O Sindicato dos Bancários/ES tem recebido uma enxurrada de denúncias que denotam a não aplicação de medidas sanitárias e de isolamento por parte do Banco do Brasil, incluindo o descumprimento do Decreto Estadual que limita o atendimento bancário aos serviços emergenciais. 

Em algumas unidades, bancários estão sendo pressionados a realizar serviços que excedem a previsão legal, como saques e pagamentos de boletos comuns, feitos no interior da agência. Também há relatos de funcionários atendendo no autoatendimento. 

O último decreto publicado pelo Governo do Estado, Decreto Estadual N 4859-R, em vigor desde a segunda-feira, 05, flexibilizou a abertura do comércio, mas manteve as restrições dos serviços bancários previstas desde a instituição de quarentena, no final de março, quando foram implementadas medidas mais restritivas de isolamento. 

De acordo com o texto, o atendimento presencial só pode acontecer em caráter excepcional, ou seja, quando não for possível pelos canais digitais, e deve priorizar o “atendimento referente aos benefícios sociais, aposentadorias e pensões e o atendimento a programas bancários destinados a aliviar as consequências econômicas do novo coronavírus”.

“O entendimento é que os serviços bancários presenciais estão suspensos. O que o Decreto prevê é justamente a exceção, o caráter excepcional. O atendimento presencial só pode acontecer se relacionado ao pagamento dos benefícios sociais e quando não for viabilizado pelos canais digitais.  Qualquer gestor que ‘interprete’ o texto de forma diferente está buscando subterfúgios para descumprir a quarentena, colocando em risco todo o corpo funcional e os clientes da unidade”, afirma Goretti Barone, diretora do Sindicato.  

Trabalho presencial mantido

Além de burlar as restrições no atendimento, o banco não ampliou as medidas para contribuir com o isolamento social, como home office e escalas de revezamento. Afora os empregados que integram o grupo de risco, todos os outros bancários seguem trabalhando presencialmente, mesmo com o atendimento reduzido e com o transporte coletivo suspenso. 

“O banco está descumprindo a própria orientação interna de priorizar o trabalho remoto com o agravamento da crise sanitária. O que vemos é um descompromisso total com os cuidados sanitários, mesmo na fase mais crítica da pandemia”, afirma Barone. 

Dos 78 municípios capixabas, 37 estão classificados como de “risco extremo”, incluindo todos os da Grande Vitória, e 39 como “risco alto”, segundo o novo Mapa de Gestão de Risco publicado pela Secretaria de Estado de Saúde, que baliza as medidas restritivas. Apenas dois municípios estão fora da fase vermelha, com classificação de “risco moderado”.

Para piorar, o banco não está se responsabilizando pelo deslocamento dos funcionários, mesmo com o transporte metropolitano suspenso como medida preventiva. 

“Esse problema tem se repetido desde a decretação da quarentena, quando o transporte coletivo estava suspenso completamente. Muitos bancários não têm como chegar ao trabalho e estão tendo que se virar, tirando do próprio bolso para pagar transporte particular”, relata Goretti.

Documentos recebidos pelo Sindicato comprovam que o banco negou a previsão de abono de ausência em caso de falta ocasionada pela suspensão do transporte público. Caso o empregado fique impossibilitado de comparecer ao trabalho, a orientação do banco foi tentar negociar com o gestor a utilização de outros abonos, folgas ou banco de horas positivo. 

“Ou seja, o banco quer que o empregado pague para trabalhar. Que utilize seus direitos e benefícios para suprir uma limitação determinada pelas autoridades públicas justamente para que ele e as demais pessoas fiquem em casa”, critica a dirigente sindical. 

Empregados também denunciaram que boa parte das tarefas que estão sendo executadas no banco não são prioritárias ou poderiam ser feitas em home office. “Tem empregados indo trabalhar para organizar arquivo ou fazer atendimento por telefone. São trabalhos que podem ser adiados ou realizados remotamente. O banco extrapola até o bom senso”, destaca Goretti.  

Metas não param

Apesar da restrição no atendimento e de um  estado de calamidade que afeta a vida de todas as pessoas, a cobrança de metas segue a mesma. O banco tem feito inclusive campanhas de comercialização de produtos, mesmo no pico da pandemia. É o caso das campanhas do Ourocap — título de capitalização do BB. 

“Nem parece que vivemos um estado de calamidade pública. Temos milhares de pessoas morrendo todos os dias, inclusive familiares e amigos, e a preocupação do Banco do Brasil é com a venda de produtos. É uma gestão desumana, deseducativa e desmotivadora para seus empregados, justamente o contrário da postura de engajamento que o BB cobra de seus funcionários”, completa Barone.

Sindicato pressiona direção 

O Sindicato está cobrando a direção do BB para que ela respeite e adote as medidas preventivas em todas as unidades do Espírito Santo. Também está estudando medidas jurídicas para garantir o cumprimento do Decreto Estadual e frear os abusos do banco, garantindo a segurança dos empregados. Já foram feitos pedidos de reunião com a Superintendência, mas o sindicato não obteve retorno. 

“A situação é grave e a gente espera que a direção do BB cumpra o decreto e colabore com os esforços coletivos para se evitar aglomerações, manter o distanciamento e reduzir o fluxo de pessoas. Nossa máxima é que a vida vale mais que o lucro, e isso precisa ser respeitado”. 

Goretti pede ainda que bancários continuem denunciando o descumprimento dos protocolos sanitários ao Sindicato. “Quando mais denúncias e provas tivermos, mais sólida é nossa intervenção junto ao banco. Por isso a colaboração dos bancários é essencial. O Sindicato se faz com a ajuda de todos”, salienta. 

O funcionário que se sentir coagido a executar tarefas que não estejam previstas deve formalizar a denúncia na Secretaria de Saúde (27-99650-8033) ou no Jurídico do Sindicato (27-99961-4185). Você também pode utilizar o Canal de Denúncias do nosso site.

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