O Banco do Brasil não mediu esforços para obrigar bancários e bancárias coabitantes com pessoas do grupo de risco para agravamento da covid-19 a retornarem ao trabalho presencial. A direção do banco conseguiu nesta terça-feira, 15, uma liminar na Corregedoria do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que suspendeu os efeitos da liminar obtida no mandato de segurança em processo judicial movido pelo Sindibancários/ES.
Como se não bastasse essa ação contra os empregados, a direção do banco convocou os bancários mesmo antes da divulgação oficial da decisão, que será nesta quarta-feira, 16, em total desrespeito aos procedimentos legais. Apesar dessa correição obtida pelo BB, o processo movido pelo Sindicato para garantir o direito ao home office para esses bancários continua tramitando. Assim que o Sindicato for notificado sobre a decisão do TST, entrará com recurso.
“Essa postura da direção do BB é um desrespeito à vida dos empregados e empregadas do banco e de seus familiares. Caso um bancário que coabite com pessoas do grupo de risco seja contaminado pela covid-19, ele pode colocar em risco a vida de seu familiar. O BB se responsabilizará pelas consequências dessa medida insana? O Sindicato continuará lutando para que o respeito à vida prevaleça e que esses bancários tenham garantido o direito a permanecerem em home office”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Goretti Barone.
Ação do Sindicato
No último dia 22 de agosto, a desembargadora Federal do Trabalho da 17ª Região, Daniele Correa Santa Catarina, deferiu liminar favorável aos bancários em ação judicial movida pelo Sindibancários/ES, que pleiteou o direito para os empregados coabitantes com pessoas do grupo de risco de permanecerem em home office durante a pandemia. A ação foi movida pelo Sindicato após a direção do BB, no final de julho, ter enviado comunicado aos gestores para que convocassem esses bancários para retorno ao trabalho presencial.
A medida gerou pânico entre esse grupo de empregados, uma vez que colocava em risco a saúde de seus familiares. Dirigentes do Sindibancários/ES chegaram a se reunir com a Superintendência Estadual do Banco do Brasil para tentar reverter a aplicação da medida. No entanto, não houve avanços e foi preciso entrar com ação judicial para garantir esse direito aos bancários.

