Dirigentes do Sindicato cobram da Superintendência da Caixa melhorias nas condições de trabalho

18/09/2020 16:17

Respeito ao rodízio, às normas de atendimento nas agências e capacitação dos bancários em home office foram algumas das questões discutidas na reunião

Diretores e diretoras do Sindibancários/ES se reuniram na manhã dessa quinta-feira, 18, com o Superintendente Regional da Caixa, Denis Mendes de Melo Matias, para discutir diversas questões que têm prejudicado as condições de trabalho dos bancários e bancárias capixabas, como cobrança de metas e desrespeito ao rodízio nas agências.

O Sindicato recebeu diversas denúncias de bancários sobre mensagens enviadas pela superintendência para cobrar metas, inclusive após as 18 horas. “A linguagem utilizada nessas mensagens ora soa agressiva, ora como infantilização dos gestores. Cobramos também o respeito ao expediente do bancário para envio de qualquer mensagem relacionada ao trabalho”. Após ser questionado pelos diretores do Sindicato, o superintendente se comprometeu a revisar os conteúdos e a respeitar o horário de expediente dos empregados para envio de mensagens.

A burla do rodízio em muitas unidades foi outro ponto discutido com o superintendente. Em função da pandemia, os gerentes de agência devem respeitar a circular emitida pela Caixa que determina o rodízio com 70% dos empregados em home office e 30% em trabalho presencial. Diante da denúncia do descumprimento da medida, Matias garantiu que irá construir uma metodologia para que o rodízio seja realizado em todas as unidades.  

Atendimento nas agências

Com a concentração do pagamento do auxílio emergencial na Caixa, o cotidiano nas agências é de superlotação de clientes. No entanto, de acordo denúncias enviadas ao Sindicato, nem sempre as pessoas que esperam nas longas filas são prioridades no atendimento. É cada vez mais comum que clientes que buscam outros serviços sejam atendidos prioritariamente.

“Cobramos que seja formalizado um modelo padrão de atendimento nas agências e que os beneficiários do auxílio emergencial sejam prioridade, conforme os normativos da Caixa. Afinal, esse é o serviço essencial neste momento. Outras demandas, como da área comercial, devem ser encaminhadas para atendimento via outros canais disponibilizados pelo banco. É preciso respeitar as pessoas que estão nas longas filas para recebimento do benefício e os bancários que já enfrentam uma sobrecarga de trabalho nas agências. Por isso não é cabível que fique a cargo dos gerentes gerais deliberar sobre quem é prioridade no atendimento”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Rita Lima.

Férias dos gerentes

Outra questão discutida na reunião foi a imposição de ter apenas um gerente geral de férias por mês na superintendência regional. Os diretores do Sindicato reivindicaram que seja construída uma escala de férias a partir do diálogo e da necessidade dos gerentes gerais, sem que prevaleça apenas o interesse do banco. O superintendente Matias se comprometeu a conversar novamente com os superintendentes estaduais de varejo e orientar para que as férias dos gerentes gerais sejam marcadas a partir da conciliação dos interesses da Caixa e dos empregados.

Entraves do home office

A falta de treinamento para os bancários em home office sobre o uso da ferramenta Interaxa também foi colocada em discussão durante a reunião.  Apesar de ter sido criada antes da pandemia, essa ferramenta foi implantada amplamente de forma abrupta, sem nenhuma capacitação para os bancários.

“A Caixa disponibilizou manuais, vários vídeos, mas não capacitou. Essa ferramenta permite fazer contratações de uma série de serviços em que é preciso verificar informações com os clientes para garantir a segurança. Mas a Caixa não treinou os bancários e informou sobre essas regras. Essa situação pode levar um bancário a cometer erros, não identificar o cliente da forma correta e sofrer fraude”, frisou o diretor do Sindibancários/ES, Igor Bongiovani.

O superintendente Matias reconheceu essas falhas e se comprometeu a iniciar na próxima semana, junto com as Superintendências Estaduais de Varejo (SEV’s), um treinamento sobre uso dessa ferramenta para os empregados.

Além desse problema, os dirigentes do Sindicato também expuseram os entraves com frequentes quedas no sistema do banco enfrentados pelos bancários em home office. “É comum o sistema cair no meio do atendimento, seja por conta de falha do sistema ou por queda da rede da internet do bancário. Essa questão é muito séria pois pode inviabilizar uma operação que o cliente estava fazendo. Além do registro de reclamações, o banco também pode sofrer processos judiciais em função dessa falha. Registramos esse problema na reunião, que junto com a falta de treinamento, tem sobrecarregado e exposto ao erro os bancários em home office”, destaca Bongiovani.