Nesta quarta-feira, 21, o governo Bolsonaro anunciou a privatização de 17 empresas públicas brasileiras. Dentre elas, estão lucrativas estatais como Correios, Lotex, Eletrobras, Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa) e Casa da Moeda. A medida representa a perda de volumosos recursos destinados às políticas públicas, restringe o acesso da população em serviços essenciais e coloca em risco a soberania do Brasil em diversos setores estratégicos.
Maior companhia do setor elétrico da América Latina e líder em geração e transmissão de energia elétrica no Brasil, a Eletrobras é umas das principais empresas na bandeja das privatizações. A venda da Eletrobras, que em 2018 lucrou R$ 13,3 bilhões, é um exemplo da entrega para o setor privado de uma empresa estratégica para garantir energia mais barata à população brasileira.
“O anúncio das privatizações faz parte de um plano maior desse governo, de abrir espaço para o mercado privado e desmantelar tudo o que é estatal. As empresas que serão vendidas fazem parte da história do desenvolvimento econômico e social do país. São empresas que deveriam ser fortalecidas, como a Eletrobras, fundamental para uma política de barateamento da energia elétrica. Outro absurdo é privatizar a Casa da Moeda. O governo está abrindo mão de ter controle sobre a empresa que emite a moeda no Brasil. Privatizar as empresas públicas, além de empobrecer o Brasil, empobrece o povo brasileiro”, destaca a diretora do Sindibancários/ES Rita Lima, que também é dirigente da Intersindical e integrante do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas.
Além de altamente lucrativas, as empresas estatais cumprem um importante papel social para o país. Os Correios, por exemplo, prestam um serviço essencial de comunicação, como o envio e o recebimento de correspondências e até serviços financeiros de conveniência em todo o território nacional. Altamente lucrativa, com lucro líquido de R$ 161 milhões em 2018, os Correios têm hoje 103.559 empregados e empregadas.
Apesar de não estar na lista das estatais a serem privatizadas, a Petrobras continua na mira do programa de privatizações do governo Bolsonaro. Na última semana, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a sinalizar sobre a privatização da Petrobras e nesta quinta-feira, 22, o governo já anunciou que vai iniciar os estudos para privatizar a estatal petrolífera.
Lotex
Administrada pela Caixa, a Lotex está na lista das 17 empresas a serem privatizadas. Já foram seis tentativas de realização do leilão da Lotex que fracassaram. Para Rita Lima, a privatização da Lotex é apenas o início de um processo de venda da Caixa, o maior banco público do país.
“Depois das tentativas fracassadas de leilão, o governo na verdade está reformulando o pacote de venda de todas as loterias da Caixa. É inaceitável entregar uma empresa que contribui com o desenvolvimento social do Brasil. A venda das loterias representa uma grande perda para os brasileiros, já que quase metade do que é arrecadado hoje com as loterias é destinado aos programas sociais. A defesa da Caixa 100% pública passa fundamentalmente pela luta contra a privatização da Lotex”, frisa Rita Lima.









