Fase aguda da covid reflete em aumento de mortes entre empregados da Caixa

04/03/2021 20:00

Levantamento dos movimentos sindicais apontou que o número de vítimas fatais da covid vem crescendo em relação a 2020. Só em janeiro morreram 8 bancários da Caixa no país

Com média móvel de 1.300 mortes por dia, os números confirmam que o Brasil atravessa nos primeiros meses de 2021 a fase mais crítica da covid desde o início da pandemia. Esse aumento de novos casos e mortes se reflete na superlotação das UTIs, que estão colapsando em ao menos 16 estados.

Segundo levantamento do movimento sindical, publicado no site Bancários/SP, os dados do ano passado registraram que 19 bancários da Caixa Econômica perderam suas vidas para a covid -média de três óbitos a cada dois meses. Entretanto, só em janeiro deste ano já foram contabilizadas oito mortes no país entre bancários da Caixa. Ainda, de acordo com o levantamento, o número de casos de covid entre os empregados da Caixa passou 7.900, uma contaminação de 9,7% dos trabalhadores do banco público.

Na avaliação da diretora do Sindicato dos Bancários/ES Lizandre Borges, o crescimento da covid em todo o Brasil é assustador nesses primeiros meses do ano. “Depois de assistirmos à asfixia coletiva dos amazonenses por falta de oxigênio, vemos agora as novas variantes se espalhando numa velocidade impressionante por todo o país. Recordes de mortes sendo batidos diariamente e as filas de espera por leitos de UTI se acumulando nos corredores dos hospitais. Muita dor e tristeza”.

Lizandre alerta que esse quadro caótico se manifesta em toda a categoria bancária, que é um segmento muito exposto à covid por trabalhar diretamente com o público. Conforme mostrou o levantamento, destaca a dirigente, a situação entre os empregados da Caixa é ainda mais preocupante. “Todos os bancários estão vulneráveis à doença. Mas a situação dos empregados da Caixa, que de abril a dezembro de 2020 ficaram cara a cara com o vírus para pagar o auxílio emergencial a mais de 67 milhões de brasileiros, é ainda mais preocupante. Com a iminente volta do auxílio emergencial, teremos novamente a correria às agências da Caixa, só que isso irá acontecer na fase mais aguda da doença”, adverte.

A dirigente afirma que a Caixa precisa adotar um plano urgente para fazer o pagamento dessas novas parcelas do auxílio emergencial com segurança sanitária para empregados e beneficiários. “É perturbador para o empregado que está na linha de frente, consciente de que há uma nova cepa mais agressiva circulando, e que não há praticamente leitos disponíveis na rede hospitalar pública ou privada”.

Segundo Lizandre, está prevista uma reunião nos próximos dias entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban para tratar exclusivamente do tema covid. “É urgente fazer essa discussão para definir protocolos sanitários ainda mais rígidos neste momento caótico da pandemia”.

CAT

Em meio a esse clima de tensão, critica Lizandre, a Caixa está se recusando a emitir a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho). Segundo ela, a emissão da CAT é vital para preservar os direitos dos empregados que adoecem. A medida tem respaldo legal do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu, em abril do ano passado, que a contaminação pela covid-19 pode ser considerada doença ocupacional.

Lizandre orienta que os bancários e as bancárias exijam a emissão da CAT e procurem o Sindicato em caso de dúvida. A dirigente acrescentou que o Sindicato irá notificar o Ministério Público do Trabalho (MPT) caso a Caixa se recuse a emitir o documento. “Ao se recusar a fazer a emissão, a Caixa está descumprindo a lei”.

A emissão da CAT vale para bancários e bancárias de todos os bancos, mas, pelo menos aqui no Espírito Santo, os empregados da Caixa lideram as emissões do documento.

Pesquisa

O número de vítimas da covid apurado no levantamento do movimento sindical pode estar subestimado porque não há dados sistematizados nacionalmente, tampouco há informações detalhadas sobre como a doença tem afetado a categoria. Por isso a pesquisa “COVID-19 como uma doença relacionada ao trabalho” é tão importante. O estudo é parte de projeto homônimo, promovido pela Associação de Saúde Ambiental e Sustentabilidade (ASAS), com o objetivo de dar luz à relação entre a atividade profissional e o adoecimento pela covid-19.

O projeto pretende dar visibilidade às atividades de trabalho como fontes de infecção e adoecimento pelo SARS-CoV-2 e obter informações que ofereçam subsídios para os sindicatos planejarem ações que possam auxiliar na prevenção da doença e minimizar suas consequências clínicas e sociais.

Participe

Bancários e bancárias, como uma das categorias cujo trabalho está sendo considerado essencial durante a crise sanitária, responderão a um formulário específico, o que permitirá sistematizar informações particulares às condições de trabalho da categoria.

(Imagem capa: Bancários/SP)