O Sindicato dos Bancários/ES cobrou da direção do Banco do Brasil explicações sobre o recente corte de dotação na Plataforma de Suporte Operacional (PSO) que atende a região da Grande Vitória. Ao todo, nove vagas de caixa foram extintas, a maioria após descomissionamento dos empregados.
Em reunião com os representantes sindicais no último dia 24, Amilcar Cassimiro Júnior, gerente da PSO Rio Janeiro (plataforma a qual a PSO Vitória está vinculada), confirmou que 6 empregados foram descomissionados com base em critério de vendas. Os outros três requereram aposentadoria e se desligaram do banco.
O corte foi criticado pelo Sindicato, em especial o parâmetro estabelecido para justificar os rebaixamentos – um indicativo, como aponta o diretor Derik Bezerra, de que para o banco o atendimento ao cliente é cada vez menos importante ante a venda de produtos.
“É absurdo que o principal critério de avaliação para comissionamento seja a venda. Como se não bastasse a reponsabilidade de lidar com numerário, o caixa ainda precisa lidar com metas muitas vezes inatingíveis”, pondera.
A crítica é reforçada pela diretora Evelyn Flores. “A gestão do BB tem se voltado cada vez mais para a cobrança de metas, levando a uma competição acirrada entre os empregados e ao aumento do adoecimento. Assim, o BB se distancia do seu papel público e se aproxima dos bancos privados”.
Os bancários descomissionados retornaram ao posto de escriturário, mas ainda poderão atuar como caixas eventualmente, recebendo apenas pelos dias de substituição.
Derik alerta que o efeito dos descomissionamentos vai além do prejuízo financeiro para os seis empregados que perderam a função. “Isso gera uma pressão maior que a habitual sobre os demais bancários que continuam comissionados. É uma gestão que se utiliza do medo para pressionar o cumprimento de metas”.
A revisão na dotação da PSO é mais um capítulo da reestruturação do Banco do Brasil, tema que foi pauta de reunião com o superintende estadual e o regional do BB na última quarta-feira, 25.
O banco tentou minimizar o impacto da reestruturação do Espírito Santo, alegando poucas mudanças em relação a outros estados da Federação. A avaliação foi contraposta pelo Sindicato, que cobrou respostas à situação dos bancários que não conseguiram fazer a opção de realocação e que serão movidos compulsoriamente. A orientação do Sindicato é que aqueles que se sentirem lesados procurem a entidade.
Correspondentes
Na oportunidade, os dirigentes sindicais também exigiram providência sobre a permanência de correspondentes bancários no interior das agências que atuam em competição com os empregados do banco. A superintendência negou qualquer tipo de anuência à essa prática, e garantiu que a atuação de correspondentes não está prevista no regulamento, sendo, portanto, irregular. Bancários e bancárias que presenciarem situação semelhante devem denunciar ao Sindicato.

