Mais que desrespeitosa, a atual gestão da Caixa tem sido extremamente nociva à saúde dos bancários e bancárias. Sobrecarga de trabalho, pressão por metas e extensão além do limite da jornada de trabalho. Essa é a realidade dos empregados e empregadas da Caixa, que além de enfrentarem graves problemas provocados pela má gestão do banco, estão expostos diariamente ao risco de contaminação pela covid-19 para garantir o atendimento a milhares de brasileiros que buscam o auxílio emergencial.
Como se não bastasse a exaustiva carga de trabalho durante a semana, com quase todos os bancários fazendo hora extra, tem sido recorrente a convocação para trabalho aos sábados. No último final de semana, longas filas se formaram em agências da Caixa em todo o Brasil. No Espírito Santo não foi diferente. A concentração do pagamento do auxílio emergencial na Caixa e a falta de gestão têm levado os empregados ao adoecimento.
“Diante dessa pandemia e com milhares de trabalhadores desempregados, sem renda, os serviços da Caixa tornarem-se essenciais, já que o pagamento do auxílio emergencial foi concentrado no banco. No entanto, mesmo desempenhando uma função tão importante e se expondo ao risco de contaminação pela covid-19, os bancários da Caixa ainda têm que lidar com uma gestão truculenta, áspera, intransigente e que diariamente desrespeita os direitos dos trabalhadores. Trabalhar aos sábados desrespeita a nossa jornada e tem levado muitos empregados ao limite da exaustão. Essa situação é inaceitável, os bancários merecem respeito e vamos continuar lutando pelo fim da extensão da jornada, da cobrança de metas e desse modelo de gestão adoecedor”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.
Em nota publicada no último sábado, 25, a Federação Nacional das Associações de Gestores (Fenag) destaca os abusos provocados pela atual direção da Caixa, que se mantém fechada ao diálogo com a categoria enquanto implementa uma série de medidas autoritárias.
“(...)chegaram novas denúncias de convocação por telefone, aos gerentes das unidades que estarão fechadas amanhã (25/07), a se dirigirem para trabalhar em unidades que estarão funcionando. Alguns deles precisarão se deslocar para outras Cidades, E TUDO ISSO SEM FORMALIZAÇÃO ALGUMA, com o nítido intuito de dificultar, no futuro, a prova sobre a justa paga pelos trabalhos prestados! Desde o início da Pandemia e dos pagamentos do Auxilio Emergencial, os gerentes são obrigados a comparecer na agência às 07 horas da manhã, registrando fotos das unidades e obrigados a permanecer, no mínimo até as 17 horas para assistir a vídeos ao vivo (lives) que se iniciam após as 16 horas, muitas vezes sem nem conseguir intervalo para almoço. Muitos estão estendendo as jornadas para além das 21h, 22h, todos os dias, já em casa, de modo a dar conta de todas as rotinas da agência. Uma rotina diária de 15h que muitos de fato praticam, sem o devido descanso, está exponenciando as situações de adoecimento e estafa”, diz trecho da nota.
O desabafo recente de uma bancária nas redes sociais confirma essa realidade cruel enfrentada pelos bancários da Caixa. Em um dos trechos, ela diz: “Mas o que a Caixa quer na pandemia não é gestão, é milagre, é o impossível. Todas as atividades nas mãos do gestor. TO-DAS. (...) Tudo isso entregando 100% dos resultados exaustivamente cobrados, expostos diariamente a uma doença ainda pouco conhecida e com energia positiva. Vocês vão nos matar!”,
Metas
Para completar o pacote de maldades, a atual direção da Caixa também aumentou as metas, mesmo diante da pandemia, da crise econômica e da escassez de empregados. De acordo com os bancários, há produtos em que o aumento foi de 200%. O assédio da direção para que as metas sejam alcançadas é recorrente e tem tornado o ambiente de trabalho cada vez mais pesado. Em outro trecho da nota, a Fenag também critica essa postura da Caixa:
“De maneira incrível e totalmente incompatível com a realidade de pandemia em que vivemos, a Caixa resolveu aumentar as metas de produtividade, impondo limites que beiram o absurdo – há produtos em que a meta foi “dobrada para 200%”, num momento em que os clientes estão fragilizados e os recursos sumiram de circulação!”.
O Sindibancários/ES orienta os bancários e bancárias a denunciarem qualquer medida que viole os direitos da categoria, como desrespeito à jornada de seis horas, mensagens no telefone particular fora do horário de expediente, falta de equipamentos de proteção e desrespeito ao protocolo de atendimento durante à pandemia. Denúncias podem ser feitas à Secretaria de Saúde do Sindicato por meio do Canal de Denúncias ou dos telefones (27) 9 9961-4185 ou 3331-9980.
Confira a nota completa da Fenag









