
A Caixa Econômica Federal criou um novo protocolo para validação de projetos culturais realizados nos seus espaços em todo o país. Conforme noticiou o jornal Folha de São Paulo, as novas regras exigem que seja enviado à Superintendência da Caixa e à Secretaria de Comunicação do Governo Federal (Secom) um relatório com detalhes do posicionamento político dos artistas, incluindo histórico em redes sociais e levantamento de possíveis “pontos polêmicos” que possam afetar a imagem da Caixa e do governo, antes que seja dado o aval para que o projeto entre em cartaz.
O texto do documento ao qual a Folha teve acesso descreve a nova orientação como “possíveis riscos de atuação contra as regras dos espaços culturais, manifestações contra a Caixa e contra governo e quaisquer outros pontos que podem impactar”.
O entendimento é que qualquer tema que possa desagradar o governo, como questões de gênero, sexualidade ou Ditadura Militar, seja informado. Também há restrição explícita a imagens ou cenas de nudez.
A medida gerou desconforto entre os empregados da Caixa responsáveis pelos processos seletivos das atividades culturais, que encaram as mudanças como um sistema de censura. Eles temem retaliações ou demissões que possam advir dessa política.
A notícia confirma suspeita de censura levantada nesta semana pelo Jornal, após cancelamento de peças e mostras artísticas em centros culturais gestados pelas estatais, entre elas a Caixa e o Banco do Brasil. Foram seis cancelamentos nos últimos dois meses, segundo apuração da Folha.
Só nesta semana, três eventos já confirmados pela Caixa e pelo BB foram suspensos – todos abordavam temáticas LGBT ou questões sobre democracia e sistemas autoritários.
Dentro os projetos cancelados estão a mostra da cineasta Dorothy Arzner, com pautas feministas e sobre homossexualidade, que entraria em cartaz na Caixa Cultural do Rio de Janeiro; um ciclo de palestras sobre democracia, história, ciência e ambiente, suspenso às vésperas da abertura, no último dia 28; e os espetáculos teatrais “Abrazo”, “Gritos” e “Lembro Todo Dia de Você.
Para a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Lizandre Borges, que é empregada da Caixa, está clara a prática de censura, que segue critérios puramente ideológicos e só reafirma postura autoritária do atual governo.
“O presidente Jair Bolsonaro diz que governa sem viés ideológico, mas na prática, além de ideologizar de maneira profunda sua política econômica, de saúde e educacional, institui censura implacável à cultura, através dos espaços culturais das empresas públicas, como Caixa, BB e Petrobras, que tradicionalmente financiam a cultura nacional”, critica Lizandre.









