Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), a partir do balanço dos quatro maiores bancos do país, apontou que lucro somado do Itaú, Banco do Brasil, Bradesco e Santander chegou a R$ 87 bilhões em 2019. No comparativo com 2018 o crescimento foi de 19,9%. O BB foi o banco que registrou o maior lucro entre 2018 e 2019: 41,2% (veja quadro abaixo). O Dieese destaca que a prestação de serviços e tarifas bancários continuam sendo importantes fontes de receitas dos bancos: Bradesco, 6,9%; Santander, 8,1%; Itaú, 5,6%; BB, 6,5%. Em 2019, o Itaú contabilizou R$ R$ 40,568 milhões com a cobrança de tarifas e serviços. Juntos os quatro bancos arrecadaram R$ 115,4 milhões apenas com a cobrança de tarifas e serviços.

Na avaliação do diretor do Sindicato dos Bancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), o estudo do Dieese confirma que o compromisso dos bancos é tão e somente com os lucros. “Não é por acaso que os quatro maiores bancos brasileiros tiveram no ano passado um volume financeiro em dividendos e juros sobre capital próprio de R$ 58 bilhões. Enquanto os acionistas festejam os resultados, o número de bancários desempregados aumenta, como mostra o estudo. Os que permanecem empregados estão vendo seus direitos serem minados todos os dias”, critica Carlão.
O dirigente sindical afirma que apesar das altas taxas desemprego no país (em torno de 12%, segundo o IBGE), aumento da miséria e a estagnação da economia como um todo, os bancos seguem indiferentes a todo esse quadro caótico, batendo recordes de lucratividade. “Temos 13,5 milhões de brasileiros na extrema pobreza, vivendo com R$ 145 por mês. A informalidade no mercado de trabalho é recorde e já representa mais de 40% da população ocupada. Esse é o cenário de terra arrasada da política econômica ultraliberal depois de um ano do governo Bolsonaro. Enquanto a classe trabalhadora é a principal prejudicada dessa política econômica nefasta, os bancos comemoram os resultados como os maiores beneficiados”, protesta o sindicalista.
PDVs desligaram mais de 10 mil
Apesar dos lucros recordes, os grandes bancos fecharam agências e desligaram milhares de empregados em 2019. “Os bancos cortam empregados e fecham agências na contramão da robustez dos seus resultados”, diz Carlão. O Itaú, que registrou o maior lucro líquido (R$ 28,383 bilhões), foi justamente o que mais cortou: 5.454 empregados; seguido pelo BB, que desligou 3.699. Os quatro bancos recorrendo aos PDVs para fazer cortes de pessoal desligaram, só no ano passado. 10.622 bancários (veja quadro abaixo).

Três dos quatro bancos registraram aumento de despesas com pessoal e PLR por causa dos efeitos dos PDVs. No comparativo entre 2018 e 2019, esse percentual foi de 29,5% no Bradesco; no Itaú o aumento foi de 12,6%.
O levantamento do Dieese mostrou que o número de bancários vem decrescendo nos últimos seis anos. Em 2013, o setor tinha 512 mil bancários; em 2018, esse número caiu para 453 mil. A série histórica do Dieese aponta que em 1990 havia 732 mil bancários no país. De acordo com o estudo, entre 2013 e julho de 2019, os bancos brasileiros fecharam 70 mil postos de trabalho.
A categoria bancária também vem encolhendo em relação ao universo dos trabalhadores do ramo financeiro. Segundo o Dieese, em 1994 os bancários representavam 80% de todo o setor do ramo financeiro. Em 2006, esse percentual caiu para 64% e se manteve nesse patamar até 2012, quando começou a registrar nova queda, chegando a 53% em 2018 (veja tabela abaixo).

Ao longo dos anos, o estudo do Dieese constata também que as seguidas reestruturações que os bancos têm promovido nos planos de cargos e salários mudaram significativamente a configuração das ocupações. Em 2003, havia mais de 46 mil caixas (20,4%); em 2018, esse número caiu para pouco mais de 32 mil (13%). Com as reestruturações impostas pelos bancos essa ocupação deve cair ainda mais nos próximos anos.
Fechamento de agências
O corte de pessoal está imbricado com o fechamento de agências. BB, Bradesco e Itaú fecharam 877 agências em 2019. Recordista de lucro, além de ter desligado mais funcionários com os PDVs, o Itaú também é líder no quesito fechamento de agências: 372 unidades encerram suas atividades em 2019. A vice-liderança ficou com o BB: 366 agências fecharam as portas no ano passado.


