A campanha salarial dos bancários e bancárias neste ano foi desafiadora. Além da pandemia, que empurrou a categoria para o home office e forçou rodadas de negociação virtuais, os bancos jogaram pesado contra os trabalhadores. Desde o início das negociações, os bancos insistiram na retirada de direitos, como corte da PLR e reajuste zero, e negaram a garantia de emprego até o final da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). A regulamentação do home office, importante reivindicação da categoria, também ficou de fora da CCT.

A intransigência dos bancos e o ataque aos direitos dos bancários foram derrubados pela pressão da categoria bancária, que participou ativamente das assembleias e das atividades nas redes sociais. Na proposta final a Fenaban manteve o formato da PLR e propôs um reajuste abaixo da inflação, de apenas 1,5%, mais abono de R$ 2 mil. A categoria bancária garantiu os direitos já conquistados, mas amargou perdas econômicas.

Representante dos bancários capixabas no Comando Nacional, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), votou pela rejeição à proposta final, mas foi voto vencido, já que a maioria do Comando deliberou por orientar a aprovação. Diante do lucro bilionário dos bancos, mesmo em meio à pandemia, a defesa do Sindibancários/ES sempre foi pela ampliação de direitos e por valorização salarial, como frisa Carlão. O setor bancário se mantém como o mais lucrativo da economia brasileira. No primeiro semestre de 2020 o lucro dos cinco maiores bancos passou de R$ 34 bilhões.

“Na assembleia, fizemos duras críticas à proposta da Fenaban, que traz perdas econômicas para os trabalhadores. O reajuste salarial não repõe sequer a inflação e não conseguimos avançar em pontos cruciais, como a garantia de emprego. Para nós, a opção do Comando deveria ter sido a luta com movimento grevista para pressionar ainda mais os banqueiros. Mas a maioria votou por aceitar o acordo mesmo sem testar a categoria. Diante disso, e apesar de ter ciência de que seria um acordo rebaixado, orientamos a aprovação, pois uma possível rejeição nos colocaria em uma luta isolada. Os bancários capixabas entenderam essa conjuntura desafiadora e aprovaram a proposta”, explica Carlão.

Devido à pandemia da covid-19, a assembleia de votação foi virtual. No total, 62% dos bancários e bancárias capixabas votaram a favor da minuta da Fenaban, 36,2% foram contra e 1,75% se abstiveram.  O reajuste aprovado foi de 1,5% mais pagamento de R$ 2 mil de abono. Os direitos já conquistados foram mantidos.

Confira AQUI a Convenção Coletiva de Trabalho 2020-2022