Sindicato discute condições de trabalho com Superintendência BB

07/10/2020 18:18

A Gepes também participou da reunião virtual dessa segunda, 5, que discutiu com os diretores do Sindicato questões como o uso de máscaras, metas e ranking e avaliação de desempenho

Diretores do Sindicato dos Bancários/ES se reuniram virtualmente nesta segunda-feira, 5, com a Superintendente Estadual do Banco do Brasil, Ana Paula Matos, e com a gerente da Gepes Sudeste Litoral, Juliana Martino. Pelo Sindicato participaram os diretores Goretti Barone, Dérik Bezerra e Thiago Duda. Na pauta, questões como o uso de máscaras, condições de trabalho, metas e ranking, avaliações de desempenho e correspondente bancários

Uso de máscaras – Os diretores do Sindicato relataram que o uso de máscara não está sendo seguido à risca em algumas agências do BB. Citaram como exemplos os casos da agência Estilo da Praia da Costa, em Vila Velha, e do Escritório Exclusivo Pessoa Física (Pio XII), em Vitória. Goretti destacou que o uso de máscara, além de ser uma recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), também é um protocolo sanitário do banco que deve ser respeitado. “Ao não usar a máscara o funcionário põe em risco a sua saúde, a do colega e a do próprio cliente. O uso de máscara ainda é uma das medidas mais efetivas para a prevenção do coronavírus”, advertiu

A gerente da Gepes concordou com a obrigatoriedade do uso da máscara e prometeu que iria reforçar o aviso aos gerentes, mas explicou que as duas agências citadas não estavam mais sob a gestão da Superintendência Estadual. Juliana Martino ficou de fazer a ponte com a gerência responsável para encaminhar a demanda.

Condições de trabalho – O relato dos diretores do Sindicato apontou que as áreas de autoatendimento das agências estão concentrando um número excessivo de clientes. Esse excesso está impedindo que o distanciamento social, como está previsto no protocolo sanitário do banco, seja cumprido. “É muito importante que os protocolos sejam rigorosamente cumpridos para resguardar a saúde dos empregados que estão na linha de frente. No autoatendimento, a natureza do trabalho de triagem e o espaço físico já são fatores de risco. Se os protocolos não são cumpridos o empregado acaba ficando mais vulnerável aos vírus”, advertiu o diretor sindical Thiago Duda.

O dirigente cobrou que haja maior sintonia entre a gerência da PSO (Plataforma de Suporte Operacional) e os gerentes das agências. “É importante que essas gerências trabalhem de maneira mais integrada, harmônica e colaborativa. Cobramos também um critério de trabalho mais padronizado nas agências, especialmente nesse período de pandemia”, assinalou Duda.

Os diretores informaram ainda à superintendente que em algumas agências os vigilantes têm feito o trabalho de triagem de clientes. “O segurança não pode exercer outra função que não a relacionada à segurança em si. Há normas internas e externas que regulamentam essa função de segurança. A triagem é função específica dos bancários do BB”, enfatizou Duda.

Metas/ranking – Um tema bastante polêmico abordado na reunião se referiu ao programa “Tô Ligado”. Os diretores sindicais relataram que o BB está expondo os funcionários em ranking individual no sistema. Segundo os dirigentes, a prática fere a cláusula 23ª do ACT, que define que os bancos, no monitoramento de resultados, não podem expor publicamente o ranking individual dos seus funcionários. Já a cláusula 39ª da CCT da categoria bancária também proíbe a exposição do ranking individual.

A superintendente Ana Paula Matos justificou que o programa não tem o propósito de expor o empregado. Mas os diretores insistiram que o programa expõe os nomes e a classificação dos empregados nas telas do sistema, permitindo que a informação fique acessível a todos. “Manter essa informação sob sigilo reduz o assédio moral e cobranças abusivas, que muitas vezes causam o adoecimento do empregado”, alertou Goretti.

Avaliações – A dirigente acrescentou também que as avaliações estão sendo usadas como instrumento de pressão para o cumprimento de metas e consequentemente de assédio e não para o aperfeiçoamento do empregado. “As avaliações jamais podem ter caráter punitivo, senão vira assédio e causa adoecimento nos empregados. Já existe uma pressão colocada pela pandemia, que cria uma situação de tensão e estresse no dia a dia. Essa pressão inerente da pandemia é redobrada pela cobrança abusiva por metas”, sublinhou a dirigente.

Coban – A questão dos correspondentes bancários também foi ponto de pauta na reunião virtual dessa segunda. Os dirigentes sindicais relataram que os correspondentes estão desenvolvendo serviços em algumas agências. Segundo eles, essa situação, agravada pela pandemia, tem sido mais um gatilho de estresse para os empregados do BB.

“Os correspondentes bancários deveriam usar a agência especificamente para a atividade de consulta/cadastro. Mas o que deveria ser exceção virou regra. Eles acabam atuando nas salas de autoatendimento e até nas mesas de trabalho. Há regulamentação do banco Central para a função que não está sendo cumprida. Cabe ao banco coibir os excessos, uma vez que a prática traz para o ambiente interno uma concorrência de venda de produtos e serviços que prejudica a realização das tarefas dos empregados do banco”, assinalou Goretti.

Ana Paula concordou que o correspondente deve usar as dependências da agência em situações específicas. A superintendente lembrou que os correspondentes devem atuar aonde o banco não chega. Ela foi categórica ao afirmar que o correspondente bancário não deve atuar dentro da agência e vai orientar as gerências a cumprirem o que determina a norma do Banco Central.