Na última sexta-feira (22), os delegados e delegadas do Banco do Brasil participaram do 35º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (35º CNFBB), em São Paulo, debatendo os eixos de luta construídos com base nas contribuições das conferências estaduais e interestaduais.
No período da manhã, o professor e sociólogo, Jessé Souza, falou sobre a importância da defesa da soberania nacional e a economista do Dieese, Rosângela Vieira, apresentou uma análise sobre o papel fundamental e estratégico do Banco do Brasil para o desenvolvimento do país. A tarde foi a vez de debater as questões pertinentes à Cassi e à Previ. Ao final do 35º CNFBB, foram aprovadas as resoluções que vão orientar as lutas no próximo período.
“O congresso foi importante, especialmente pelo tom crítico à estratégia atual do BB, que deixa muito a desejar enquanto ferramenta de desenvolvimento e política de crédito do governo. Esse tom foi uma unanimidade em todas as correntes políticas presentes no congresso e está presente de forma contundente nos eixos aprovados”, avaliou Glória Dias, diretora do Sindicato dos Bancários/ES.
A diretora da Secretaria de Mulheres do Sindicato dos Bancários/ES, Bethania Emerick, também frisou que a defesa do BB como patrimônio do Brasil foi unânime. “O 35° CNFBB foi um espaço onde reafirmamos a relevância de instituições como a CASSI e a Previ, e debatemos a defesa da governança da Previ e as negociações do custeio da CASSI. Além disso, reafirmamos de forma unânime a importância do Banco do Brasil como patrimônio público, forte, a serviço da sociedade e fortalecendo o Brasil, sempre”.
Bethania ressaltou ainda a aprovação do manifesto Tolerância Zero para os casos de violência e assédio. “A leitura e o referendo do manifesto Tolerância zero, foram de extrema importância, considerando o momento de retrocesso em nossa sociedade com relação à violência contra mulheres e crianças”, destacou.
Para Danilo Funke, dirigente da Fetraf RJ/ES, é fundamental responder a altura aos ataques que o BB vem sofrendo pela extrema direita. “Só no BB somos 87 mil trabalhadoras e trabalhadores, além de tantos outros nos demais bancos públicos. Precisamos ser agentes politizadores, disputar a consciência dos colegas e fortalecer a luta de classe. É fundamental cobrar dos bancos públicos a valorização e a garantia de saúde dos trabalhadores e manutenção de empregos”.
“Estamos muito preocupados com os ataques políticos direcionados ao BB e, em momentos como esse, uma percepção de um banco socialmente importante é fundamental. Imagina se o povo enxergar o BB apenas como mais um banco comercial, igual a qualquer um dos seus concorrentes privados, quem vai defender o BB dos ataques políticos irresponsáveis que vem sofrendo? Quando o BB coloca a lógica privada acima de seu papel social, ele corre o risco de não ser visto como estratégico para a sociedade, ele se coloca nessa situação de vulnerabilidade. Agora precisamos defender o BB desses ataques, ao mesmo tempo em que tentamos sensibilizar o governo e a direção do BB para a importância do seu papel público”, explicou Igor Chagas, da diretoria do Sindibancários/ES.
Resoluções aprovadas no 35º CNFBB:
1 – Defesa da função pública do Banco do Brasil, essencialmente quanto ao desenvolvimento econômico e social, da agroecologia e da agricultura familiar;
2 – Expansão do PRONAF, volta do DRS (Desenvolvimento Regional Sustentável) e maior apoio à agricultura familiar;
3 – Abertura de agências em municípios desbancarizados;
4 – Novo concurso (cumprindo efetivamente a cota de PCDs);
5 – Fim das terceirizações;
6 – Distribuição de dividendos em proporção que garanta investimentos no setor produtivo, assegurando o desenvolvimento econômico e social do Brasil;
7 – Revisão dos processos de financiamento ao agro, aprofundando o cuidado para garantir a produção sustentável tanto com viés ambiental, como o retorno para a garantia de alimentos para o Brasil;
8 – Ampliação do atendimento à população nas agências com maior movimento em regiões carentes e/ou periféricas;
9 – Ampliação de postos de trabalho, garantindo o atendimento de caixa e preenchimento de claros;
10 – Que o banco se responsabilize para que efetivamente não aconteça desvios éticos para cumprimento de metas;
11 – Fim do assédio moral e metas abusivas;
12 – Previdência: defesa da governança da PREVI e do modelo de gestão paritária pelos funcionários do banco; o papel dos órgãos controladores/reguladores. Planos e aspectos dos perfis de investimentos;
13 – Os funcionários do Banco do Brasil devem seguir na defesa intransigente da Previ, cujo modelo de governança prevê a gestão compartilhada entre a empresa patrocinadora, por sua indicação com a representação dos funcionários, por meio democrático de eleição participativa, o que garante a permanência da robustez da sua governança impedindo interferência externas, seja do mercado ou de governos, com respeito inequívoco aos órgãos controladores e reguladores competentes;
14 – A Previ deve ser para todos, com tratamento isonômico aos egressos de bancos incorporados, com direito à adesão ao plano PREVI Futuro e seus benefícios;
15 – Saúde: modelo de custeio e sustentabilidade do plano de associados da Cassi; Adoecimento e saúde mental;
16 – Os funcionários do Banco do Brasil devem seguir na defesa intransigente da Cassi, objetivando o fortalecimento da caixa de assistência, em modelo de autogestão e patrocínio do empregador;
17 – A forma de custeio não pode se basear tão somente na folha de pagamento, sendo necessária a busca de outras fontes de receitas oriundas do patrocinador. Com as premissas de aumento da contribuição patronal para 70% (setenta por cento), sem aumento na contribuição do associado;
18 – A Cassi é para todos e deve ser garantida a isonomia de tratamento para os egressos dos bancos incorporados e funcionários que ingressaram no Banco após a reforma estatutária de 2018;
19 – É de fundamental importância que o banco informe precisamente os dados do EPS (exame periódico de saúde) e do adoecimento profissional;
20 – Necessário incluir a cirurgia de afirmação de gênero/redesignação sexual no rol de procedimentos da Cassi, custeadas pelo banco, com apoio das instituições no acolhimento de pessoas trans;
21 – Fortalecer e ampliar as CliniCassi e a rede credenciada;
22 – O banco deve, ainda, cumprir de imediato as diretrizes da NR1;
23 – Campanhas: Em Defesa do Banco do Brasil; Menos Metas Mais Saúde; Contra o Assédio Moral; Dias de Luta em todas as datas de negociação sobre a Cassi.
Moções aprovadas:
- Defesa do BB e de sua função pública, sustentável e inclusiva;
- Repúdio aos ataques de Trump contra a soberania nacional;
- Transparência na destinação de verbas parlamentares;
- Contra o genocídio praticado por Israel contra os palestinos;
- Defesa do deputado Renato Freitas;
- Contra as ameaças de grupos de extrema-direita a Jones Manoel.
Delegados e delegadas da Fetraf RJ/ES no 35º CNFBB
Bethania Emerick
Danilo Funke
Fernando Tonielo
Flávio Pereira
Giovana Pinto
Glória Dias
Igor Chagas

