O governo Bolsonaro não cessa os ataques à Caixa 100% pública. Após suspender a venda de ativos da Caixa Seguridade, o ministro da economia, Paulo Guedes, anunciou na última terça-feira, 19, que o governo planeja entregar também o banco digital da Caixa para o setor privado. Como “bom” banqueiro que é, Guedes avança com o projeto privatista sobre as lucrativas empresas públicas brasileiras, focado apenas em um único objetivo: beneficiar o setor privado financeiro nacional e internacional do qual faz parte.
Desde o início da pandemia, a Caixa vem cumprindo seu papel social com excelência. Bancários e bancárias se dedicaram para avançar na estruturação do banco digital e no atendimento a milhões de brasileiros beneficiados pelo auxílio emergencial. O resultado desse trabalho foi a inclusão bancária de 64 milhões de pessoas. Somente um banco 100% público, com acúmulo de conhecimento e experiência na execução de políticas públicas poderia atender essa demanda da população brasileira em plena crise sanitária.
“Mais uma vez, em um momento de crise, em plena pandemia, a Caixa atua estrategicamente na execução de um programa social que está sendo primordial para a sobrevivência de milhões de brasileiros. Esse é um dos importantes papéis que a Caixa tem como banco público. Nesta crise sanitária, inclusive, para atender a população, centenas de bancários e bancárias da Caixa sacrificaram suas vidas, ficaram expostos nas agências super lotadas e acabaram sendo vítimas da covid-19”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.
Privatizar por quê?
Com o avanço do braço tecnológico, a Caixa se torna ainda mais valiosa, como admitiu o próprio Guedes durante participação em evento organizado pelo Milken Institute:
“O Brasil é uma democracia digital. Na pandemia digitalizamos 64 milhões de pessoas. Quanto vale um banco com 64 milhões de pessoas que foram bancarizadas pela primeira vez e serão leais pelo resto da vida? Estamos planejamento um IPO deste banco digital nos próximos seis meses”, disse.
A declaração do ministro da Economia é no mínimo contraditória. Se o setor é tão valioso e lucrativo, por que privatizar? A resposta está no projeto entreguista do governo Bolsonaro, que visa ceder as empresas públicas brasileiras de qualquer forma e a todo custo para o setor privado.
“Ao mesmo tempo em que a Caixa consegue produzir um ativo tão importante, que gera recursos para o Tesouro Nacional e cumpre um importante papel social, o governo quer entregar o banco de bandeja para os banqueiros privados. Barrar esse processo será mais uma guerra que vamos travar para proteger o patrimônio público dos ataques desse governo entreguista. Não podemos esmorecer e a participação dos trabalhadores da Caixa nessa luta pela Caixa 100% pública é fundamental”, ressalta Lizandre.
Para realizar a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) desse setor, a Caixa precisa desmembrá-lo primeiro da instituição.









