
Audiência Pública em 2022 – Foto: Elaine Menke/Câmara dos Deputados
Em requerimento apresentado à Câmara dos Deputados nesta segunda-feira (04), o deputado federal David Soares (União/SP) pediu a retirada de tramitação do Projeto de Lei 1043, de sua autoria, que dispõe sobre a abertura das agências bancárias aos sábados e domingos. Essa foi uma vitória dos bancários, que se mobilizaram contra a proposta desde que foi apresentada, em 2019. Para o movimento sindical, o projeto atendia a um lobby dos banqueiros, visando apenas o lucro das instituições financeiras, desconsiderando os interesses de clientes e da categoria bancária.
“De fato essa é uma vitória das bancárias e dos bancários, pois lutamos muito pelo respeito à nossa jornada. O que vai melhorar o atendimento à população é a ampliação do horário de abertura das agências de segunda a sexta-feira, com criação de dois turnos de trabalho. Em defesa da saúde dos bancários e do bom serviço aos clientes, a gente luta para que os bancos contratem mais bancários e ampliem o horário de atendimento”, afirmou a coordenadora-geral do Sindibancários/ES, Rita Lima.
Histórico
Os bancários foram mobilizados a votar contra o projeto em enquete realizada em 2022 pela Câmara Federal. Também naquele ano, uma audiência pública solicitada pelo deputado Ivan Valente (PSOL/SP) discutiu a proposta, atendendo a uma demanda do movimento sindical dos bancários. “Os bancos querem apenas ampliar as possibilidades de lucros, sustentados na lógica do atendimento elitizado e dirigido a locais bem específicos nos finais de semana. Por isso, somos contra este projeto”, disse Valente à ocasião.
“Há anos os bancos tentam flexibilizar a jornada de trabalho da categoria, que é uma conquista histórica. Precisamos mostrar a força da nossa mobilização também na articulação com o Congresso e com a sociedade para derrotar esse PL”, afirmou o diretor do Sindibancários/ES Carlos Pereira de Araújo (Carlão) naquele momento.
Entre os prejuízos que a abertura aos finais de semana traria aos bancários estão a maior sobrecarga de trabalho para uma categoria já adoecida por uma atividade estressante e exercida sob a pressão das metas; a insegurança para funcionamento das agências em dias não úteis, além de significar a flexibilização de direitos históricos dos bancários.

