Agressão verbal, ameaças, constrangimentos, humilhações, chantagens, tapas, chutes, empurrões, socos, espancamento, facada, tiro, estrangulamento. Todos os dias, milhares de mulheres em todo o mundo são vítimas de uma ou mais dessas formas de violência. Neste dia 25 – Dia Internacional de Combate à Violência contra à Mulher, um olhar sobre as estatísticas desnuda o falso discurso de inexistência do machismo. Ele não apenas existe, como mata todos os dias milhares de mulheres.
Dados do 14º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado em outubro, revela que nos seis primeiros meses de 2020 foram registrados 147.379 chamados ao 190 sobre violência doméstica, um aumento de 3,8%. O anuário também compilou os dados de 2019 e mostrou o crescimento de 7,1% do número de feminicídios, comparado à 2018. Foram 1.326 mulheres assassinadas em 2019. Desse total, em quase 90% dos crimes os agressores eram companheiros das vítimas; 66,6% das mulheres eram negras; e 56,2% tinham entre 20 e 39 anos. De 2016 para cá, após a promulgação da lei nº 13.104/15 que criou o crime de feminicídio, o número de casos aumentou 43%.
Pandemia
Com a pandemia da covid-19 e a consequente necessidade de isolamento social, muitas mulheres viraram reféns em sua própria casa, obrigadas a conviverem por mais tempo com seus agressores. De acordo com o anuário, o número de feminicídios cresceu 1,9% no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado.
Ao mesmo tempo, o isolamento social e a redução do atendimento dos serviços de proteção às mulheres vítimas de violência são fatores que explicam também a queda no registro de ocorrências por lesão corporal, que caiu de 122.948 casos no primeiro semestre de 2019 para 110.791 neste ano. Com mais obstáculos para pedir socorro, milhares de mulheres sofreram, e ainda sofrem, caladas, no “silêncio” de suas casas.
Espírito Santo
No Espírito Santo, os dados sobre a violência contra a mulher também são assustadores. Até o dia 31 de outubro deste ano, 19 casos de feminícidio ocorreram no Estado. De acordo com a Polícia Civil capixaba, são registradas em média 15 denúncias de violência contra a mulher por dia apenas na Grande Vitória. Na mesma região, de janeiro a julho, foram emitidas 1.778 medidas protetivas para mulheres.
“Esta é uma data importante, momento em que damos ainda mais visibilidade à luta de combate à violência contra a mulher. Por trás dos números, há vidas de milhares de mulheres, destruídas, mortas, enterradas apenas por serem mulheres. Vítimas do machismo que ainda impera na estrutura da nossa sociedade. Nossa luta, infelizmente, está longe de acabar, principalmente diante dessa conjuntura, em que enfrentamos um governo fascista, machista, misógino. Precisamos fortalecer nossa corrente de cumplicidade, de respeito e empatia entre as mulheres. É preciso entender que existe uma estrutura que afeta todas as mulheres, principalmente as de periferia, as negras. A luta pelo fim da violência contra a mulher é de todos nós e não vamos nos calar”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES Lindalva Firme.
Denuncie!
Sair do ciclo da violência e denunciar não é nada fácil. Na maioria das vezes, a violência física é precedida ou acompanhada de violência psicológica, o que fragiliza ainda mais a vítima. Mas há como romper esse ciclo. Vítimas de qualquer tipo de violência, seja psicológica ou física, podem procurar atendimento nas Delegacias das Mulheres, na Defensoria Pública, no Ministério Público ou no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) do município em que mora. A denúncia também pode ser feita por meio do 180, seja pela vítima ou por outra pessoa. Não se cale. Denuncie!
Canal de denúncia para bancárias
A violência contra as mulheres também está presente nos bancos nas formas de assédio moral e sexual, praticado muitas vezes por superiores. O Sindibancários/ES atua no combate a esse tipo de violência institucional contra as mulheres bancárias, e conta com um Canal de Denúncias próprio em que as bancárias podem denunciar, anonimamente, qualquer forma de assédio.
Além disso, uma das conquistas da Campanha Nacional deste ano foi a criação de canais de apoio para que as bancárias possam reportar situações de violência doméstica e familiar junto aos bancos. Cada banco deve informar aos empregados, por meio de comunicado interno, qual o seu canal para denúncias e acolhimento de mulheres vítimas de violência. O debate sobre o atendimento das bancárias vítimas de violência foi levantado pela primeira vez pelo movimento sindical em fevereiro de 2019. Em março deste ano, após debate entre as partes, foi acordada a criação do programa para as vítimas de violência doméstica. O acordo foi incorporado à CCT aprovada em setembro.
Por que 25 de novembro?
Esse dia de luta tem sua origem em 25 de novembro de 1960, na República Dominicana, quando foram assassinadas as irmãs Mirabal: Pátria, Minerva e Maria Teresa Mirabal. Elas eram líderes de um grupo de oposição à ditadura de Rafael Leónidas Trujillo. O assassinato das irmãs, conhecidas como “Las Mariposas”, causou uma reação popular que culminou na morte do ditador e deu origem ao Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher.
Calendário de luta
As manifestações do dia 25 de novembro fazem parte de uma campanha que no Brasil começou dia 20, com o Dia da Consciência Negra, já que a mulher negra é uma das maiores vítimas da violência, e vai até 10 de dezembro- Dia Internacional dos Direitos Humanos. Desde o dia 20, vários tuitaços estão sendo realizados. Participe dos próximos: 03 de dezembro – Dia da Pessoa Com Deficiência; 06 de dezembro – Dia da Campanha do Laço Branco – Homens Pelo Fim da Violência Contra a Mulher; e 10 de dezembro – Dia Universal dos Direitos Humanos.








