CPMI da Fake News vai convocar Rubem Novaes para explicar publicidade do BB

26/05/2020 17:56

Além da CPMI, o TCU anunciou que irá investigar a interferência da família Bolsonaro nos anúncios do banco; o Conselho de Administração do BB pediu a abertura de uma auditoria interna para apurar as denúncias

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Fake News decidiu convocar o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, para prestar esclarecimentos sobre a publicidade da instituição no Jornal da Cidade. O site foi classificado na conta do Twitter Sleeping Giants Brasil como propagador de notícias falsas. Após a denúncia do Sleeping Giants, o BB agradeceu o alerta e respondeu que bloquearia as veiculações na página. Logo em seguida, porém, o filho do presidente Bolsonaro, vereador Carlos Bolsonaro, criticou, na mesma rede social, a decisão do BB. A “bronca” teve efeitos imediatos. Rubem Novaes afirmou que manteria o anúncio no site de fake news.

A diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Goretti Barone, destaca que outras empresas que estão sendo alertadas pelo Sleeping Giants por terem suas marcas associadas a sites propagadores de notícias falsas têm se apressado para bloquear os anúncios, demonstrando preocupação em preservar as imagens das corporações junto à sociedade.

“O Sindicato vai acompanhar de perto o desdobramento desse caso e cobrar providências das autoridades. Enfrentamos uma pandemia sem precedentes que já matou mais de 23 mil pessoas no Brasil. Uma crise de saúde pública com graves impactos sociais e econômicos. Um em cada 4 brasileiros tenta sobreviver com menos de R$ 420,00 por mês, micros e pequenas empresas estão quebrando todos os dias. É inaceitável que uma empresa pública use dinheiro do povo para financiar um site de notícias falsas que presta um desserviço à população. A família Bolsonaro precisa ser responsabilizada por ingerir na gestão do BB”, critica a dirigente.

TCU vai investigar

Além da CPMI da Fake News, a repercussão da interferência da família Bolsonaro na gestão do BB também vai ser investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O subprocurador Lucas Furtado pediu que o TCU investigue e tome medidas contra a família do presidente Bolsonaro e Fábio Wajngarten, chefe da Secretaria Especial de Comunicação (Secom), que teria pressionado o BB para recuar e manter a publicidade no Jornal da Cidade, que funciona como braço ideológico do governo Bolsonaro.

O subprocurador requer que o TCU intervenha para que o BB mantenha o veto ao anúncio no site difusor de notícias falsas, bem como em qualquer outro com conteúdo suspeito. Furtado ainda pede multa e até o afastamento de Wajngarten da chefia da Secom.

No Twitter, Wajngarten escreveu que a decisão foi interna do banco e nega que houve interferência de fora. Ele ainda alegou que as denúncias contra o Jornal da Cidade, que já foi condenado pela publicação de fake news, tem viés ideológico.

“Basta correr rapidamente os olhos pelo Jornal da Cidade para confirmar que se trata de um site que distorce ou publica informações falsas para promover o governo Bolsonaro. Viés ideológico tem o site, não a denúncia. Estamos falando de uma publicação panfletária que promove as ações do presidente. Diferentemente do que disse o chefe da Secom, o BB recuou após a queixa da família Bolsonaro. Ficou evidente que houve interferência externa”. Goretti acrescenta que as investigações do TCU e da CPMI da Fake News devem esclarecer os fatos.

ANABB cobra auditoria

A ANABB também repercutiu a publicidade ilegal e cobrou atuação do Conselho de Administração do BB, apontando descumprimento de normativos internos do banco por investimento em site de teor político-partidário e associado à divulgação de fake news pela instituição.

No documento enviado ao CA do BB, a ANABB pede auditoria interna para apurar a veiculação de publicidade no Jornal da Cidade e quais os novos procedimentos internos para coibir tal prática; requer também esclarecimentos aos acionistas e à sociedade brasileira de que forma o BB está se resguardando para não veicular publicidade institucional ou mercadológica nessas plataformas, de modo que os recursos investidos em publicidade sejam totalmente transparentes como exigem os órgãos de controle, a exemplo do Tribunal de Contas da União; e solicita ainda que seja apresentado aos acionistas, no âmbito do Conselho de Administração, a política de investimentos do BB em mídia, sobretudo em sites e plataformas digitais.