Aumento da sobrecarga de trabalho profissional e doméstico, desemprego, maior exposição à covid-19, aumento da violência, precarização das condições de trabalho. É difícil encontrar uma mulher nesta pandemia do novo coronavírus que não esteja enfrentando um desses problemas. Nesta edição, o Mulher 24 Horas debate como a realidade das mulheres está sendo afetada na maior crise sanitária dos últimos cem anos.
O aumento da violência é uma das consequências. Se antes do isolamento social, interromper o ciclo de agressão já era desafiador, por questões diversas, agora com a pandemia, essa ruptura ficou ainda mais difícil. Sem contato com familiares e amigos e convivendo com os companheiros por períodos mais longos, muitas mulheres tiveram o drama da violência ampliado na pandemia. Dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos revelam um aumento de quase 40% de denúncias de violência contra mulheres recebidas no canal 180 no mês de abril deste ano, comparando com o mesmo período de 2019.
Para quem convive com o agressor, portanto, a casa não é o local mais seguro para se abrigar durante a pandemia. A situação se torna ainda mais complicada para as mulheres da periferia e aquelas que enfrentam o desemprego. Vulneráveis economicamente, elas se veem imersas em um ciclo de tensão, medo e violência.
A pandemia da covid-19 também trouxe à tona outra realidade perversa. Em tempos de crise, as mulheres são as primeiras a serem expulsas do mercado de trabalho. Com a pandemia, que agravou a crise econômica já em curso, não seria diferente. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc), cerca de 7 milhões de mulheres saíram do mercado de trabalho no início da quarentena no Brasil, na segunda quinzena de março, seja porque foram demitidas ou por terem dificuldades de se manterem no trabalho por conta dos serviços domésticos, cuidados com os filhos ou outros familiares. Entre os homens, esse número gira em torno de 5 milhões. Entre janeiro e março, o número de mulheres que perderam o emprego foi 25% superior ao de homens.
Esta edição do Mulher 24 Horas também traz para o centro do debate a participação das mulheres nos serviços essenciais. Seja nos cuidados com a casa e com os filhos, na saúde, na assistência social, em inúmeras funções vitais para a sobrevivência humana, lá estão elas! No entanto, a diferença salarial entre homens e mulheres ainda é gritante: de acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o rendimento das mulheres foi 22% menor do que os homens no último trimestre de 2019. Especialistas da ONU Mulher já alertam que essa diferença tende a se acentuar no mundo inteiro devido à pandemia.
Os desafios do trabalho remoto para as mulheres também estão na pauta desta edição. Com a necessidade do isolamento social, muitas tiveram que se adaptar a uma nova rotina da noite para o dia, tentando conciliar no mesmo ambiente a atividade profissional, o serviço doméstico e os cuidados com a família. Bancárias capixabas compartilharam como estão lidando com essa nova realidade. Confira!










