Atendendo ao ofício da Contraf, a Caixa confirmou para a próxima segunda-feira (02) uma reunião de negociação com a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) do banco. Na pauta estão questões como o Super Caixa, reestruturação, plataforma PJ e crédito consignado. Todos esses temas têm causado insegurança e impactos diretos na dinâmica de trabalho das unidades. 

Desrespeito ao ACT motivou cobrança
O pedido de negociação com a Caixa foi formalizado no dia 19 de janeiro, por meio do ofício nº 00826, encaminhado à Vice-Presidência de Pessoas da Caixa. O documento denuncia que o banco vem implementando mudanças organizacionais de forma unilateral, sem negociação prévia com a representação dos trabalhadores, em descumprimento ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

O texto reforça que a cláusula 49º do ACT – “Negociação Permanente” obriga a Caixa a discutir previamente qualquer mudança organizacional, reestruturação, alteração de função ou projeto que impacte as condições de trabalho dos empregados.

Reestruturações e insegurança nas unidades
Entre os principais pontos cobrados está o projeto piloto de migração de função de caixas executivos para auxiliares, implantado sem negociação e que altera atribuições, rotinas e responsabilidades nas unidades.

Outro tema sensível é a plataforma PJ, cuja implementação vem gerando insegurança entre os trabalhadores. Há relatos de falta de treinamento, ausência de definição de fluxos e dúvidas sobre quem permanecerá nas agências para atender clientes que não forem absorvidos pela plataforma.

Super Caixa e consignado também na mesa
O Super Caixa também será debatido. O movimento sindical tem cobrado mais transparência sobre critérios e regras do programa, além dos impactos sobre a remuneração e a organização do trabalho, diante das inúmeras manifestações de insatisfação relatadas pelos empregados.

Além disso, os problemas no crédito consignado, que vêm impedindo milhares de empregados de contratar ou renovar operações, também serão discutidos na reunião.

Promoção por mérito
Os empregados também cobram que a Caixa apresente uma justificativa para o não pagamento dos deltas (promoção por mérito) em janeiro e informe e a partir de quando o valor será acrescentado ao pagamento dos funcionários que tiverem direito à promoção.

A norma interna da Caixa (RH176) que define as regras e critérios da Promoção por Mérito diz que: “A distribuição de Deltas observa o limite orçamentário de 1% da folha de pagamento para gastos com Promoção por Mérito e por Antiguidade [MN, RH175].”

Em outro trecho, diz que o “valor referente ao Delta recebido na Promoção por Mérito é creditado na Folha de Pagamento do mês de divulgação dos resultados e não há retroatividade de lançamentos.” Para a representação dos trabalhadores, “os resultados” referem-se à apuração do cumprimento dos critérios para o recebimento do delta, não tendo nenhuma relação com os resultados do balanço anual. 

O ofício enviado à Caixa lembra que a negociação prévia não é apenas uma prerrogativa sindical, mas uma obrigação prevista no ACT, e que sua inobservância fragiliza as relações de trabalho, amplia conflitos e prejudica a organização e a saúde dos trabalhadores.

(Com informações da Contraf)