oficiou a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) solicitando negociação sobre a pauta.

Hoje, o contingente de empregados que se mantém trabalhando nas agências gira em torno de 30%. A convocação excetua apenas os afastados que compõem o grupo de risco e os PCD´s (pessoas com deficiência).

Pra a diretora do Sindicato Rita Lima, a convocação voluntária é uma forma de a Caixa se desresponsabilizar pelo descumprimento das determinações legais e das autoridades de saúde que orientam manter apenas um contingente mínimo de empregados no local de trabalho. “O banco quer colocar essa responsabilidade nas costas do bancário. Em última instância, quer que eles assumam o risco sobre sua saúde, num momento em que a curva de contaminação continua ascendente, aumentando o risco de contágio”, critica.

Rita chama a atenção ainda para o fato de as condições de trabalho nas agências terem se agravado com o pagamento dos programas sociais e do auxílio emergencial lançado pelo governo para atender as pessoas afetadas economicamente pelo coronavírus. As agências enfrentam, em muitas cidades, quadro descontrolado de aglomeração nas áreas externas, com filas que se estendem por quarteirões, sem qualquer apoio do poder público para organização dos clientes.

Flagrante de filas e aglomeração nas agências é cotidiano, como na agência Jacaraípe, na Serra. Foto: Sérgio Cardoso

“Precisamos fortalecer o isolamento social como forma de evitar mortes na sociedade e na categoria. É responsabilidade do empregador garantir a segurança do empregado na sua atividade profissional, e a Caixa não pode se abster disso. O banco deve adotar outras medidas de estruturação do atendimento para otimizar os pagamentos em curso sem expor a categoria a risco, como melhorar o cadastro social, fazer campanhas de mídia para informar a população e garantir pessoal especializado e equipado para organizar as filas. Nossa orientação é que os bancários não aceitem, sob nenhuma hipótese, o chamado voluntário”, pontua a diretora.