A Comissão de Empresa dos Empregados do Banco do Brasil e o Comando Nacional dos Bancários estão avaliando quais medidas tomar sobre a ampliação do horário de atendimento no BB, estendido até as 15h a partir da última terça-feira, 03. O Sindibancários/ES e a Federação dos Bancários do RJ/ES estão em contado com os representantes nacionais para intensificar as articulações sobre o tema.
A mudança foi comunicada às agências de forma repentina na sexta-feira, 30 de outubro, antes do feriado prolongado, sem comunicação prévia ao movimento sindical ou negociação. Desde março, após intensa cobrança dos representantes bancários para aplicação de medidas de controle à covid-19, o atendimento no BB era realizado das 9 às 14h, sendo a primeira hora dedicada aos atendimentos prioritários, que incluem idosos, gestantes, pessoas com deficiência ou pagamento de benefícios do INSS. Antes, o horário de funcionamento dos bancos era de 10 as 16h.
“A mudança ignora a ameaça de contágio e expõe ainda mais bancários e clientes, contribuindo para maior circulação de pessoas nas ruas e em ambientes de risco, como é o próprio banco. Nosso esforço sempre foi por manter o atendimento restrito ao essencial, para preservar vidas. Essa é mais uma medida irresponsável do governo Bolsonaro diante de uma doença que já matou mais de 160 mil brasileiros”, critica a diretora do Sindicato Goretti Barone, bancária do BB.
Também há preocupação com uma segunda onda da doença, lembra a diretora, como vêm experimentando diversos países Europeus – França, Alemanha, Itália e Espanha são exemplos de países que já retomaram medidas de isolamento após terem aumento significativo no número dos casos de infecção e de óbitos por coronavírus a partir de setembro. O Brasil registrou ontem, 04, um total de 622 mortes e 23.815 novos casos da doença, totalizando 161.170 óbitos provocados pela covid-19.
Sem negociação
A decisão do BB também desrespeitou os espaços de negociação com o movimento sindical. A diretora lembra que foram meses de debate e pressão dos bancários para que os bancos estabelecessem protocolos de segurança nas agências e medidas de prevenção.
“Existe um Comitê de Crise voltado pra debater as questões relacionadas à covid-19 e uma mesa permanente de negociação. A decisão do BB não foi comunicada em nenhum desses espaços. Não houve oportunidade de diálogo nem foi apresentada pelo banco uma justificativa para a flexibilização”, apontou Barone.
Para a diretora, não há cenário que favoreça a flexibilização. “Os índices de contaminação pela doença seguem altos, ainda que estáveis ou regredindo em algumas cidades, e isso pode sofrer variações na medida que o isolamento é flexibilizado, por isso não há motivo para ampliar o horário de atendimento, pelo contrário. A possibilidade de uma segunda onda da doença pede medidas ainda mais duras de proteção”, argumenta.
Sobrecarga pode aumentar
O aumento do horário de atendimento também contribui para a sobrecarga de trabalho nas agências, que estão funcionando com o quadro de funcionários reduzido. “Além do risco da covid-19, podemos ter um quadro maior de adoecimento, já que o número de atendimentos diários vai aumentar e as agências não estão preparadas para essa demanda”, diz.

