Cinco agências do Banestes serão transformadas em agências de negócios a partir de julho. O anúncio foi feito pelos representantes do Banestes após serem confrontados sobre o tema em mesa de negociação com Sindibancários/ES, na última semana. A mudança atingirá as unidades Moscoso e Santo Antônio, em Vitória, Cariacica Sede, em Cariacica, Porto Canoa, na Serra, e Juparanã, em Linhares.
O plano de expansão do segmento de negócios não para por aí. Outras duas agências devem ser migradas até setembro: a agência Ceasa, em Cariacica, e a Esplanada, no Centro de Vitória.
Para o Sindibancários/ES, as mudanças sinalizam para uma descaracterização da função pública do Banestes e acende o alerta para o risco de privatização do banco.
“É o banco assumindo uma estratégia de mercado em detrimento de sua função pública e social. O atendimento à população em geral será reduzido, priorizando a venda de produtos bancários, como fazem os bancos privados”, explica Jonas Freire, coordenador geral do Sindicato.
As agências de negócios possuem atendimento focado na comercialização de produtos e serviços, como contratação de crédito consignado ou pessoal, seguros, capitalização, previdência e linhas de crédito empresarial.
Segundo Jonas, a estratégia de negócios está combinada com o processo de expulsão dos clientes das agências e de ampliação da terceirização. “Com uma rede de atendimento menor, os clientes são empurrados para os correspondentes bancários, onde enfrentam filas, ficam expostos ao tempo e, sobretudo, à insegurança. Enquanto isso, o banco deixa de contratar novos empregados, ou seja, mantém um quadro interno sobrecarregado, enquanto amplia os serviços terceirizados e precários para onde direciona os clientes menores”, critica.
O problema da insegurança não fica restrito aos correspondentes bancários. Nas agências de negócios, que não possuem o serviço de caixa, os vigilantes são dispensados sob argumento de não haver circulação de numerário. “Muitas dessas unidades, no entanto, mantêm os caixas eletrônicos, que frequentemente são alvos de assaltantes, o que eleva o risco para empregados e clientes que usam o serviço do banco”, ressalta Jonas.
Papel social do Banestes precisa ser fortalecido
Na avaliação do Sindicato, a manutenção de uma rede de agências forte e ampla é característica fundamental para a cumprimento da função social do Banestes, papel que precisa ser fortalecido.
“O Banestes é o único banco presente nos 78 municípios capixabas. Teve papel destacado no socorro às famílias e empresas que sofreram com os efeitos das chuvas que atingiram o Espírito Santo no último verão, assim como na concessão de crédito para setores produtivos durante a crise econômica agravada pela pandemia de coronavírus. Garantir os serviços bancários para a população e democratizar o acesso ao crédito é essencial para o desenvolvimento socioeconômico do Espírito Santo, e isso tem que ser prioridade na gestão do banco público”, diz o coordenador geral do Sindicato.
Durante a reunião com representantes do banco, o Sindicato questionou a estratégia de esvaziamento do banco, lembrando que a mudança vai na contramão do compromisso assumido pelo Governador Renato Casagrande durante a campanha eleitoral, de fortalecer o Banestes como banco público e estadual.
“Nossa preocupação é que o banco perca sua característica fundamental, se confundindo com um banco privado e dando margem para uma futura privatização”, disse o coordenador geral do Sindicato, fazendo referência à fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o Banco do Brasil. Em reunião ministerial com o presidente Jair Bolsonaro, Guedes defendeu a privatização do BB afirmando que o banco “não é tatu nem cobra, porque não é privado, nem público”, e que era um caso pronto de privatização.
Jonas lembra que a política de enfraquecimento do Banestes vem sendo implementada pelo governador Renato Casagrande a conta-gotas, através do fechamento de agências e da migração de unidades importantes para o segmento de negócios.
O fechamento da agência Graciano Neves, no Centro de Vitória, é um caso emblemático. A unidade era rentável, estava instalada há mais de 40 anos no local e atendia a cerca de 6 mil correntistas, entre moradores e comerciantes da região. Uma ampla mobilização marcou a luta contra o fechamento da agência, efetivada pelo banco no dia 10 de janeiro, apesar do apelo em contrário. Caso as agências Moscoso e Esplanada sejam transformadas em unidades de negócios, a população do Centro de Vitória ficará com apenas uma agência – a Central, na Praça Oito – para atendimento ao público.
Em maio de 2017, o Sindicato conseguiu reverter, em articulação com moradores, associações comunitárias, pequenos comerciantes e vereadores locais, o fechamento do posto bancário de Barra do Riacho, em Aracruz, mas a unidade foi posteriormente convertida em unidade de negócios, prejudicando o atendimento bancário à população local.
Para Jonas, os resultados do Banestes não justificam a política de esvaziamento do banco. Só no primeiro trimestre do ano, o banco apresentou lucro de R$ 83 milhões, um resultado 30,2% maior que o alcançado no mesmo período do ano passado. “Mesmo com a crise econômica o banco segue lucrando, um resultado que também pode ser atribuído ao trabalho dos empregados e à capilaridade do banco, graças ao seu enraizamento em todo o Espírito Santo e à centralidade que ocupa na economia capixaba. Ao invés de especializar a atuação do banco em um segmento mais elitizado, o governo deveria reverter esse lucro na ampliação da rede de agências, na valorização dos empregados e no fortalecimento do Banestes como banco dos capixabas”, conclui Jonas.
O Sindicato irá oficiar o Banestes e o Governo do Estado se posicionando contra a conversão das unidades em agências de negócios e pedindo esclarecimentos sobre as medidas de segurança que serão adotadas, já que a ausência de vigilantes nas unidades traz novos riscos a bancários e clientes.











