Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES

No congresso específico do Banestes, ocorrido na tarde desse sábado, 14, dentro do 7º Congresso Estadual, os banestianos e as banestianas decidiram quais serão os eixos centrais da minuta da campanha salarial deste ano: defesa do Banestes público e estadual, reajuste salarial capaz de repor as perdas inflacionárias, Banescaixa, Fundação Baneses, Teletrabalho e seleção interna (carreiras). Ficou aprovado também, como proposta de resolução, que em agosto próximo será realizado um seminário para discutir as ações em defesa do Banestes público e estadual.

A mesa também teve a presença do assessor jurídico do Sindicato André Moreira, que falou sobre a conjuntura da política estadual, e como ela ameaça a manutenção do Banestes público e estadual.

O diretor do Sindicato dos Bancários/ES Jonas Freire afirmou que até a assembleia os banestianos e as banestianas poderão apresentar propostas para acrescentar ou suprimir pontos da minuta. Sobre os pontos aprovados como prioritários no congresso, Jonas disse que essa definição funciona como uma bússola na mesa de negociação. “Com os eixos centrais definidos, vamos pôr foco nesses pontos durante as tratativas com a direção do Baneste durante a campanha”, explicou. O dirigente também destacou que a proposta de teletrabalho será tratada separadamente mais à frente.

Campanha salarial

Danilo Bicalho, recentemente eleito para o Conselho de Administração do Banestes, fez uma fala sobre a campanha salarial. O conselheiro eleito sublinhou que a remuneração é sempre um dos pontos prioritários de uma campanha, ainda mais quando há um processo inflacionário em curso corroendo o salário do trabalhador. “Mas temos muito mais coisas para discutir na campanha deste ano. Vocês têm percebido o desmonte do banco, como nossas agências estão sucateadas? A pressão por metas tem sido cada vez maior. Está difícil manter a sanidade. Novas contratações são urgentes. Faz uns cinco ou seis anos que eu não sei o que é trabalhar com um quadro completo na agência”, criticou Bicalho, que é gerente da agência Ibes, em Vila Velha.

Ainda sobre a campanha salarial, Bicalho destacou que o bancário do Banestes vem acumulando perdas desde 1994. Segundo ele, entre os bancos públicos estaduais e regionais, o Banestes detém uma das menores médias salariais do país. “Hoje só ficamos atrás do Banco do Pará. É preciso fazer essa cobrança. Estamos entregando muito e recebendo pouco. Temos que ser reconhecidos por nosso trabalho”, assinalou.
Defesa do Banestes

Carlos Pereira de Araújo (Carlão), diretor do Sindicato e membro do Comando Nacional dos Bancários, que acompanha de perto as negociações com o Banestes, destacou que a defesa do Banestes e de suas subsidiárias é sempre um ponto prioritário nas campanhas. “Ainda na década de 80, o Sindicato constituiu o Comitê em Defesa do Banestes Público e Estadual e nunca mais o desfez, porque as ameaças, entra governo e sai governo, são recorrentes.

O dirigente afirmou que o comitê foi rearticulado novamente no ano passado para enfrentar as investidas do governo Casagrande para privatizar a Banestes Seguros. Carlão ratificou a proposta de se promover um seminário para discutir ações específicas em defesa do Banestes público e estadual. “A ideia é fazer um seminário bem representativo, com participação maciça dos banestianos e das banestianas da Grande Vitória e do interior”.

O diretor Marcelo Giacomin também reforçou a importância do seminário. “O risco de privatização do Banestes e suas subsidiárias é iminente. O projeto privatista do governo está colocado”, advertiu.

Jonas Freire fez destaque também para o Banescaixa. “Precisamos ainda amadurecer o grupo de trabalho do Banescaixa. “A defesa do plano de saúde, não poderia ser diferente, também é prioritária”. Ele chamou atenção para a situação dos aposentados. “Mais de 40% estão fora do plano porque não conseguem pagá-lo. O desmonte do plano de saúde está diretamente relacionado à ameaça de privatização do banco e suas subsidiárias. Os ataques vêm por todos os lados”, alertou.

Conjuntura estadual

Advogado sindicalista André Moreira, que é assessor jurídico do Sindicato, falou sobre a conjuntura política do Espírito Santo e porque ela é uma ameaça à manutenção do Banestes público e estadual. Moreira lembrou que na disputa eleitoral de 2018, Casagrande reuniu uma base de apoio com partidos de todas as colorações ideológicas. Ele fez crítica à política de incentivos fiscais do governo Casagrande, que flagrantemente beneficiou as elites empresariais do Estado. Criticou também a gestão do governo à frente da pandemia. Para o advogado, Casagrande definiu as ações sanitárias não com base na ciência, mas para atender aos interesses das grandes empresas, que se colocaram contrárias às medidas de quarentena no início da pandemia.

(Da esq. para a dir.): Renata, Marcelo Giacomin, André Moreira e Jonas Freire

Moreira pontuou também que Casagrande iniciou o governo com o escândalo envolvendo o então recém-nomeado presidente do Banestes, Vasco Cunha, que acabou sendo preso numa operação da Polícia Federal assim que pôs os pés no Espírito Santo. Cunha foi diretor do Banco de Brasília (BRB), cuja Casagrande era conselheiro à ocasião.
“O compromisso para não privatizar o Banestes foi quebrado com o projeto do governador de privatizar a Banestes Seguros. Essa denúncia do processo de venda da seguradora foi levada pelo Sindicato ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) e acabou chegando ao Ministério Público de Contas. Desde o início, tínhamos convicção de que a ação era revestida de fundamentação jurídica, o que acabou sendo referendado pela corte de Contas, que deu parecer sobre a procedência da denúncia do Sindicato dos Bancários”, enfatizou Moreira, que completou: “Não podemos mais colocar a mão no fogo por Casagrande nos casos envolvendo corrupção”.

Jonas, também tecendo críticas a Casagrande, recordou que o governador, na ocasião da disputa ao governo, em 2018, assinou um termo com o Sindicato se comprometendo a não privatizar o Banestes e suas subsidiárias, e quebrou esse compromisso com a tentativa de venda da Banestes Seguros.

“Essa campanha contra a privatização da seguradora foi um grande desafio. Fizemos todas essas ações de resistência em meio à pandemia, com a militância desmobilizada. Foi muito importante o apoio que conquistamos da classe política em geral, dos deputados estaduais, federais e vereadores. A vereança nos abriu as portas das câmaras de Colatina, Cachoeiro e Vitória, onde fizemos tribunas livres sobre a ameaça de privatização do Banestes”, disse Jonas.

O dirigente ainda lembrou que o governador Casagrande, em mais uma investida para privatizar o banco, enviou à Assembleia este ano um PL que é um cheque em branco para o governo vender o Banestes e suas subsidiárias. “Até o momento, as ações que fizemos podemos dizer que surtiram efeito porque conseguiram neutralizar mais esse ataque do governo ao Banestes”.

Plebiscito

Em sua fala, o advogado André Moreira sugeriu que o Sindicato junto com os banestianos se articulem com deputados estaduais para propor a apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição. Essa PEC, segundo Moreira, obrigaria o governo do Estado a submeter qualquer proposta de privatização do Banestes e de suas subsidiárias a um plebiscito popular.

Jonas Freire considerou a proposta muito importante para evitar que o banco fique vulnerável ao apetite privatista de cada governo. A proposta foi referendada pelos presentes no congresso e será discutida em detalhes no seminário. “É o capixaba que tem de dar a palavra final sobre vender ou não o Banestes. Afinal, o povo capixaba é o verdadeiro dono do Banestes”, concluiu Jonas.