Na semana do Dia Internacional da Mulher duas vitórias de capixabas guerreiras que não fogem à luta. A deputada estadual Camila Valadão (PSOL) relata que “recebeu com emoção” a notícia de que o deputado federal Gilvan da Federal (PL) tornou-se réu em denúncia ofertada pelo Ministério Público Estadual (MPES) por violência política de gênero e injúria racial contra ela, quando ambos eram vereadores de Vitória. A outra vitória é a decisão da Universidade Federal do Espírito Santo de permanência da professora Jacyara Paiva no quadro de docentes da instituição de ensino.”São simbólicas essas duas vitórias para nos mostrar que a luta sempre vale a pena, principalmente na semana do Dia Internacional da Mulher quando estamos discutindo o combate a toda forma de violência”, afirmou a coordenadora-geral do Sindibancários/ES, Rita Lima.
Violência política de gênero
A fato que motivou a denúncia contra Gilvan da Federal aconteceu no dia 1º de dezembro de 2021, quando o então vereador mandou Camila Valadão calar a boca e ainda a chamou de “assassina de criança” e “satanista” no plenário da Câmara Municipal de Vitória. “Foram dois anos de agressões cotidianas no exercício das minhas atividades parlamentares por esse sujeito. Fui interrompida, desqualificada, insultada, chamada de ‘covarde’, ‘canalha’, ‘maquiavélica’, entre outros [adjetivos]”, afirmou Camila nas redes sociais.
A hoje deputada relembra que “nunca me calei diante dessas violências, pois sempre tive certeza dos seus objetivos: impedir ou dificultar o pleno exercício político das mulheres, a partir da criação de um ambiente hostil, intimidador e degradante para nos excluir, silenciar e até desestimular a nossa participação política. Essa decisão no dia de hoje, na semana do Dia Internacional da Mulher, é uma vitória de todas nós!”.
A coordenadora geral do Sindibancários/ES, Rita Lima, celebrou as duas vitória e destaca a importância da mobilização e luta para evitar violência contra as mulheres. “É simbólico essas duas vitórias, no momento em que a gente está discutindo, no 8 de março, o fim de toda forma de violência contra as mulheres. Isso nos mostra que a luta sempre vale a pena”, aponta a dirigente. “Para a Jacyara foi muito importante a mobilização, a pressão que foi feita e garantiu que mais essa violência não fosse cometida. A gente sempre espera que a universidade seja um lugar seguro pra todo mundo trabalhar e se desenvolver. No entanto, uma trabalhadora se viu diante de uma situação como essa, de quase perder um cargo efetivo”, explanou Rita Lima, que também parabenizou a professora pela vitória.
Jacyara fica!
A ameaça de exoneração da professora Jacyara finalmente teve fim com o anúncio da Reitoria da Ufes na segunda-feira, 4. Segundo nota da Ufes, “uma nova interpretação jurídica da Advocacia Geral da União (AGU) sobre o acórdão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) se superpõe aos pareceres de força executória anteriores”.
Foi uma vitória do movimento Jacy Fica, O Povo Negro Fica! que envolveu diversos segmentos sociais, incluindo o Sindicato dos Bancários, que denunciaram racismo estrutural e burocracias judiciais. “Não existem palavras que expressem a grandiosidade dessa vitória; a luta ganhou, todo esse movimento é histórico, inesquecível e merecerá ser lembrado sempre. Essa luta simboliza a união nacional, na qual estudantes, professores, movimentos sociais, sindicatos, servidores de toda universidade estiveram lutando por uma causa justa, que reuniu em uma só várias lutas: contra o racismo, contra o machismo, a luta pela autonomia universitária, a luta contra a opressão de trabalhadores. São lutas cotidianas que foram travadas por um movimento nacional e coletivo. A luta ganhou”, afirmou Jacyara.
O caso da professora começou com sua aprovação em 2ª lugar no concurso para docente da Ufes em 2013. Em 2017, um novo edital para preencher a mesma vaga pleiteada por Jacyara foi aberto. A professora, requereu o direito de ocupar a vaga, uma vez que o concurso ainda estava válido. A Ufes não aceitou e a docente recorreu à Justiça, que concedeu liminar em favor da candidata, gerando um litígio entre as partes.










