Foi aberta na noite desta sexta-feira, 03, a 23ª Conferência Nacional dos Bancários e das Bancárias, realizada pelo segundo ano consecutivo em formato virtual em decorrência da pandemia do novo coronavírus. O tom da noite foi de unidade em torno das mobilizações pelo Fora Bolsonaro e Mourão, em defesa dos direitos sociais e da democracia. O chamado aos atos do dia 07 de setembro, que acontecem em conjunto com as manifestações do tradicional Grito dos Excluídos, foi reforçado. 

O evento foi iniciado com uma sequência de homenagens aos bancários e às bancárias que perderam a vida para a covid-19, entre eles dirigentes sindicais da categoria, que se somam aos quase 600 mil mortos pela doença no país. “São vítimas da covid-19, mas também da gestão criminosa da pandemia feita pelo governo Bolsonaro”, lembrou a presidente da Contraf, Juvandia Moreira.  

O diretor do Sindibancários/ES Carlos Pereira de Araújo (Carlão) participou das saudações iniciais e apontou como tarefa fundamental dos trabalhadores a resistência ao desmonte dos direitos sociais no Brasil.  

Carlão, diretor do Sindibancários/ES, fala durante a abertura solene da 23ª Conferência Nacional dos Bancários

“Em 2016 tivemos um golpe contra a classe trabalhadora que culminou em derrotas como a reforma da Previdência, a trabalhista e a eleição de Bolsonaro. Hoje enfrentamos uma crise sem precedentes, uma crise do capital ampliada pela postura do governo. Com a resistência das diversas frentes populares, conseguimos ocupar as ruas e demonstrar que temos capacidade de derrotar Bolsonaro, mas precisamos continuar resistindo às privatizações, ao desemprego e à fome, e seguir lutando por melhores condições de vida para a categoria e para a classe trabalhadora”, disse Carlão. 

O Secretário Geral da Intersindical, Edson Carneiro Índio, também destacou a necessidade de interromper a ameaça golpista em curso.

“Bolsonaro atenta contra as liberdades democráticas e tenta impor o terror para fazer valer  seu projeto de Estado, o neofascismo e os interesses do capital financeiro e do grande capital, em detrimento dos interesses do povo. A situação é grave e exige unidade dos setores populares para conter o avanço do genocida antes de 2022, porque o Brasil não consegue chegar a 2022 com esse projeto de destruição. Precisamos impedir a ameaça golpista e autoritária, derrotar o neoliberalismo e pautar um projeto que reverta as profundas desigualdades que massacram o nosso povo há séculos.  Reconstruir um país com igualdade, democracia e soberania só será possível enfrentando o capital financeiro e o neoliberalismo”, salientou. 

A participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava confirmada para a mesa de abertura, foi suspensa e substituída por um vídeo enviado por Lula aos bancários. O ex-presidente precisou alterar a agenda para comparecer ao velório do ator Sérgio Mamberti, enterrado na noite de hoje, de quem era próximo. 

A 23ª Conferência Nacional dos Bancários continua neste sábado, 04, com diversas mesas de debate e a realização da plenária final que definirá a pauta de reivindicações da categoria para as negociações com a Fenaban. O evento conta com transmissão ao vivo. Veja a programação.