O Banco do Brasil entrou com um processo administrativo contra a bancária Thais Menezes. Motivo: a delegada sindical teria exigido que o banco cumprisse os protocolos sanitárias de prevenção à covid-19 para proteger as vidas dos trabalhadores lotados no Complexo do BB Verbo Divino, em São Paulo (foto abaixo). O Sindicato dos Bancários/ES registra sua solidariedade à bancária e repudia a retaliação do BB a uma iniciativa legítima da delegada sindical.

Thais Menezes, segundo informações publicadas no site do Sindicatos dos Bancários de Bauru, teria denunciada seguidas vezes as péssimas condições de trabalho no Complexo Verbo Divino e exigido providências da direção do BB. Ainda segundo as denúncias, muitos empregados das empresas terceirizadas fazem parte dos grupos de risco, mas mesmo assim são obrigados a trabalhar em condições precárias. A delegada teria criticado também a gerência do Complexo, que sequer estaria seguindo os protocolos de segurança estabelecidos pela direção do banco, expondo trabalhadores e clientes ao vírus.

O diretor do Sindicato dos Bancários/ES, Thiago Duda, disse que é comum que empregados terceirizados acabem trabalhando integrados com os bancários. “Na teoria é uma coisa, mas no dia a dia os terceirizados acabam, por exemplo, dividindo espaço na agência com os empregados do banco. É óbvio que não cabe, de modo algum, questionar se a delegada sindical está cobrando medidas sanitárias do banco para proteger a saúde de empregados do BB ou terceirizados. Antes de mais nada ela está reivindicando o cumprimento de protocolos sanitárias para proteger vidas em meio a uma pandemia se precedentes. Mesmo porque, o vírus não pergunta o tipo de vínculo empregatício antes de contaminar A ou B”.

A também dirigente do Sindicato, Goretti Barone, vai na mesma linha. Ela enfatizou que Thais estava cumprindo legitimamente sua atribuição sindical de proteger a vida dos trabalhadores que atuam no Complexo Verbo Divino e passaram a ficar mais vulneráveis ao vírus em decorrência do não cumprimento dos protocolos sanitários. “Não importa se o trabalhador é empregado do BB ou terceirizado. Isso não vem ao caso. Primeiramente, estamos falando de saúde pública, que independe de categoria à qual o trabalhador está vinculado. O BB, sobretudo por ser uma empresa pública, tem a obrigação de assegurar a sustentabilidade e saúde das pessoas que circulam por suas instalações”, ressaltou Goretti.

Duda acrescentou que o episódio envolvendo a delegada é mais um ato autoritário para coibir a atividade sindical. “Bolsonaro, desde seu primeiro dia de governo, vem atacando a classe trabalhadora. Enfraquecer a luta sindical para quebrar a resistência às políticas que atacam os direitos dos trabalhadores faz parte dessa estratégia”, assinalou Duda

“Não podemos tratar o caso da Thais como um fato isolado ou corriqueiro. Temos que repudiar com veemência e apoiá-la para que esse episódio de represália à atuação sindical não vire uma prática”, completou Goretti.