Até esta quarta-feira, 14, o Brasil tem mais de 5 milhões de casos confirmados de covid-19 e os óbitos já passam de 151 mil. No Espírito Santo, são mais de 140 mil casos e 3.680 mortes. Nas últimas 24 horas, 21 capixabas perderam a vida para o vírus e foram registrados 946 novos casos. A ocupação dos leitos de UTI-covid na região metropolitana já é superior a 85%. A taxa de mortalidade da doença no Estado é de 2,6%. Isso significa que de cada 1.000 pessoas infectadas, 26 vão perder a luta contra a covid.
Esses dados, porém, tanto no Brasil como no Espírito Santo, parecem não assustar uma representativa parcela da população, que decidiu desafiar o vírus de peito aberto. Com as vacinas sendo ainda uma promessa, hoje, como no início da pandemia, a realidade é impiedosa: não há cura para a doença. Mas, a partir desse falso contexto de normalidade, com bares, shoppings, escolas e até cinemas funcionando, muitas pessoas questionam o motivo de os bancos ainda manterem o atendimento contingenciado, controlando o fluxo de clientes e usuários dos serviços bancários nas agências.
A diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Lizandre Borges, admite que o vírus, em alguns estados brasileiros, até se estabilizou, mas os dados apontam que a curva da doença estacionou em patamares ainda muito elevados. “Devemos nos manter em alerta. A covid representa risco de morte e as estatísticas estão aí para quem duvida ou tenta fugir da realidade. Ante a esse contexto de risco iminente, nós, como dirigentes de uma entidade sindical, vamos continuar defendendo a manutenção de medidas sanitárias que protejam a vida dos bancários e das bancárias”, afirma.
Caixa sem ventilação
Lizandre explica que as características arquitetônicas de uma agência bancária favorecem a propagação do vírus. “Uma agência é como uma caixa sem ventilação. Elas são projetadas para proteger o patrimônio e não para proporcionar o conforto e o bem-estar de empregados e clientes. Não há ventilação natural por um motivo simples: não há janelas. Ambientes fechados que dependem de um sistema de ar-condicionado, como algumas pesquisas já alertaram, favorecem a disseminação do vírus”, adverte.
As pesquisas esclarecem que o ar-condicionado em si não é o vilão. O problema é o confinamento coletivo em ambiente fechado com pouca ou nenhuma circulação de ar, caso das agências bancárias. Um artigo científico sobre o restaurante chinês e o ar-condicionado publicado por pesquisadores do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) de Guangzhou, no periódico científico Emerging Infectious Diseases, mostrou os riscos aos quais estão expostas as pessoas que frequentam ou trabalham nesses ambientes.
Os pesquisadores rastrearam clientes que almoçaram em um restaurante, sem nenhuma janela, com exaustores e ar-condicionado central. Um cliente, ainda assintomático, e sua família se sentaram em uma mesa ao lado de outras duas, com distância de cerca de um metro entre elas. As três mesas estavam na reta de um aparelho de ar condicionado. Resultado, nove pessoas sentadas nas mesas próximas à do cliente infectado pegaram covid.
Os autores do estudo apontam que a transmissão não se restringe apenas às gotículas de material infeccioso (como a saliva de uma pessoa contaminada), que têm tamanho maior, correm distâncias menores e duram menos tempo no ar, mas também pelos aerossóis, partículas menores do material infeccioso que ficam suspensas no ar por mais tempo e têm alcance mais distante. No caso do restaurante, os pesquisadores sugerem que os aerossóis possivelmente estavam mais concentrados na área das mesas próximas e podem ter sido lançados pelas correntes do ar-condicionado.
Para Lizandre, o confinamento de pessoas em ambientes sem ventilação natural e dependentes de sistemas de ar-condicionado oferecem risco maior de contágio. “As agências são ambientes de grande rotatividade, muitas unidades têm espaço físico restrito. Se não houver o contingenciamento do atendimento, o risco de contágio aumenta consideravelmente porque as recomendações sanitárias de distanciamento não poderão ser obedecidas. Nunca é demais repetir: ainda não temos vacina; não há cura e a doença continua matando, em média de sete dias, 562 pessoas/dia no Brasil e 9 no Espírito Santo. Em vez de nos deixarmos levar pela onda do ‘já passou’ e normalizarmos a morte, devemos nos lembrar sempre que mais vidas podem ser salvas. E cada vida salva tem valor imensurável”.
Veja na tabela abaixo elaborada pela Universidade do Texas o risco de contágio da covid segundo as atividades












