Na última reunião do Grupo de Trabalho Saúde Caixa, na quinta-feira, 17, os representantes dos empregados e da Caixa dentro do GT não chegaram a um consenso sobre os custos projetados para o plano para os próximos exercícios. O número será utilizado como base para a discussão do formato de custeio do plano, que deve ser aplicado a partir de janeiro de 2022.
O relatório apresentado pela Caixa não havia sido validado pela representação dos empregados. Um dos problemas apontados no relatório foi a ausência de informações sobre a metodologia utilizada para elaborar as projeções. Os valores projetados no relatório apresentado pela Caixa são superiores aos apresentados no relatório da consultoria atuarial que assessora os representantes dos empregados.
Para a diretora do Sindicato dos Bancários/ES e integrante da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), Lizandre Borges, é preciso redobrar a atenção nas próximas rodadas de reunião do GT. “Há um clima de apreensão no ar. O GT deve apresentar um formato de custeio e gestão até 31 de julho. O prazo está se esgotando e o receio é de que a Caixa imponha um modelo com base na CGPAR-23. Uma proposta nesses moldes comprometeria a manutenção do modelo 70/30, do mutualismo, da solidariedade e do pacto intergeracional. Não podemos abrir desses princípios”, enfatiza a dirigente.
Caixa boicota informações
O relatório elaborado pela consultoria que assessora os empregados foi entregue aos representantes da empresa no GT. Além de recomendações para o aprimoramento da gestão (que contribuem com a redução para os custos assistenciais do plano), ele solicita informações adicionais à Caixa, que, inclusive, poderiam alterar a projeção de despesas. Na reunião desta quinta-feira, a Caixa respondeu que não teria como atender aquela demanda de informações.
“Há um claro boicote da Caixa em fornecer as informações solicitadas pela consultoria que assessora o GT”. Lizandre lembra que durante as negociações do Acordo Coletivo de 2020 sobre a criação do GT Saúde Caixa, ficou firmado que a empresa abriria todas as informações solicitadas. “Mas, na prática, não é isso que vem acontecendo”.
Mobilização
Lizandre alerta que o momento exige a articulação de uma grande mobilização das entidades sindicais e de funcionários e principalmente dos empregados e das empregadas da Caixa nesta reta final do GT. “Vamos precisar aumentar a pressão sobre a mesa de negociações. Senão a direção da Caixa impõe o modelo que mais lhe convém, submete ao plebiscito e quando nos dermos conta o estrago já foi feito. Temos o exemplo da Cassi, do Banco do Brasil, para nos servir de alerta”, adverte.
A dirigente acrescenta que a expectativa é de que a CGPAR 23 seja derrubada para que o plano não sofra alterações que prejudiquem os associados.
Impasse
Frente ao impasse, foram discutidas alternativas para viabilizar o prosseguimento das discussões. Os representantes dos empregados sugeriram que fossem elaborados modelos de custeio baseados em ambas as projeções, ressaltando a necessidade de que a Caixa forneça os dados solicitados pela consultoria dos empregados. A Caixa informou que iria avaliar as alternativas sugeridas, e deve trazer respostas na próxima reunião, marcada para a esta terça-feira, 22.
Cronograma
O GT vem se reunindo semanalmente desde 14 de janeiro deste ano com a missão de apresentar um formato de custeio de gestão do Saúde Caixa até o dia 31 de julho de 2021 e, posteriormente, encaminhar o debate das propostas para Mesa Permanente. A Mesa deverá eleger a melhor alternativa (ou mais que uma) de custeio para o plano.
Em seguida, a proposta será encaminhada ao conhecimento dos empregados para votação até 31 de agosto de 2021. A mais votada será implementada até 2 de janeiro de 2022. O GT vai se reunir ordinariamente todas as quintas-feiras, das 14h às 16h. Não estão descartadas outras reuniões fora da agenda.
(Com informações da Contraf)

