A Secretaria de Saúde do Sindicato dos Bancários/ES está fazendo o monitoramento diário dos casos de contaminação da covid-19 entre os bancários no Espírito Santo. Por isso, o Sindicato solicita a todos os empregados de bancos públicos e privados que, em caso de suspeita, entrem em contato com o Sindicato para orientações e providências. Os telefones de atendimento da Secretaria de Saúde são: (27) 9 9961-4185 ou 3331-9980.
Além do trabalho de fiscalização das condições sanitárias e de trabalho nas agências, o Sindicato está intervindo junto às direções dos bancos para que eles cumpram os protocolos recomendados de afastamento do empregado, encaminhamento de teste e sanitização da agência, para segurança tanto dos bancários como dos clientes.
“São medidas essenciais, recomendadas pelas autoridades públicas e de saúde, que precisam ser tomadas dentro de um prazo muito curto para que sejam efetivas e evitem a contaminação de outras pessoas”, diz a diretora.
Lizandre explica que os bancos não seguem um protocolo padrão para gestão dos casos de covid, além de, muitas vezes, menosprezarem o risco de contaminação nas agências, o que exige uma ação rápida do Sindicato nesse monitoramento. “Via negociação, conseguimos fazer com alguns bancos, como a Caixa, reportem oficialmente os casos identificados ao Sindicato. Mas isso não acontece com todas as instituições financeiras. Por isso a comunicação do próprio bancário é essencial”, destaca a diretora.
“Já recebemos denúncias de bancos que só afastaram o empregado com sintomas após confirmação do teste. A recomendação é que, em caso de suspeita, o bancário seja afastado imediatamente. Ele precisa receber a assistência necessária para realizar o teste e os devidos cuidados para uma melhor recuperação, caso o diagnóstico se confirme, evitando que seja vetor para outros colegas”, completa.
Bancários contaminados tem direito à emissão do CAT
Outro fator importante para o contato com a Secretaria de Saúde é a emissão do Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT) para os empregados testados positivo e cuja suspeita de contaminação tenha sido no local de trabalho ou decorrente da atividade de trabalho.
“Os riscos de contaminação devem levar em conta o atendimento ao público, o contato com a equipe, que, ao não estar em isolamento social, mantém relacionamento com outras pessoas, o manuseio de documentos e numerário na agência e o próprio deslocamento para o local de trabalho”, aponta Lizandre.
A emissão do CAT vai garantir aos empregados as assistências acidentárias previstas em lei junto ao INSS, dando mais segurança ao trabalhador. Vale lembrar que, por se tratar de uma doença nova, o modo de funcionamento do vírus no organismo e seus impactos ainda estão sob estudo, mas diversas pesquisas, ainda que não definitivas, apontam para a evidência de sequelas que se estendem para além do sistema respiratório.
Estudo publicado em abril na revista Trends in Neurosciences por neurocientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor) e da Queen’s University (Canadá), por exemplo, indica que a covid-19 pode afetar o sistema nervoso central e prejudicar o funcionamento do cérebro a longo prazo.
“Até que tenhamos estudos conclusivos sobre os impactos futuros da doença, a emissão do CAT não pode ser dispensada, como garantia para o próprio trabalhador caso ele precise recorrer ao sistema de seguridade”, alerta Lizandre.
A diretora lembra ainda que o CAT é também um documento oficial que permite o controle estatístico de acidentes de trabalho, informação que vai subsidiar a luta política da categoria nos processos negociais com os bancos, quando a categoria pressiona por melhores condições de trabalho e valorização.
Casos identificados pelo Sindicato na categoria chegam a 45
Pelo menos 45 bancários já foram confirmados com coronavírus no Espírito Santo, até esta quarta-feira, 27. O levantamento foi feito pela Secretaria de Saúde, a partir dos casos acompanhados pelo Sindicato. A suspeita é de que esse número seja maior, já que nem todos os bancos notificam a entidade.
“Reforçamos mais uma vez a importância da comunicação do bancário ao Sindicato para que possamos fazer um controle e monitoramento seguro ao longo da pandemia”, pede Lizandre.
A diretora reforça que a identidade do empregado que informar o quadro de contaminação será preservada. A informação é apenas para que Sindicato tome as providências necessárias no sentido de zelar pela saúde e pelos direitos do empregado, além de cobrar dos bancos e fiscalizar os procedimentos sanitários nas agências.

