O Sindicato dos Bancários percorreu na manhã desta sexta-feira, 7, agências do Banco do Brasil do município da Serra conversando com os funcionários e clientes sobre a reestruturação imposta pela direção da instituição e o Programa Inova Varejo. Os diretores do Sindicato estiveram nas agências Carapina, Serra Sede, Jacaraípe e Laranjeiras. Ouviram as preocupações de clientes e funcionários com as medidas adotadas pelo banco.

“Sentimos a importância do acolhimento, os bancários têm necessidade de serem ouvidos e percebemos que a situação está precária nos locais de trabalho”, afirmou Goretti Barone, diretora do Sindicato. “Tudo começou com o Inova, depois veio a reestruturação, isso sem falar nas metas. A gente está fazendo essas reuniões nas agências para ouvir os bancários e dialogar com os clientes para que entendam o motivo da demora no atendimento”, afirmou Bethânia Emerick, também diretora da entidade.

Extinção dos caixas

Entre as iniciativas da atual reestruturação está a extinção da função de caixa. A proposta não está sendo bem recebida pelos clientes. “Com os caixas na agência, a gente já passa sufoco, ainda mais sem. Eu sempre preciso de ajuda; não só eu, a maior parte dos idosos. Não concordo com essa ideia”, afirmou Ananinas Rocha, de 69 anos, surpreendido com a informação. Cleria de Moura, 70 anos, também não sabia que a intenção do BB é acabar com a função de caixa e não gostou da medida. “Eu sempre dependo de ajuda, porque não entendo muito de tecnologia. Se acabar com os caixas, eu cancelo tudo aqui”, disse ela.

Do ponto de vista dos trabalhadores, a reestruturação também está trazendo problemas. “O volume de trabalho aumentou. Não há um dia em que não estoura o limite de tempo de atendimento. Temos que atender rápido e fazer negócio. Nós somos braço do governo federal, absorvemos tudo que outros bancos não fazem”, afirmou um funcionário que preferiu não se identificar.

A carência de funcionários foi outro problema encontrado pelos diretores do Sindicato. Nas agências Laranjeiras e Jacaraípe, a situação piorou muito com o fechamento de agências do Santander e Bradesco, respectivamente, que ficavam ao lado do BB. “A falta de funcionários é visível. As pessoas esperam mais de uma hora para serem atendidas. Tanto em Jacaraípe quanto Laranjeiras, o volume no Banco do Brasil triplicou. Então a gente precisa questionar o BB: qual o critério para a redução de funcionários? O que o banco está pensando em relação aos clientes? Está cada vez mais evidente a falta de respeito com clientes e funcionários”, afirmou Barone.

Para se ter uma ideia da carência de empregados, a agência Jacaraípe tinha, há sete anos, 15 bancários, mais estagiários, menor aprendiz e telefonista; agora a unidade funciona com apenas seis funcionários para dar conta de tudo.

Vagas para assistentes

Na última semana, o Banco do Brasil anunciou a criação de mil novas vagas de assistentes, mas a medida ainda é insuficiente para solucionar os problemas criados com a extinção da função de caixa. Nem todos os municípios terão novas vagas. O banco não oferece nenhuma condição para que o empregado mude de cidade ou se locomova diariamente para assumir uma oportunidade em local distante da sua moradia. Não há nem sequer ganho salarial para compensar a mudança de vida.

Outro problema vivido pelos funcionários é que os caixas substitutos foram impedidos de participar de programas de desenvolvimento, ficando excluídos da priorização para concorrer a uma nova vaga como assistente.

Inova Varejo

Essa reestruturação está vinculada ao Programa Inova Varejo que começou a ser implantado de forma experimental no Espírito Santo em meados de 2024. Além da eliminação da função de caixa presencial em agências de Vitória e Vila Velha, esse programa da Diretoria de Varejo do BB criou outro problema para os bancários capixabas, que foi a redução do valor da participação nos lucros e resultados (PLR) devido ao zeramento da produção de um trimestre em 2024.

Fotos: Sérgio Cardoso