Sindicato retoma negociações com Banestes com foco nas cláusulas econômicas

26/08/2022 13:50

A comissão de negociação do Sindicato discutiu com o banco demandas econômicas como reposição da inflação mais aumento real de salário. Questões como criação de um Plano de Cargos e Salários, revisão do valor anuênio também foram abordadas

A comissão de negociações do Sindicato dos Bancários/ES se reuniu nesta quinta-feira, 25, com o Banestes para retomar as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho 2022/2024. A retomada das discussões foi uma demanda do Sindicato, que criticou o banco por ter enviado a proposta por e-mail sem a discussão presencial da minuta  apresentada pelo Sindicato. Durante três horas de reunião, as tratativas se concentraram especialmente nas cláusulas econômicas. Os representantes do Banestes ficaram de avaliar as propostas do Sindicato.

Com os dados “quentinhos” em mãos do ACT fechado com o Banpará (Banco do Estado do Pará), a comissão pressionou o Banestes a atender às cláusulas econômicas independentemente do acordo que saia da negociação nacional com a Fenaban. O diretor do Sindicato Jonas Freire afirma que o Banestes insiste em alinhar sua proposta à da Fenaban.

“Não existe essa regra. O Banestes tem total autonomia e fôlego financeiro para atender às nossas reivindicações. Nossa proposta pede a reposição da inflação mais aumento real de 5%”, aponta Jonas.

Ele compartilhou com a mesa que o Banpará concedeu reajuste de 13% (a inflação pelo INPC projetada para o final de agosto é de 8,88%), reajuste de 20% para os vales refeição e alimentação e PLR social de 5% do Lucro líquido distribuído sem limite de valor a todos os empregados.

O diretor do Sindicato Idelmar Casagrande, que também compõe a comissão, lembra que o lucro do Banestes em 2021, de R$ 251 milhões, foi mais que o dobro no comparativo com o do Banpará (R$ 120 milhões). O dirigente acrescenta ainda que os resultados do primeiro semestre deste ano abrem uma margem ainda maior no comparativo dos lucros entre os dois bancos estaduais: o Banestes fechou o semestre com R$ 182 milhões contra R$ 77,6 milhões do Banpará.

“Com lucro recorde nos últimos anos, não há justificativa para o Banestes não atender às nossas reivindicações. Se pegarmos os lucros dos dois bancos em 2021 e dividirmos pelo número de funcionários, o Banestes teria uma média de R$ 106 mil por funcionário contra R$ 46 mil do Banpará. Esse dado comparativo ajuda a entender que a decisão de atender ou não as reivindicações do trabalhador é muito mais de caráter político. Falta boa vontade. Dinheiro tem de sobra”, afirma Idelmar.

Revisão do teto da REV

Ainda com relação às cláusulas econômicas, o Banestes se propôs a rever o teto da Remuneração Estratégica Variável (REV), que hoje está limitado a um salário e meio por funcionário. Jonas explica que o banco demonstrou disposição de rever o teto da REV, mas ainda não apresentou uma proposta concreta sobre o assunto. O dirigente afirmou que assim que houver uma posição do banco, a proposta será discutida com os funcionários.

A REV, explica Idelmar, é calculada com base no excedente projetado pelo banco para um exercício. “50% desse resultado excedente são distribuídos entre os funcionários, respeitando o limite de um salário e meio. A informação que temos é que após esse rateio, o valor do excedente nunca é atingido, ou seja, sobra dinheiro no caixa do banco e o funcionário acaba recebendo menos porque está limitado ao teto. Esse mecanismo precisa ser revisto para garantir uma distribuição mais justa”, pontua o dirigente.

Anuênio defasado

A reivindicação de um Plano de Cargos e Salários (PCS), aumento do abono assiduidade de quatro para cinco dias, além da revisão do valor do Adicional por Tempo de Serviço, também conhecido como anuênio, foram outros pontos debatidos com o Banestes.

Mais uma vez usando o ACT firmado com o Banpará como referência, ldelmar apontou que os funcionários do banco estadual paraense conseguiram aumentar o anuênio de R$ 119 para R$ 142. “Aqui, o Banestes regateia para aumentar o anuênio que gira em torno de R$ 36”.

Jonas reforçou que todos esses dados comparativos confirmam a defasagem das remunerações dos funcionários do Banestes com outros bancos. “Estamos fazendo o comparativo com o Banpará porque é um banco público mais ou menos do porte do Banestes, mas se compararmos com outros bancos constataremos que ano a ano essa defasagem tem aumentado. É importante que os banestianos e as banestianas percebam essas perdas e se mobilizem para nos ajudar a pressionar a direção do Banestes nesta reta final das negociações”, salientou Jonas.

Em relação à Banescaixa, o Banestes confirmou uma reunião mais para o final da próxima semana para discutir os problemas do plano de saúde com o Grupo de Trabalho.