As dirigentes do Sindicato dos Bancários/ES Goretti Barone e Bethania Emerick se reuniram virtualmente com as representantes da Gepes, Daphne Graciano e Cláudia Patrícia Ribeiro, na última quinta-feira (24). Na pauta, os questionamentos ao banco giraram em torno de três pontos-chave: os impactos que o Inova vêm causando aos funcionários; a necessidade de o banco elaborar um cronograma de reforma das agências e a defasagem de bancários em relação à demanda de trabalho em algumas unidades. A Gepes acolheu as demandas e ficou de apresentar uma devolutiva ao Sindicato em uma nova reunião ainda esta semana.
Agências
Sobre a infraestrutura das agências, que tem impactos diretos sobre as condições de trabalho dos funcionários e das funcionárias, o Sindicato apontou os recentes problemas nas agências de Jaguaré, Aracruz e Santa Leopoldina. Segundo Goretti, a falta de planejamento das obras provocou um verdadeiro caos para bancários e clientes dessas duas unidades após as chuvas que caíram na primeira quinzena de outubro. “A situação ficou bastante crítica e houve morosidade para solucionar os problemas de infraestrutura”, assinalou Goretti.
Bethania acrescentou que essa morosidade se deve à redução das equipes de engenharia do BB. “ A gestão foi centralizada, houve redução do número de engenheiros para fiscalização e acompanhamento das obras, além da contratação de empresas terceirizadas. O banco não tem hoje um setor específico para dar uma resposta célere a essas demandas de infraestrutura. Aqui no Espírito Santo, por exemplo, os serviços de manutenção estão bem comprometidos por conta dessa centralização”, assinala.
As dirigentes reivindicaram que o banco crie um protocolo e um cronograma de obras. Segundo elas, essa sistematização melhoraria as condições de trabalho dos funcionários. “Não podemos admitir que os funcionários fiquem expostos a barulho e poeira de obras, trabalhando em um ambiente insalubre, que contribui para o adoecimento dos trabalhadores, expondo inclusive os clientes”, pontuou Goretti.
Defasagem no quadro
Na reunião com a Gepes, o Sindicato também chamou a atenção para a defasagem de pessoal em algumas agências. As diretoras destacaram a situação das agências de São José do Calçado, Pancas, Barra de São Francisco, Serra (Jacaraípe) e Presidente Kennedy. Goretti afirmou que essas agências estão com volume crescente de serviços. “É um volume muito além do número de funcionários que seria necessário para atender aos clientes com qualidade. Isso gera sobrecarga de trabalho e adoecimento”, apontou.
Inova
O Espírito Santo foi o estado escolhido pelo BB para ser o piloto do programa Inova. Em linhas gerais, o Inova propõe uma ampla reestruturação da rede física que passa ter uma uma nova ressignificação. O processo é muito semelhante ao dos bancos privados, que também têm promovido uma reestruturação. Bradesco, Itaú e Santander vêm fechando agências tradicionais e abrindo as chamadas unidades de negócios. O BB não fala em fechar unidades, mas o Inova chega para reestruturar o modelo tradicional de agência, com impactos diretos sobre os funcionários.
O Sindicato dos Bancários vem acompanhando atentamente a implantação do Inova e ouvindo as dificuldades dos funcionários envolvidos no processo de reestruturação. Os problemas com a implantação do programa, aliás, foi uma das pautas levadas à Gepes. “Todo processo de mudança, por si só, tende a gerar ansiedade nos trabalhadores. O Inova, em especial, carece de mais informações. Esse vácuo de informações deixa os funcionários inseguros e apreensivos”, registrou Bethania.
Goretti citou como exemplos à Gepes, a retirada dos caixas presenciais nas agências da Reta da Penha (Vitória), Glória e Itapoã (ambas em Vila Velha). Explicamos à Gepes que essas agências, em períodos de pico, têm registrado grande volume no autoatendimento. “Há uma demanda reprimida pelo serviço de caixa. De outro lado, as agências com caixas presenciais, como Centro de Vila Velha, Praia da Costa e Praia do Canto, em Vitória, têm absorvido essa demanda reprimida das agências que desativaram os caixas presenciais”, afirmou Goretti. Insistimos com a Gepes que é preciso reforçar o número de caixas nessas agências que estão registrando um grande volume de atendimento. Ao mesmo tempo, o banco tem de reativar o serviço de caixas presenciais nas unidades nas quais ficou inativo, inclusive gerando impacto na área negocial”, completou.
Problemas no orçamento
Além da desativação dos caixas, as dirigentes apontaram outros problemas decorrentes da implantação do Inova. Bethania explicou que no início de outubro foi anunciado que os orçamentos estavam errados e que nenhuma venda executada no semestre seria considerada. “Aumentaram de modo agressivo os orçamentos para o mês de outubro. Os relatos que chegaram ao Sindicato indicam que alguns itens chegaram a ter aumento de mais de 100% de setembro para outubro e mais de 50% de junho para outubro”, ressaltou.
Após diversas críticas, na reta final do mês de outubro, explicaram as dirigentes do Sindicato, o banco resolveu mudar novamente a regra: quem se “saísse bem” no último trimestre, com essa meta absurdamente maior, poderia continuar considerando a pontuação dos três primeiros meses. “Com esse aumento exponencial de metas, além da incerteza e da imprevisibilidade, o resultado foi a ansiedade e o adoecimento dos funcionários. Essa mudança de regra foi tão impactante que há relatos de colegas que passaram mal ao tomarem conhecimento das medidas”, disse Goretti, que completou: “Sem contar que há ainda uma grande ansiedade com relação ao recebimento da PLR e às avaliações de GDP”.

