O resultado do programa de Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP) da Caixa Econômica Federal divulgado na semana passada mostrou as disparidades, distorções e injustiças trazidas pelo novo modelo adotado no ciclo 2021. Entre as alterações promovidas pelo banco está a introdução da curva forçada, que estabelece faixas obrigatórias de 5% de desempenho não atendido e 5% de desempenho excelente.
“Isso cria um abismo na categoria e condena um grupo de trabalhadores que, mesmo fazendo todo tipo de esforço, ficará, obrigatoriamente, na base da tabela como desempenho não atendido, porque tiveram menos pontos que os demais. Essa é uma metodologia hiperultrapassada, já abandonada pela maioria das empresas há décadas, porque foge ao bom modelo de gestão, não estimula o trabalhador e prejudica o ambiente interno, promovendo uma disputa na equipe”, afirma a diretora do Sindicato e integrante da Comissão Executiva dos Empregados (CEE), Lizandre Borges.
O GDP prevê avaliações a partir de objetivos individuais estabelecidos entre chefias e subordinados. O empregado passa por autoavaliação, avaliação dos colegas, da equipe e do gestor.
Os problemas já identificados nos locais de trabalho com o novo modelo de GDP são inúmeros. A linha de corte dos 5% para baixo é aplicada por agência, criando distorções entre empregados de unidades diferentes ou que foram transferidos durante o ciclo de avaliação. No caso dos gestores, que recebem bônus se a unidade atingiu 100% ou mais das metas, a avaliação subjetiva dos superiores tem causado diferenças substanciais no valor pago para quem tem carteiras idênticas de clientes.
“Essa curva forçada prejudica os bancários de várias formas, inclusive com reflexos na vida funcional. A Caixa está usando o GDP para decidir sobre transferências, escala de férias e para pagar o segundo delta. Daí porque é importante nossa luta para desvincular a promoção por mérito do GDP”, lembra a diretora do Sindicato.
Para a representante dos empregados no Conselho de Administração (CA) da Caixa, Rita Serrano, o conceito do GDP não é adequado. “Ele incentiva a competição entre as pessoas, instiga o individualismo e acaba com a relação de solidariedade e com a produção pelo prazer e pelo bem comum”, avaliou em entrevista à Contraf.
Segundo a Contraf, a CEE vai cobrar que a Caixa cumpra sua promessa de que debateria o GDP com os empregados e suas representações sindicais.

