Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base nos dados do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), aponta que os desligamentos por morte cresceram 71,6% entre trabalhadores e trabalhadoras celetistas do país no comparativo entre os primeiros trimestres de 2020 e 2021. Quando o recorte é feito na categoria bancária, o crescimento é ainda maior: 176%. No Espírito Santo, o aumento de mortes entre os celetistas, no geral, foi de 61,8%. Inferior aos 66,6%, percentual de crescimento entre os bancários capixabas.

No estudo, o Dieese destaca que as mortes no Brasil entre trabalhadores celetistas saltaram de 13,2 mil no primeiro trimestre de 2020, para 22,6 mil, no comparativo com o mesmo período de 2021 (tabela abaixo). Nas atividades de atenção à saúde humana, o aumento foi de 75,9%, saindo de 498 para 876. Entre enfermeiros e médicos, o incremento chegou a 116% e 204%, respectivamente.

Não por acaso, o Amazonas foi o estado com o maior crescimento percentual de desligamentos por morte: 437,7% – foram 114, no primeiro trimestre de 2020, contra 613, no mesmo período de 2021. Em seguida, aparecem outros três estados do Norte: Roraima, Rondônia e Acre.

Importante destacar que o campo desligamento do Caged não especifica a causa da morte. Isso quer dizer que não se pode afirmar que o incremento de mortes no primeiro trimestre de 2021 possa ser atribuído exclusivamente à covid. Mas os aumentos percentuais significativos permitem deduzir que as mortes estejam relacionadas à covid (tabela abaixo), considerando que no primeiro trimestre de 2020, com a pandemia ainda na fase inicial, o Brasil havia registrado 201 mortes da doença.

Na avaliação de Carlos Pereira de Araújo (Carlão), do Comando Nacional dos Bancários, o aumento flagrante das curvas de mortes comprovam que as vítimas preferenciais da covid são os trabalhadores que atuam nas chamadas atividades essenciais, ocupações cujos profissionais não tiveram a opção de fazer o home office. “São profissionais que estão trabalhando sem parar ao longo da pandemia. Mesmo nos estados onde houve quarentena ou lockdown esses setores da economia seguiram funcionando normalmente. Esses trabalhadores continuaram usando o transporte público e fazendo interações no ambiente de trabalho mesmo nos períodos em que a covid foi mais letal, como nos primeiros meses de 2021 com as novas variantes.”

O levantamento do Dieese mostra como a doença foi mais seletiva entre as categorias que estiveram mais expostas à doença. A seção Atividades Financeiras, de Seguros e Serviços, por exemplo, na qual está inserida a categoria bancária, o aumento foi de 114% (tabela acima) “Quando observamos o recorte específico dos bancários, confirmamos a vulnerabilidade desse segmento. Por isso o Comando vem cobrando a Fenaban para que pressione o Governo Federal e inclua os bancários e as bancárias no Plano Nacional de Imunização (PNI)”.

O dirigente chama atenção para o percentual de aumento de mortes na categoria. “Esse salto de 176% é mais que o dobro da média no comparativo geral (71,6%). Mesmo no Espírito Santo, onde esse aumento foi de 66,6% na categoria bancária, ainda sim é um percentual superior aos 61,8% registrados no geral das baixas por mortes entre celetistas no Estado”, aponta.

Carlão destaca ainda porque é tão importante que os bancos abram os dados de casos e óbitos de covid-19 na categoria. “Na reunião que tivemos com a Fenaban nessa segunda-feira, insistimos mais uma vez sobre a urgência do acesso a esses dados. Precisamos saber a real situação da covid na categoria. Cruzamentos como esse, feito pelo Dieese, só aumentam as evidências de que os bancários estão entre os trabalhadores mais vulneráveis ao vírus e precisam ser urgentemente incluídos no Plano Nacional de Imunização”, reafirma.

BANCÁRIOS FAZEM MOBILIZAÇÃO PELA INCLUSÃO DA CATEGORIA NO PLANO NACIONAL DE IMUNIZAÇÃO

(Foto capa: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)