A Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf) e as Associações do Pessoal da Caixa (Apcefs) lançaram, na última segunda-feira (15), a campanha “Vendeu/Recebeu!”, que cobra mudanças no Super Caixa — programa de premiação da rede de varejo e atacado do banco responsável pelo pagamento do bom desempenho dos empregados.
O objetivo da Campanha é envolver os empregados na luta por mudanças nas regras do Super Caixa, que, desde que foi lançado, tem gerado insatisfação e sentimento de desvalorização entre os trabalhadores do banco. A iniciativa chega acompanhada de um abaixo-assinado (https://link.fenae.org.br/CampanhaVendeu-Recebeu) que reivindica mudanças no atual regramento.
Principais críticas
Entre os pontos mais criticados, destacam-se:
• Exigências elevadas de habilitação, baseadas em resultados de unidade que não dependem exclusivamente do esforço individual;
• Indicadores complexos e pouco transparentes, dificultando o entendimento do cálculo;
• Penalizações por desempenho de terceiros, o que desestimula o trabalho coletivo e gera conflito interno;
• Pressão permanente por metas, ampliando o risco de adoecimento;
• Ausência total de negociação com as entidades representativas, desrespeitando a mesa permanente;
• Impacto direto sobre a renda, já que o programa substitui mecanismos anteriores mais estáveis e previsíveis.
Na avaliação de Ronan Teixeira, dirigente do Sindibancários/ES e integrante da CEE/Caixa, o movimento sindical sempre lutou por uma remuneração igualitária para todos os trabalhadores, contudo, já que o banco impõe um projeto de remuneração variável, ele precisa ser transparente. “Já que o programa existe, ele precisa ser transparente e garantir que os trabalhadores que venderam os produtos recebam. Não pode ter qualquer tipo de obscuridade ou falta de clareza e objetividade em relação as regras do programa. Nesses meses de implantação do Super Caixa não ficou nítido quais são as regras, o funcionamento. Então, é importante que o banco deixe claro e que não deixe ninguém sem receber a comissão da renda variável daquilo que vendeu. O movimento tem cobrado insistentemente e denunciado que esse programa de premiação não atende as demandas dos colegas, por isso é preciso urgentemente que a Caixa volte a negociação desse tema”, ressaltou Ronan.
Para os empregados, uma mudança é necessária para garantir mais equilíbrio e transparência no programa, visto que o novo modelo aumentou a dificuldade para o empregado se habilitar ao recebimento das remunerações e reduziu a frequência dos pagamentos, que deixam de ser trimestrais e passam a ser semestrais.
Super Caixa, super injusto
O Super Caixa, programa de remuneração variável implementado pela Caixa Econômica Federal no 2º semestre de 2025, é um modelo, criado unilateralmente pelo banco e apresentado como “prêmio por liberalidade”, que alterou regras de habilitação, cálculo e distribuição da premiação, ampliou exigências e, na prática, tornou mais difícil o acesso ao benefício, principalmente para quem atua diretamente nas agências.
Desde sua divulgação, a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, federações e sindicatos vêm denunciando que o programa aumenta a pressão sobre as equipes, baseia-se em indicadores complexos, penaliza unidades inteiras e impacta diretamente a renda de trabalhadoras e trabalhadores, sem que tenha havido qualquer negociação coletiva prévia.
Segundo as entidades, o modelo reforça a cobrança por metas, carece de previsibilidade e não reflete de forma fiel a realidade das agências, especialmente diante do quadro reduzido de pessoal e do aumento constante de demandas geradas por programas sociais e políticas públicas operadas pela Caixa.
Mobilização e mudanças já!
O sindicato reforça que é fundamental a participação dos bancários e bancárias da Caixa, que podem acompanhar e apoiar as ações da campanha pelas redes oficiais das entidades e assinar o abaixo-assinado, lembrando que quanto maior a mobilização, mais força a campanha ganha.
Diante das inconsistências e dos impactos negativos do modelo, a CEE/Caixa, segue cobrando:
• Negociação efetiva das regras;
• Simplificação dos critérios;
• Transparência nos indicadores;
• Proteção à saúde mental;
• Previsibilidade na remuneração;
• Respeito às condições de trabalho da categoria.
O movimento sindical ressalta que o reconhecimento às pessoas que constroem diariamente a Caixa não pode se dar por meio de programas que ampliam desigualdades, geram insegurança e ignoram a realidade enfrentada por quem atende milhões de brasileiros em todo o país.
Assine o abaixo-assinado e participe da Campanha para pressionar que o banco revise imediatamente o programa para garantir justiça, valorização e respeito ao trabalho da categoria.

