Super Caixa: programa tem ajustes pontuais, mas não avança em pontos-chave

05/06/2026 17:47

A avaliação dos representantes dos empregados é de que a Caixa segue irredutível em negociar os principais gargalos do programa. CEE irá se manter mobilizada

Em live na última segunda-feira (2) a Caixa Econômica apresentou as alterações no regulamento do programa de remuneração variável Super Caixa. Os integrantes da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) afirmaram que os ajustes só ocorreram em função da mobilização e pressão dos empregados e das entidades representativas, mas essas alterações não solucionam os principais gargalos do programa.

Os representantes dos empregados pontuaram que as mudanças foram anunciadas faltando apenas 19 dias úteis para o fechamento do ciclo e, embora tragam alguns ajustes na forma de cálculo do valores a pagar, mantêm critérios que vêm sendo duramente criticados pelas entidades representativas dos empregados desde a implantação do programa.

Entre os pontos que permanecem inalterados estão os indicadores de CSAT (Customer Satisfaction Score – Pontuação de Satisfação do Cliente) e NS, apontados pelos trabalhadores como fatores excludentes e desproporcionais para o acesso ao programa. Durante a apresentação, representantes do banco afirmaram que a Caixa não abrirá mão desses critérios.

Outro aspecto que chamou a atenção das entidades é a exigência de assinatura de diversos termos de ciência para que os empregados possam acessar o sistema de acompanhamento do desempenho. O trabalhador só tem acesso ao sistema Super Caixa, para consultar seus resultados, se concordar com todos os itens dos termos.

Os termos também estabelecem que os valores pagos pelo programa possuem natureza de premiação, sem incorporação à remuneração, sem reflexos trabalhistas, previdenciários e fundiários. Além disso, o empregado precisa declarar ciência de que as simulações apresentadas no portal não representam expectativa de pagamento e que os valores dependem de regras, gatilhos e repasses definidos pela empresa.

Ajustes

A Caixa informou que o modelo deixa de operar exclusivamente na lógica do “tudo ou nada” e passa a prever faixas intermediárias de “premiação”. Pelas novas regras, a habilitação inicial passa a ser de 25% do valor da remuneração devida, desde que se atinja os marcos de liderança na dimensão Integridade do Alcance.Caixa e em pelo menos mais uma dimensão Core, além de CSAT e NS igual ou superior a 100.

Após a habilitação, o empregado passa a acumular percentuais de premiação conforme seu desempenho nas dimensões Core e nas demais dimensões do Alcance.Caixa. Na prática, isso significa que um trabalhador poderá receber percentuais intermediários, mesmo sem atingir o nível máximo em todas as dimensões, situação que não ocorria no formato anterior.

Apesar da mudança, as entidades observam que a estrutura continua baseada em uma série de condicionantes, gatilhos e classificações que tornam o programa complexo e de difícil compreensão para os empregados.

Pontos-chave

A principal crítica da CEE é que os ajustes anunciados pela Caixa não dão respostas às reivindicações centrais dos trabalhadores. Na avaliação do dirigente do Sindicato dos Bancários/ES Ronan Teixeira, que integra a CEE, as mudanças ficaram muito aquém das expectativas dos empregados. O dirigente afirmou que nem a própria Caixa entende o Super Caixa. Ele cita que no último pagamento foram registrados erros nos valores pagos. Após reconhecer os erros, a Caixa passou a estornar alguns pagamentos que já haviam sido feitos. “Isso passa muita insegurança para o empregado, que não tem certeza sobre os valores que estão sendo pagos. A falta de transparência e a forma unilateral de imposição do programa explicam essa desconfiança que o Super Caixa está gerando entre os empregados”, sublinhou Ronan.

A presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará, Tatiana Oliveira, também chamou a atenção para falta de transparência. Ela destacou que a exigência de assinatura dos termos para acesso ao sistema amplia as preocupações sobre a condução do programa. “É muito grave que o empregado seja obrigado a concordar integralmente com uma série de condições para simplesmente acessar informações sobre o seu desempenho. Transparência não pode ser tratada como concessão da empresa. O trabalhador tem o direito de saber como está sendo avaliado e como está sendo calculada sua remuneração variável”, afirmou.

Mobilização

Ronan afirmou que é importante manter a mobilização e a pressão para promover as mudanças reivindicadas pelos trabalhadores. Segundo o dirigente, a CEE e as entidades representativas dos empregados devem continuar acompanhando a implementação das novas regras e cobrando mudanças que garantam maior transparência, previsibilidade e justiça no programa de remuneração variável da Caixa.

Desde 2025, o Super Caixa tem sido alvo de críticas relacionadas à falta de transparência dos critérios, à utilização de indicadores considerados punitivos, à dificuldade de acompanhamento dos resultados durante o ciclo e à possibilidade de exclusão de trabalhadores que contribuíram para o desempenho das unidades, pautas que continuam presentes mesmo após as alterações anunciadas pelo banco.