Após quase três meses de negociação, os bancários e as bancárias do Banestes aprovaram a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) apresentada pelo banco e encerraram uma das mais duras campanhas salariais dos últimos anos. Foram 1.223 (74,21%) votos a favor, 413 (25,06%) contrários e 12 abstenções. A assembleia teve participação massiva da categoria, no total de 1.648 votos válidos. Na apuração, foram invalidados 08 votos referentes a não bancários e até empregados já desligados do banco.
O Sindicato dos Bancários/ES orientou a rejeição do ACT, que apresentou cláusulas sobre o Plano de Cargos e Salários (PCS) e seleção interna bem diferentes do que de fato foi negociado em mesa com o presidente do Banestes, Amarildo Casagrande. Mesmo com questionamentos do Sindicato e pedido de reabertura da mesa, o Banestes manteve a mesma redação do acordo e não aceitou mais negociar.
“A implantação de um PCS decente e o retorno das seleções internas são demandas latentes da categoria, reivindicações legítimas que foram negadas pela direção do Banestes. O ACT foi aprovado sob pressão. O presidente do Banestes, Amarildo Casagrande, usou os meios internos de comunicação e os seus prepostos para ameaçar e aterrorizar os empregados que temiam ficar sem acordo e sem os direitos garantidos. Mesmo assim, os bancários e as bancárias do Banestes saem vitoriosos da campanha, pois resistiram e lutaram até agora, conseguindo arrancar um acordo com avanços importantes em outras questões”, ressalta o diretor do Sindibancários/ES, Jonas Freire.
PCS e seleções internas
Durante as negociações, o Sindicato dos Bancários reivindicou um assento no Grupo de Trabalho sobre o PCS, representando os trabalhadores, mas a direção do Banestes negou. No acordo aprovado, a única garantia do banco é apresentação de uma minuta de PCS em janeiro do próximo ano.
“Não sabemos sequer se o PCS atenderá a demanda dos empregados e se de fato será implantado. O presidente do Banestes optou por fazer um PCS escondido do Sindicato e da categoria. O Sindicato continuará cobrando que o banco, depois desses longos anos de estudo, implemente um plano de cargos e salários decente, que valorize os empregados e garanta o encarreiramento”, frisa o diretor do Sindibancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão).
Sobre as seleções internas, o banco incluiu no acordo a suspensão dos processos internos até dezembro de 2025. “É com muita preocupação que o Sindicato vê a continuidade da suspensão da seleção interna, permitindo que os cargos continuem sendo ocupados por indicações, e não por critérios técnicos. Vamos seguir defendendo a realização de seleções internas, pois é o meio mais justo, transparente, democrático e eficaz para garantir a igualdade de oportunidade entre homens e mulheres, as progressões dos empregados e a melhor gestão do banco”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Vanessa Espíndula.

