
Arte Larissa Ribeiro
“Mais um que pode estar entrando para a conta de homicídios da polícia. Quantos jovens precisarão morrer para que essa guerra aos pobres acabe?”.
O questionamento acima foi uma das últimas postagens escritas nas redes sociais por Marielle Franco. Publicado no Facebook no dia 13 de março de 2018, véspera do crime que executou a então vereadora e o seu motorista Anderson Gomes, o post de Marielle criticava o assassinato de mais um jovem negro nos bairros pobres do Rio de Janeiro.
Ativista das causas sociais, especialmente de pautas feministas, LGBTQ e antirracistas, Marielle morreria sem ter sua pergunta respondida. Exatos 1.000 dias depois da brutal execução, seu assassinato mantém sem resposta outra pergunta: Quem mandou matar Marielle e por quê?
Repercussão
Nesta terça-feira, 08, a imprensa e as redes sociais têm repercutido os 1.000 dias da noite fatídica de 14 de março de 2018 que tirou a vida de Marielle aos 38 anos. As reportagens publicadas nos jornais rememoram o caso e atualizam a quantas andam as investigações que até agora chegaram apenas a dois suspeitos que teriam executado a vereadora: o policial reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio de Queiroz, ambos acusados de envolvimento com a milícia carioca. Os dois foram presos quase um ano após o crime, mas até agora não explicaram os motivos que os levaram a cometer os assassinatos e nem tampouco entregaram os nomes dos mandantes. As investigações avançam a passos lentos nesses quase dois anos.
As redes sociais amanheceram repletas de mensagens de carinho à memória de Marielle e especialmente de críticas à morosidade das autoridades em apurar os responsáveis pelo crime. A irmã de Marielle, Arielle Franco, disse à imprensa que se sente “num labirinto sem saída”, fazendo menção à falta de respostas para o crime.
O Instituto Marielle Franco, em conjunto com a Anistia Brasil, fez um ato na manhã desta terça-feira em frente à Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Mil despetadores dispostos em frente às escadarias da Câmara cobravam: “Já passou da hora de sabermos quem mandou matar Marielle e por quê” (veja abaixo vídeo do ato).
Hoje, no dia nacional da justiça, lembramos que estamos há MIL DIAS perguntando: Quem mandou matar Marielle?
Junto com a @anistiabrasil, amanhecemos com MIL despertadores na porta da Câmara Municipal do Rio, para cobrar as autoridades por respostas. #1000diassemrespostas pic.twitter.com/XTwb135b4B
— Instituto Marielle Franco (@inst_marielle) December 8, 2020
As sementes legadas por Marielle
“No Sindicato dos Bancários/ES, temos a placa ‘Rua Marielle Franco’ na parede. Toda vez que passo por ela me emociono. Porque nós que militamos nessas mesmas causas as quais Marielle militava sabemos da importância do trabalho que ela fazia e jamais nos conformaremos com a maneira brutal com que toda essa trajetória de ativismo construída por ela foi interrompida. Por isso seu legado é tão poderoso e é nosso compromisso manter Marielle cada vez mais viva nessas lutas em defesa dos direitos”, afirma a diretora do Sindicato Evelyn Flores.
A também diretora do Sindicato Rita Lima reforça que a elucidação do crime de Marielle se tornou fundamental para todos e todas que lutam pelo fim da violência e da impunidade para os crimes de extermínio do povo negro no Brasil. “Hoje são 1.000 dias do assassinato de Marielle e quatro dias da morte brutal de Emily e Rebeca, que brincavam na frente de casa quando tiveram suas vidas abreviadas pela violência, registra Rita Lima, fazendo alusão à charge de Laerte que critica a violência que tirou as vidas de Marielle e das irmãs Rebeca e Emily.
“Nossa luta continua mais forte do que nunca. Hoje é um dia para refazermos as perguntas que ainda não foram respondidas pelas autoridades. Ao mesmo tempo é umdia especial para enaltecermos esse valioso legado deixado por Marielle e que se mantém cada dia mais vivo entre nós, nos motivando para a luta”, conclui Rita Lima citando Marielle: “Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes”.
(Foto capa: Instituto Marielle Franco)









