Foram abertos na noite desta sexta-feira, 10, os congressos nacionais dos empregados dos bancos públicos federais (Banco do Brasil, Caixa, BNB e Banco do Amazônia). A cerimônia foi conjunta e realizada virtualmente em função da pandemia do novo coronavírus.
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A presidente da Contraf, Juvandia Moreira destacou o evento como um marco no processo de construção da Campanha Nacional unificada. Ela resgatou parte da história de organização da categoria e falou sobre a importância de relacionar as lutas específicas dos empregados de bancos públicos com a pauta geral dos bancários, através da mesa única.
“A Convenção Coletiva de Trabalho é nosso guarda-chuva, mas os acordos coletivos são de extrema importância. É fundamental renovar os acordos e estar na mesa única para que possamos garantir todos os direitos. Quando os bancos públicos tinham apenas sua mesa própria, os acordos coletivos eram descolados da CCT. Enquanto os bancários, de maneira geral, conquistaram a PLR em 1995, os empregados da Caixa tiveram PLR em 2003, quando alcançamos a unificação da mesa. Então a mesa única traz uma série de conquistas para empregados de bancos públicos e privados”.
Dialogando com o contexto da pandemia, os congressos dos bancos públicos federais compartilharam o tema da Campanha Nacional desde ano, “A distância não nos limita”, trazendo para o centro do debate a necessidade de manter a unidade da categoria mesmo com o distanciamento e o isolamento social.
A crítica ao governo Bolsonaro foi ponto comum entre os representantes das federações de bancários de todo o país, que fizeram falas de saudação ao evento, caracterizando o contexto em que se darão as negociações da Campanha Nacional e a luta em defesa dos bancos públicos.
“Vivemos uma crise política, econômica e de saúde com consequências incalculáveis. Bolsonaro, com seu governo autoritário, nega a ciência e rejeita o diálogo para o enfrentamento da pandemia. É um governo ultraliberal e dogmático, que mesmo diante da eficiência dos bancos públicos demonstrada no período recente, insiste em repetir o mantra da privatização, seja de forma direta, nos ataques ao Banco do Brasil, ou indireta, com a venda de ativos da Caixa. Cabe a nós lutar pelas pautas específicas e fortalecer a Campanha unificada para resistir aos ataques aos bancos públicos e defender nossos empregos e direitos”, salientou José Ferreira, representante da Federação dos Bancários do RJ/ES.
“A defesa dos bancos públicos e das estatais não é corporativa, é a defesa de um projeto soberano de país. A pandemia revelou um Brasil com profundas desigualdades. O grau de desemprego e de informalidade se expressa no número de pessoas que hoje dependem do auxílio emergencial e evidencia as consequências da reforma trabalhista que vínhamos denunciando”, apontou Emanuel Souza, da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe.
O papel dos bancos públicos para a recuperação econômica
Seguindo a tônica de defesa dos bancos públicos, o professor titular do Instituto de Economia da Unicamp, Luiz Gonzaga Belluzzo, convidado para a palestra de abertura, destacou a importância de um sistema bancário forte e público para a recuperação da economia. Segundo ele, a pandemia desarticulou os nexos comerciais de maneira assustadora, o que exige uma ação enérgica e abrangente do Estado.
Para o professor, privatizar os bancos públicos corresponde a uma insanidade, pois significa desmontar o arcabouço institucional de crédito do país, que é fundamental para o financiamento dos setores produtivos e para o desenvolvimento socioeconômico. Como exemplo, ele resgata o papel estratégico de sustentação econômica que o Banco do Brasil exerceu no período da industrialização brasileira, papel se repete hoje, no período da pandemia, em relação às pequenas e médias empresas, um dos setores que mais empregam no país.
“Estamos observando agora que o crédito não chega às pequenas empresas, por que o Banco do Brasil é o único banco que está emprestando para esse segmento. Sem uma coordenação pública numa situação como essa, os bancos privados não emprestam, sob alegação de risco”.
A intervenção do Estado para manutenção da renda também é medida essencial em tempos de crise, afirma o professor. “O governo vê a prorrogação do auxílio emergencial como futuro déficit, mas não considera que ao manter a renda das pessoas, elas se sentirão mais seguras para consumir, o que mantém empregos, aumenta a demanda por produção e gera renda tributária, ou seja, isso volta como arrecadação para o governo”.
Bancários capixabas reafirmam luta unificada
A abertura dos congressos foi acompanhada pela delegação capixaba. Para a diretora do Sindicato Rita Lima, que é delegada da Caixa, a estratégia de luta da categoria passa pela unidade e por um enfrentamento direto às políticas do governo.
“Para defender os bancos públicos é necessário derrotar Bolsonaro e a política econômica comandada por Guedes. Só conseguiremos isso com a unidade dos bancários e de toda a classe trabalhadora. Por isso os congressos dos bancos federais têm o desafio de armar a categoria para fazer a defesa do patrimônio público e a defesa da vida”.
A diretora Goretti Barone, bancária do Banco do Brasil, defende ainda o envolvimento da sociedade em um debate amplo sobre o papel dos bancos públicos. “Nos nossos congressos, além de construir uma pauta única, é fundamental traçar as estratégias de defesa das empresas públicas, tendo consciência de que precisamos envolver a sociedade neste processo e encarar o desafio de construir um projeto para estes bancos que seja útil para o desenvolvimento do país”, diz.









