Presidente do BB volta a defender a privatização do banco

12/06/2020 17:54

Rubem Novaes, mais uma vez, desconsiderou a realidade do BB e mentiu ao classificar o banco como atrasado tecnologicamente

O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, voltou a defender a privatização da instituição. As críticas ao BB e a defesa de abertura de venda das ações foram feitas durante a audiência pública da comissão mista do Congresso que acompanham as medidas do governo Bolsonaro no combate ao coronavírus, realizada na última segunda-feira, 08.

Com um discurso falacioso e altamente ideológico, Novaes insiste na tese de que o BB  é atrasado tecnologicamente, o que, segundo ele, dificulta a atuação do banco no mercado tão competitivo. Os resultados apresentados pelo BB, no entanto, contradizem Novaes e provam a forte e importante atuação que o BB tem na economia brasileira. Somente no primeiro trimestre deste ano, o BB lucrou R$ 3,395 bilhões.

“O BB é altamente lucrativo e fundamental para a execução de políticas públicas, principalmente no setor agrícola. Na área tecnológica, é referência para outros bancos e desponta entre os mais avançados do setor. O argumento do presidente de que o BB é atrasado, cheio de entraves, é, portanto, uma mentira. Esse discurso que embasa a privatização do banco é totalmente ideológico, fundamentado apenas nos ideais ultraliberais, de entrega do patrimônio público ao setor privado, que norteiam a política econômica do governo Bolsonaro”, enfatiza o diretor do Sindibancários/ES, Thiago Duda.

Hoje, 50% do banco já estão nas mãos do setor privado. Além disso, Bolsonaro já anunciou a intenção de privatizar as empresas subsidiárias do banco, apesar de serem altamente lucrativas. A proposta de Rubem Novaes é implantar o modelo de Corporation, onde há um controle pulverizado das ações do banco nas mãos setor privado, reduzindo, consequentemente o controle estatal da empresa. O resultado dessa abertura de venda de ações é o atrelamento ainda maior do banco à linha do mercado em detrimento do seu papel social como banco público.

“Hoje, o banco já tem uma gestão fortemente alinhada com o mercado, com imposição de metas para os bancários, foco em vendas e negócios, ampliação das agências digitais, entre outras medidas. Esse modelo tem causado cada vez mais o adoecimento de bancários e bancárias, além de reduzir o papel social do banco”, destaca a diretora do Sindibancários/ES, Evelyn Flores

Veja também:

Guedes: “É preciso vender logo a porra do Banco do Brasil”

Bolsonaro nega venda do BB, mas encaminha privatização da DTVM