Se encerra nesta sexta-feira, 15, a votação do Relatório Anual da Cassi de 2019. Os associados da ativa e aposentados podem votar por meio do site da Cassi. Na página o associado também tem acesso ao relatório na íntegra e a um manual de votação. A votação também pode ser realizada pelo aplicativo da Cassi e pelos terminais de autoatendimento do Banco do Brasil. O associado da ativa também pode votar pelo sistema do banco (SisBB).
O Sindicato dos Bancários/ES orienta o voto pela não aprovação do relatório. A indefinição em relação à Estratégia de Saúde da Família; a falta de transparência sobre as medidas que serão adotadas para reduzir as despesas assistenciais de R$ 1,2 bilhão e a ausência de critérios no redimensionamento da rede assistencial são alguns dos pontos destacados pelo Sindicato para apontar inconsistências no Relatório 2019 da Cassi.
Saúde da Família
O relatório da Cassi é omisso em relação à Estratégia de Saúde da Família e ao Modelo de Atenção Integral à Saúde. “A falta de definição para o Saúde da Família nos preocupa muito, sobretudo quando percebemos a tendência da atual gestão em priorizar a redução de custos em detrimento destes serviços. Os interesses do banco de enxugar despesas a qualquer custo não pode comprometer a qualidade dos serviços de saúde dos associados e de seus dependentes”, ressalta a diretora do Sindicato dos Bancários/ ES, Goretti Barone.
A dirigente afirma que o propósito do Saúde da Família não pode ser perdido de vista. “Sua prioridade é qualificar a atenção em saúde e melhorar a qualidade de vida dos participantes e de seus familiares. Pela indefinição em relação ao Saúde da Família, essa não parecer ser uma prioridade da atual gestão”, aponta Goretti.
Despesa de R$ 1,2 bilhão
Para a diretora do Sindicato, o relatório não explica com a transparência necessária quais medidas que a atual diretoria pretende adotar para redução de R$ 1,2 bilhão em despesas assistenciais. A dirigente afirma que o relatório faz apenas uma vaga alusão recorrendo ao termo “redução de forma responsável”. O corte aleatório da rede credenciada, decisão equivocada, segundo Goretti, foi uma das únicas medidas anunciadas no relatório para reduzir despesas.
A falta de transparência, aliás, tem sido uma prática da atual gestão. “No ano passado, a Diretoria e o Conselho Deliberativo da Cassi tomaram decisões quase sempre favoráveis aos interesses do patrocinador e não da Cassi e dos associados. A gestão da Cassi deveria sempre zelar pelos interesses e pelas necessidades da organização, mas, infelizmente, não é isso que tem acontecido”, assevera Goretti.
Rede credenciada
Faltou transparência também por parte da direção da Cassi para explicar quais critérios foram considerados para descredenciar 3,8 mil prestadores de serviço da rede. Mesmo incluindo 1,1 mil novos prestadores, a Cassi fechou 2019 com 30,7 mil credenciados. “Na prática, tivemos uma redução de 2,7 mil credenciados. Isso significa um encolhimento importante da rede. Enfrentamos uma crise de saúde sem precedentes. Essa redução já deve estar sendo sentida pelos associados, principalmente em cidades do interior dos estados”, critica a dirigente.
Além desses pontos que ficaram omissos no relatório, o Sindicato também recorda que houve burla ao artigo 73 na ocasião da alteração estatutária da Cassi. A votação não alcançou o quórum necessário de votantes de metade do total de associados, mais um, registrado no último balancete mensal publicado.
O resultado do processo foi de 124.267 votantes: 81.982 votos “sim” e 39.608 votos “não”; brancos, 1.161; nulos, 1.516. Pelo estatuto, seriam necessários 82.070 votos. “É importante reavivar esse episódio aos associados para mostrar como a atual gestão vem conduzindo a Cassi. O cumprimento do estatuto, cujo Conselho Deliberativo tem obrigação em zelar, acabou sendo burlado com a anuência do próprio Conselho, que declarou aprovada a alteração estatutária da Cassi, com a manifesta intenção de atender aos interesses do patrocinador”, destaca Goretti, que completa: “É oportuno destacar que essa mudança estatutária está sub judice. Não aceitamos a burla. Inclusive o Sindicato dos Bancários/ES é um dos autores da ação que pleiteia a anulação dessa votação”.









