Pedro Guimarães e Bolsonaro: aliados de primeira hora

Em 2020, o vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara Federal Ubiratan Sanderson, deputado pelo PL do Rio Grande do Sul, recebeu denúncia de uma empregada da Caixa assediada sexualmente pelo então presidente do banco, Pedro Guimarães, mas ignorou completamente o assunto. A informação está na coluna do jornalista Rodrigo Rangel no site Metrópoles desta segunda-feira, 26.

Sanderson: recebeu e ignorou denúncia

“(…) Como não sou corregedor da Caixa nem agente do Ministério Público… Minha função de deputado também faz com que eu tenha uma capacidade de fiscalização, mas eu pedi fatos concretos e ela não me trouxe. (…) Eu faria o encaminhamento se tivesse alguma coisa concreta. Mas passou o tempo, eu (fiquei) envolvido com o mandato e não tive mais nenhuma notícia”, disse Sanderson ao site, confirmando que recebeu a denúncia. E desconsiderando a declaração da própria vítima, argumentou: “como eu vou levar um boato ao presidente da República?”.

Desrespeito

“O deputado fala como se o relato da própria mulher assediada não fosse um fato mais que concreto, mas fosse um boato. Isso mostra bem o tratamento desrespeitoso, misógino e sexista do presidente Bolsonaro, de quem ele indicou para presidir a Caixa e de quem ele escolheu para representar seu governo na Câmara Federal. Não podemos aceitar a continuidade dessa política no nosso país. E o basta precisa ser dado nas urnas e na Justiça, com a punição dos assediadores e dos omissos”, afirma a coordenadora geral do Sindibancários/ES, Rita Lima.

Ato contra o assédio nos bancos, em julho

Conforme publicado no site Metrópoles, a empregada da Caixa conversou pessoalmente com o vice-líder de Bolsonaro para falar “sobre um assunto sensível relacionado ao banco”. Ela contou que “fora assediada sexualmente pelo então presidente da Caixa, Pedro Guimarães”, que “teria se aproximado com toques indesejados durante uma viagem de trabalho ao Amapá e, depois, teria mandado recados estranhos durante outra viagem, desta vez à Paraíba”. A funcionária disse que “rejeitou todas as tentativas, e que por isso passou a ser perseguida dentro do banco, apesar de sua ficha funcional ser repleta de elogios e bons indicadores”.

Depois de apresentar a denúncia, a bancária teve a expectativa de que viria a solução, mas tudo ficou apenas na promessa de Sanderson. “Ele [o vice-líder do governo] me disse que falaria com o presidente Bolsonaro e com o general Heleno [sobre as denúncias]”, afirmou ao Metrópole. O general Augusto Heleno Ribeiro é ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional.

Segundo publicado pelo site, a bancária prestou depoimento nas apurações internas em curso na Caixa e na investigação conduzida pelo Ministério Público Federal, que poderá resultar em um processo criminal contra Guimarães.

Histórico

As denúncias de assédio sexual explícito às empregadas da Caixa vieram à no dia 28 de junho e levaram à queda do então presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

A comissão de investigação interna criada pela nova presidenta da Caixa, Daniella Marques, para apurar o caso tinha 90 dias para apresentar os resultados da investigação.

No dia 16 de setembro, a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), enviou ofício à Caixa solicitando informações sobre as investigações. Até o momento o banco não enviou resposta.