Banco do Brasil soma R$ 10,1 bilhões de lucro entre janeiro e setembro

11/11/2020 14:38

Lucro segue em patamar elevado, mesmo na pandemia. Para Sindicato, resultado serve para consolidar banco como empresa pública que deve ser valorizada

Nos nove primeiros meses de 2020, o Banco do Brasil atingiu lucro líquido ajustado R$ 10,189 bilhões. O resultado é 22,9% menor que o do mesmo período do ano passado. Já o balanço do trimestre mostra ascensão: lucro de R$ 3,482 bilhões – 5,2% a mais que o do trimestre anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido (RPSL) ajustado caiu 4,6 pontos percentuais em doze meses, chegando em 10,3%.

A queda no balanço do período foi justificada pelo banco em função das Provisões para Crédito de Liquidação Duvidosa, a “PCLD Ampliada”, que aumento 47,9% no trimestre, mesmo com queda no índice de inadimplência para atrasos superiores a 90 dias.

Para a diretora do Sindicato Goretti Barone, os resultados positivos confirmam que o BB é uma empresa eficiente e sólida, ao contrário do discurso utilizado pelo governo com o objetivo de privatizá-la. Além disso, “como instituição pública, o Banco do Brasil é um instrumento de fomento essencial ao país. É financiador da agricultura, de micro e pequenas empresas e de outros setores produtivos que geram emprego e desenvolvimento econômico e social. Privatizar o BB seria abrir mão desse ativo público e ainda dar de mão beijada ao setor privado uma empresa altamente rentável”, aponta.

A diretora ainda salienta que tal resultado não veio sem ônus para os empregados. “A política de metas continua exigente e, muitas vezes, adoecedora. O BB manteve seu lucro em patamar elevado mesmo com a pandemia. O resultado poderia ser ainda maior não fosse o uso exagerado das provisões para devedores duvidosos. É essa lógica do lucro a todo custo que alimenta práticas de assédio moral e de cobrança que precisam ser combatidas”, critica a diretora.

A sobrecarga de trabalho também pode ser observada nos números do quadro de pessoal. Com relação ao emprego, em um ano (de setembro de 2019 a setembro de 2020), o banco fechou 1.766 postos de trabalho e, em plena pandemia (entre março e setembro de 2020) foram fechados 651 postos de trabalho. “São menos bancários tendo que apresentar resultados cada vez maiores. Por isso a contratação de pessoal é uma pauta urgente”, conclui Goretti.

Outros números do balanço

A carteira de crédito ampliada do BB cresceu 6,4% em doze meses. No segmento de pessoas físicas, cresceu 6,2%, com destaque para o empréstimo consignado (+15,3%) e o crédito renegociado (+20,1%). No segmento de pessoas jurídicas, o crescimento foi de 7,9%, com destaque para o crédito voltado às micros, pequenas e médias empresas, que cresceu 10,5%, especialmente na linha de capital de giro (+24,7%). A carteira do agronegócio (que representa 55,2% do segmento no país) cresceu 4,2% em doze meses, chegando a R$ 190,5 bilhões.

Receitas, despesas

A arrecadação com prestação de serviços e tarifas bancárias somaram R$ 21,3 bilhões, enquanto, as despesas com pessoal, incluindo o pagamento da PLR, totalizaram R$ 16,3 bilhões. Ou seja, apenas com a arrecadação desta fonte secundária, que representa um valor irrisório frente ao total de arrecadação do banco, foi possível cobrir todos os pagamentos aos funcionários do 3º trimestre de 2020 e ainda sobrou 30,5%.

Veja a íntegra da análise do Dieese.

 

Com informações da Contraf